30 de março de 2009
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3 de julho de 2008
Quem é quem
Veja o momento da entrega dos troféus e reveja as matérias vencedoras:

Isaura Daniel, da Agência de Notícias Brasil-Árabe-ANBA, recebe o troféu de Luiz Ghiggi, Vice-Presidente de Engenharia da AGCO

Clique e conheça o trabalho “O alimento que brota da seca”, vencedor na categoria Internet

Rasso Von Reininghaus, Vice-Presidente de Operações Comerciais da AGCO América do Sul e Priscila Brandão, do programa Globo Rural, da TV Globo.

Clique e conheça o trabalho “Guaraná da Amazônia”, vencedor da categoria TV.

Bety Costa, da Panorama Rural, recebe o troféu de Duílio De La Corte, Diretor de Exportação da Massey Ferguson.

Clique e conheça o trabalho “O fardo do passado”, vencedor da categoria Revista.

Fábio Piltcher, diretor de Marketing da Massey Ferguson e Edimar Soares, do jornal O Povo, de Fortaleza

Clique e conheça o trabalho “Agricultura Familiar na busca por mais recursos e tecnologia”, vencedor da categoria Fotojornalismo.

Mauro Zafalon, editor de agronegócio da Folha de S. Paulo, representando o vencedor Fernando Canzian, recebe o troféu de Carlito Eckert, Diretor de Operações Comerciais da Massey Ferguson.

Clique e conheça o trabalho “Trabalhador rural foge do registro de carteira no nordeste”, vencedor da categoria Jornal.

André Carioba, Vice-Presidente AGCO América do Sul entrega o troféu Destaque AGCO de Jornalismo Rural Brasileiro aos representantes da Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisas Agronômicas, Luis Gomes de Souza, assessor da Presidência e Edílson Fragale, chefe do departamento de Comunicação da entidade.

Essa distinção homenageia um jornalista, programa, veículo ou entidade que, de alguma forma, tenha contribuído para o desenvolvimento, promoção e valorização do jornalismo rural. Os critérios para esta distinção são de livre arbítrio dos jurados, já que não há inscrições para esse destaque.

Em reunião realizada em 24 de abril de 2008, na sede da Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, em São Paulo, a comissão julgadora foi unânime na escolha da organização pela sua relevante atuação em prol do setor primário do país, a partir de um trabalho desenvolvido com seriedade e competência.

O júri da sétima edição do Prêmio Massey Ferguson de jornalismo foi formado pelos seguintes profissionais: o publicitário e pecuarista Aluizio Lessa Coelho; Cecilia Fagan da Costa, gerente do GV Agro - da Fundação Getúlio Vargas; Décio Zylberstajn, professor do Departamento de Administração da USP e coordenador do PENSA – Centro de Conhecimento em Agronegócio; o professor de telejornalismo no UniCEUB, de Brasília, Roberto Menezes Rodrigues e a assessora de imprensa da ABAG - Associação Brasileira de Agribusiness, Valéria Ribeiro Isola.

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2 de julho de 2008
Conheça os vencedores
Os vencedores da 7ª edição Prêmio Massey Ferguson de Jornalismo foram finalmente conhecidos em uma noite de festa, prestigiada por finalistas, jornalistas do setor, diretoria da Massey Ferguson e da AGCO, entre outros convidados.

Com apresentação da jornalista Millena Machado, a entrega aconteceu na Casa da Fazenda do Morumbi, em São Paulo, ontem à noite.

Os escolhidos são Isaura Daniel, da Agência de Notícias Brasil-Árabe, na categoria Internet; Priscila Brandão, da Rede Globo, na categoria TV; Bety Costa, da Panorama Rural, na categoria Revista; Edimar Soares, do jornal O Povo na categoria Fotojornalismo; e Fernando Canzian, da Folha de S. Paulo, na categoria Jornal. Cada um recebeu prêmio único no valor de R$ 8 mil.

Foi entregue também o troféu Destaque AGCO de Jornalismo Rural Brasileiro, distinção que homenageia um jornalista, programa, veículo ou entidade que, de alguma forma, tenha contribuído para o desenvolvimento, promoção e valorização do jornalismo rural. Os critérios são de livre arbítrio da comissão julgadora, que foi unânime na escolha da EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisas Agronômicas, pela sua relevante atuação ao longo de 35 anos. A entidade foi representada por Luis Gomes de Souza e Edílson Fragale.


Confira alguns momentos e acompanhe aqui no blog a cobertura do evento.

Público confere atento o anúncio dos vencedores


Millena Machado comandou a noite de festa


Priscila Brandão, Bety Costa, Mauro Zafalon (representando Fernando Canzian), Edimar Soares, Isaura Daniel, Luis Gomes de Souza e Edílson Fragale



Izzy Gordon e banda embalaram o jantar para 150 convidados

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24 de junho de 2008
Entrega dos troféus
Está chegando a hora: a festa de premiação do 7º Prêmio Massey Ferguson de Jornalismo acontece na próxima semana, em São Paulo. Na noite de 1° de julho, a Casa da Fazenda será palco para o anúncio dos grandes vencedores em cada uma das cinco categorias – TV, Fotojornalismo, Jornal, Revista e Internet.

Será uma noite de confraternização para homenagear o talento e a dedicação dos profissionais que cobrem o agronegócio brasileiro. Os 15 finalistas são convidados especiais do Prêmio e serão recepcionados em jantar para cerca de 150 pessoas, entre jornalistas, júri e diretoria da Massey Ferguson.

Confira novamente todos os finalistas clicando neste link e não deixe de conhecer todos os trabalhos concorrentes aqui mesmo no blog. Com a premiação, a Massey Ferguson destaca a qualidade do jornalismo no setor e distribui premiação total no valor de R$ 40 mil.

A festa acontece a partir das 20h30min. A Casa da Fazenda fica na Av. Morumbi, 5544 - São Paulo, capital.

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10 de junho de 2008
Frutas do Cerrado, o guaraná da Amazônia e a cana do sudeste brasileiro
O programa Globo Rural, da TV Globo, marca presença na final do Prêmio com dois trabalhos - "O Cerrado no picolé", de César Dassie e "Guaraná da Amazônia", de Priscila Brandão. O terceiro concorrente é o jornalista Dirceu Martins, da EPTV, de Ribeirão Preto/SP.

Bacupari, cagaita, gabiroba, mamacadela, mangaba, buriti. Para contar a história dessas frutas nativas do cerrado brasileiro, o repórter César Dassie pega uma carona com o mestre sorveteiro Clóvis José de Almeida pelo interior de Goiás. Ele é responsável por transformar os sabores do cerrado em picolé e ajudar na preservação das espécies, cada vez mais escassas por conta da destruição do cerrado. O trabalho "O Cerrado no Picolé" tem imagens de Jorge Santos.

Em "Guaraná da Amazônia", a repórter Priscila Brandão mostra o fruto que dá sabor a um dos refrigerantes mais populares do país. Ela vai até Maués, no Amazonas, a terra do guaraná, para mostrar o legado dos índios saterês-maués, que deu origem a forma atual de cultivar e consumir a planta. As etapas do beneficiamento do fruto, toda feita artesanalmente pelos pequenos produtores locais, e até o artesanato feito com o guaraná são apresentados na reportagem.

O repórter Dirceu Martins percorre os canaviais do sudeste brasileiro para investigar os caminhos do etanol. Na reportagem “Cana, combustível do Brasil”, ele apresenta o panorama das plantações e das novas tecnologias. Especialistas explicam as mudanças na geoeconomia mundial e a preocupação de preservar o meio ambiente em meio a evolução do cultivo da planta.

Assista a seguir as matérias na íntegra.

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"Guaraná da Amazônia"
Jornalista: Priscila Brandão
Veículo: Globo Rural – TV Globo - São Paulo/SP
Categoria: TV

A reportagem de Priscila Brandão e Sandro Queiroz mostra o fruto que dá sabor a um dos refrigerantes mais populares do país. Eles foram até Maués, no Amazonas, a terra do guaraná, para mostrar o legado dos índios saterês-maués, que deu origem a forma atual de cultivar e consumir a planta. As etapas do beneficiamento do fruto, toda feita artesanalmente pelos pequenos produtores locais, e até o artesanato produzido com o guaraná são apresentados na reportagem.





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"O Cerrado no picolé"
Jornalista: César Dassie
Veículo: Globo Rural – TV Globo - São Paulo/SP
Categoria: TV

Bacupari, cagaita, gabiroba, mamacadela, mangaba, buriti. Para contar a história dessas frutas nativas do cerrado brasileiro, o repórter César Dassie pega uma carona com o mestre sorveteiro Clóvis José de Almeida pelo interior de Goiás. Ele é responsável por transformar os sabores do cerrado em picolé e ajudar na preservação das espécies, cada vez mais escassas por conta da destruição do cerrado. Imagens de Jorge Santos.



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"Cana, combustível do Brasil"
Jornalista: Dirceu Martins
Veículo: EPTV- Ribeirão Preto/SP
Categoria: TV

O repórter Dirceu Martins percorre os canaviais do sudeste brasileiro para investigar os caminhos do etanol. Na reportagem que você vê a seguir ele apresenta o panorama das plantações e das novas tecnologias. Especialistas explicam as mudanças na geoeconomia mundial e a preocupação de preservar o meio ambiente em meio a evolução do cultivo da planta.

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30 de maio de 2008
Diferentes facetas do Brasil na categoria Revista
A revista Panorama Rural emplacou dois trabalhos na final desta edição do Prêmio. São eles: “O legado da Ciência”, de Antônio Carlos Moreira com colaboração de Julyana Troya e Marlene Simarelli, e a matéria “O fardo do passado”, de Bety Costa. A revista Produtor Rural completa o trio de finalistas com o trabalho “O Brasil que conta”, de Martha Baptista.

Em “O legado da Ciência”, Antônio Carlos Moreira mostra que graças às pesquisas os campos brasileiros se tornaram um “vigoroso celeiro de novas tecnologias”. O conhecimento agropecuário produzido por estudiosos e centros de pesquisas trouxeram, ao longo dos anos, não só avan¬ços tecnológicos que transformaram o país em líder mundial em agri¬cultura, mas ganho de produtividade e aumento de consumo que se refletem na mesa do brasileiro. A reportagem mostra, especialmente, o trabalho pioneiro e decisivo do centenário Ins¬tituto Agronômico, IAC, que vem ajudando a impulsionar a atividade rural.

“De Getúlio ao primeiro governo Lula, um acumulado histórico de dívidas jamais pagas”. Esse é o subtítulo da segunda matéria concorrente da Panorama Rural. Em “O fardo do passado”, Bety Costa traça um panorama histórico sobre a crise na agricultura brasileira que, carente de políticas econômicas, viveu seu maior impasse em 2006, com dívidas financeira e social impagáveis. Consultando diversas fontes, Bety analisa os precedentes históricos dessa crise no campo em um país que há muito, segundo sua pesquisa, vem investindo na indústria em detrimento à agricultura.

A professora de matemática Vânia Horner é a personagem da matéria “O Brasil que conta”, escrita pela repórter Martha Baptista para a revista Produtor Rural. Estimulada a mudar sua prática pedagógica, ela conseguiu o mérito de ensinar matemática a alunos da 5ª à 8ª series do Ensino Fundamental de uma pequena comunidade do nordeste do Mato Grosso, que tem sua principal fonte de renda na pecuária leiteira. A técnica criada e adotada por ela relaciona o conteúdo à realidade dos alunos. Quantidade de litros coletados por dia, receita e despesas das propriedades, além de temas relativos ao mercado de leite foram levados à sala de aula – sempre com muitos números e ótimos resultados. Os alunos ainda acompanharam a fabricação de derivados e experimentaram o feitio do doce de queijo nas próprias instalações da escola.

Confira a seguir as matérias na íntegra.

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“O Brasil que conta”
Jornalista: Martha Baptista
Veículo: Produtor Rural – Cuiabá/MT
Categoria: Revista



A professora Vânia prova por A+B que matemática não é um bicho-de-sete-cabeças. Basta relacionar os conteúdos à realidade socioeconômica e cultural dos alunos

A pecuária de leite de Vila Rica, município situado no nordeste de Mato Grosso, a 1.276 km da capital, ajudou o Estado a conquistar uma rara honraria: ter uma professora incluída entre as 10 educadoras nota dez do Brasil em 2007, premiação concedida pela Revista Nova Escola (Editora Abril), uma referência no campo educacional. A professora Vânia Horner de Almeida, 32 anos, natural de Palmeirópolis (TO), começou o segundo semestre com pé direito: em 4 de agosto colou grau em Matemática numa turma de Licenciatura Plena Parcelada da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e, dois dias depois, recebeu a notícia de que seu projeto “A produção de leite e seus derivados, uma fonte de renda familiar” era finalista entre 3.306 inscritos em todo País. Isso lhe garantiu um prêmio de R$ 10 mil, que pretende investir na casa, um troféu e uma ida a São Paulo para apresentação final do projeto.

Mesmo que não seja escolhida a Educadora do Ano (o anúncio acontece no Dia do Professor, 15 de outubro), a maior vitória, garante Vânia, foi o reconhecimento público e nacional de que encontrou uma forma original de ensinar matemática a 54 alunos da 5ª à 8ª series do Ensino Fundamental da Escola Municipal Procópio Faria, localizada a 25km da sede de Vila Rica, na comunidade Itaporã do Norte, que tem sua principal fonte de renda na pecuária, principalmente a de leite. “O aluno só tem motivação para aprender o que tem significado para ele. Eu ficava frustrada porque percebia que os alunos sentiam-se desmotivados para aprender matemática. Eles não sabiam porquê e para que estudavam porcentagem, razão, proporção, gráficos e outros conteúdos curriculares”, conta a professora.

Instigada a mudar sua prática pedagógica durante o curso superior, Vânia encontrou inspiração na pecuária leiteira, atividade econômica que utiliza a mão-de-obra familiar. “Quase todos os meninos se levantam de madrugada para ajudar na ordenha, tanto é que o horário das aulas é adaptado à realidade local. As meninas ajudam as mães a fazer queijo, doce. Quem não é filho de produtor tem pelo menos um parente que produz leite”, conta Vânia, acrescentando que a venda do leite e seus derivados ajuda os produtores rurais a pagarem suas contas mensais. As outras atividades servem somente para a subsistência, como as criações de animais como galinha e porcos. Apenas uma minoria dos moradores de Itaporã do Norte faz algum tipo de agricultura e assim mesmo só para o sustento. Até a professora, que é casada e mãe de duas meninas, tem gado de leite e fabrica queijo mussarela.

Pesquisa de campo - O projeto foi apresentado no final de março de 2006 aos alunos, que durante o mês de abril reuniram dados sobre a quantidade de litros coletada por dia em cada propriedade, elaboraram um dossiê sobre as vacas ordenhadas com dados sobre idade, raça, vacinação, produção diária de leite, período entre a desmama e a lactação da cada animal; e ainda preencheram uma terceira ficha com informações sobre gastos (incluindo itens como pasto, ração, sal branco, sal mineral, vacinas, remédios) e receitas anuais (advindas da venda de leite e derivados, da venda de bezerros e recria das bezerras).

As dúvidas eram discutidas em sala de aula, onde os alunos trabalhavam com a professora textos de revistas e sites – sempre com muitos números - sobre temas como mercado de leite, manejo de pastagem, degradação dos solos e alimentação do rebanho. Em maio, já com os dados coletados em campo, Vânia iniciou o trabalho de elaboração de estatísticas e construção de gráficos, utilizando os dados sobre a produção média de leite em cada propriedade de todas as turmas envolvidas no projeto. Paralelamente os alunos receberam atividades tais como: “façam os cálculos para saber qual é o gasto (despesa) e a renda (receita) que tem com gado leiteiro”, “qual é o lucro bruto?”, “qual é o lucro líquido?”, “qual a porcentagem de vacas vacinadas contra brucelose na sua propriedade? Na sua turma? Nas turmas de 5ª à 8ª séries?”.

Nessa fase os estudantes começaram a trabalhar com outro questionário focado nas formas de comercialização do leite, com o objetivo de definir a mais lucrativa. Depois de visitarem três propriedades, onde acompanharam a fabricação de requeijão, doce de leite e manteiga, e de fazerem doce de queijo nas próprias instalações da escola, as turmas fizeram os cálculos e concluíram que a forma mais rentável da comercialização do leite é o doce de leite (rapadurinha), seguida do doce de queijo, que, na avaliação deles, é a forma de fabricação de derivados que dá mais trabalho (ver tabela). Para se chegar a essa conclusão foram contabilizados gastos com sal, coalho, açúcar e ovos, entre outros ingredientes, e embalagens.

Consumo de leite - Outra vertente do projeto foi a importância do leite na alimentação. Após a leitura de vários textos sobre aspectos como o consumo diário recomendado pelo Ministério da Saúde - para jovens de 11 a 19 anos, ele é de 700 ml/dia ou 256 litros/ano, maior que o aconselhado a outras faixas etárias -, os alunos pesquisaram a quantidade diária de leite consumida na comunidade. A conclusão foi reveladora: “A faixa etária que apresentou menor consumo foi justamente entre 12 e 18 anos, já que os adolescentes acabam substituindo o leite, farto na região, por refrigerantes e outras bebidas. As meninas, principalmente, ficaram muito assustadas, porque perceberam a importância do leite para prevenção de doenças como a oesteoporose”, afirma Vânia.

O projeto foi concluído em agosto de 2006 e, segundo a professora, ficou evidente nas avaliações, realizadas por meio de conversas e por escrito, que a maioria dos alunos aprovou a metodologia. “Percebi que eles aprenderam matemática e conseguiram relacionar os conteúdos apreendidos à vida diária”, comenta. No projeto apresentado à Comissão Julgadora da revista “Nova Escola” e que também serviu de base para a monografia final do curso de graduação, Vânia lembra que a matemática surgiu de necessidades concretas dos povos antigos, como para medir terras (entre os egípcios) e controlar os estoques no comércio (entre os árabes).

- Hoje ensina-se matemática sem o cotidiano e por isso as pessoas não aprendem. Temos que voltar a buscar a matemática no dia-a-dia, nos problemas sociais e econômicos. As escolas do meio rural devem contribuir para que os filhos dos produtores possam utilizar os conhecimentos matemáticos aprendidos para melhorar a sua vida, desenvolvendo neles a capacidade de relacionar esses conteúdos às suas necessidades - argumenta Vânia. Foi essa percepção da educadora e a capacidade de trabalhar a tão decantada interdisciplinaridade que chamaram atenção dos responsáveis pela seleção dos educadores nota 10. “Hoje sei que qualquer tema serve para se trabalhar a matemática”, constata Vânia, que desde agosto trabalha com Educação de Jovens e Adultos (EJA) na Escola Estadual Vila Rica, no período noturno. Pela manhã, ela continua se descolando até a zona rural para lecionar na Escola Municipal Procópio Faria, trabalho que lhe rende R$ 790 líquidos por mês.

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“O fardo do passado”
Jornalista: Bety Costa
Veículo: Panorama Rural – São Paulo/SP
Categoria: Revista


De Getúlio ao primeiro governo Lula, um acumulado histórico de dívidas jamais pagas.

A crise crônica é o traço distintivo fundamental da agropecuária brasileira. Que prosperou sem justiça social, sem seguro de renda, políticas de longo prazo e medidas de controle de preços e mercados. Equívocos de tal calibre conduziram o campo, no segundo semestre de 2006, ao maior impasse de sua história, com dívidas financeira e social impagáveis.

A dívida rural de R$ 85 bilhões representa 58% do PIB do setor. Desse montante, R$ 37 bilhões foram custeados pelo Tesouro Nacional nos anos 70. Integram o estoque da dívida pública de R$ 1 trilhão. Com dinheiro público ou privado, ou ambos, quase hum milhão de fazendeiros modernizou-se e multiplicou por dez a renda bruta nos últimos 30 anos. Neste período, quatro milhões deles, pelos cálculos de Francisco Graziano e José Eli da Veiga, da Universidade de São Paulo, foram deixados para trás. São os pobres com terra no campo. Vivem na área rural, mas nem de longe participam da riqueza do agronegócio.

É preciso olhar com honestidade para os precedentes históricos desta crise crônica no atacado e aguda no varejo.“O governo tem de mudar a maneira de encarar a agricultura”, escreve Evaristo Machado Netto, diretor da Carol, maior cooperativa de grãos do Estado de São Paulo. Conquanto a História não se repita, a ideologia dos planejamentos econômicos sempre designou à produção rural um lugar secundário. Mudam os tempos, não os discursos.“A agricultura não pode ser relegada à condição de vaca leiteira para financiar a industrialização”, defendia o economista Eugênio Gudin, em 1944, em célebre polêmica com Roberto Simonsen relatada por Roberto Campos em “A Lanterna na Popa”.

Sessenta anos depois, em 2004, num evento da BM &F, em Campos de Jordão, SP, Fernando Henrique Cardoso parecia fazer eco à polêmica dos economistas Gudin e Simonsen. Afirmara o ex-presidente que a supervalorização do Real– de 1994 a 98 - possibilitara a atualização tecnológica da indústria nacional. Não obstante a perda de renda do agronegócio, com a invasão de importados favorecida pela abertura de mercado e o dólar barato.

Entre a famosa frase de Gudin e a de Evaristo Machado Netto, separadas por mais de seis décadas de história, a diversidade do campo jamais esteve no cerne das políticas econômicas. Há quem entenda que o setor sofre até hoje o mesmo modelo Vargas: esvaziar a agricultura e investir na indústria. “Fernando Henrique Cardoso disse que a era getulista estava terminando; Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES, e Yoshiaki Nakano, da Fundação Getúlio Vargas, insistiram em dizer que continua viva”, diz Fernando Curi Peres, professor titular de Economia, aposentado pela Esalq/USP, estudioso dos anos 30 e transferência de renda. “A massa de excluídos foi o que restou de décadas de extração violenta de capitais da agricultura”.

Com moeda estrangeira barata, Getúlio estimulou a importação de máquinas e reduziu a receita das exportações.“Esta tem sido a forma mais eficiente de arrancar dinheiro da agropecuária e financiar a indústria”, diz Fernando Peres. Para José Sidney Gonçalves, do Instituto de Economia Agrícola (IEA) de São Paulo, entretanto, a questão é outra. “Hoje a transferência de renda é do campo para o sistema financeiro”.

Como em todo o mundo capitalista, a agropecuária cresceu de maneira exorbitante, concentrou terras e renda, e expulsou muita gente para as cidades. Porém, o que a diferencia de outros países capitalistas, onde a agricultura também financiou o desenvolvimento, é que em nenhum deles o meio rural evoluiu tão desigualmente como no Brasil. “Ilhas de excelência em mar de atraso e miséria”, a terceira maior potência agrícola do mundo sequer formou uma vasta e próspera classe média rural, como na invejável Argentina. Também não resolveu problemas seculares, de doenças, por exemplo, e agregação de valor, entre outros. Mais grave ainda: em seu conjunto de unidades produtivas, de diversos portes e tamanhos, o campo jamais foi prioridade nas políticas econômicas dos últimos 70 anos. Não bastasse, persiste até os dias atuais o mesmo velho preconceito contra o meio rural, ainda visto como atrasado.

Políticas discriminatórias
Como se penaliza um setor por tanto tempo, tão pesadamente e sem reação? Através principalmente da cristalização da cultura do privilégio. Enquanto os mais pobres passaram a considerar legitimo não ter nenhum direito, em contrapartida, subsídios e serviços do Estado beneficiaram crescentemente os grupos de sustentação dos governos. As oligarquias no sentido clássico. Esse atraso político só será ameaçado de extinção em meados da década de 80, quando o país se tornar uma democracia de massa.

Políticas discriminatórias permearam durante décadas a cena brasileira. Juscelino Kubitschek elegeu-se, em 1956, pela coalisão PSD e o PTB de Vargas. A agricultura continuou relegada; daquela vez, pelo Plano de Metas de JK. Apoiado pelo PSD, que representava os interesses dos grandes proprietários de terra, Juscelino soube compensar os latifundiários. Comprometeu-se em não tocar nas relações de produção no campo. Ou seja, não fez a reforma agrária. Duplicou a distribuição de subsídios para insumos agrícolas, que chegou a 10% em 1960. Ainda assim insignificantes diante dos aportes financeiros às demais atividades econômicas.

O presidente bossa-nova do Brasil que Jean Paul Sartre então visitara diria que o país “não era um produtor de bens primários por vocação hereditária”. Nosso mandante pé-de-valsa tinha intenção explícita de consolidar a industrialização do país. Realizou um ambicioso projeto de desenvolvimento com capital inflacionário.

O Plano de Metas destinou ao setor rural apenas 3,2% dos recursos. Deu prioridade aos investimentos indiretos em infra-estrutura (estradas, armazéns e silos) e aquisição de máquinas agrícolas e fertilizantes. Assim, incorporaram-se novas áreas agricultáveis do Mato Grosso, Goiás e Paraná. Entre 1957 e 1960, foram gastos quase 100 milhões de dólares na importação de tratores. Uma gota no oceano: em 1960 ainda havia apenas um trator para cada 261 hectares cultivados, ou 1 para cada 22 propriedades rurais da região Sul, onde se concentrava o grosso da maquinaria. Em contraste com a rápida expansão da indústria automobilística nacional e a de máquinas de costura e de lavar, demorou muito a arrancada da fabricação de maquinário agrícola, segundo Celso Lafer.

A partir de 1956 entraram 248 milhões de dólares em investimentos nos mais diversos setores, de máquinas e automóveis a farmacêutico, siderúrgico, metalúrgico, químico. Uma política para a agricultura só surgiria na segunda metade dos anos 60, durante o governo militar. Em 1965 foi criado o Sistema Nacional de Crédito Rural. Mas não seria fácil decolar a agricultura comercial sem poupança interna. Era necessário muito dinheiro, que os bancos não queriam plantar na lavoura. Exigiam garantias e um fiador à altura (o governo). Até hoje, um ex-ministro daqueles anos de chumbo comenta que foi deixado na mão pelos banqueiros, príncipes da economia nacional.

Chapéu em Delfim
Em 1970, um brilhante ex-professor de Economia da USP – ex-office boy de trajetória estonteante: conseguira no meio acadêmico formar uma escola em torno de suas idéias - , Delfim Netto, era o ministro da Fazenda do governo autoritário de Médici. As políticas de crédito rural subsidiado e preço mínimo não deslanchavam. O sistema bancário não atendia aos pedidos de empréstimo dos produtores para financiamento da lavoura, compra de tratores, implementos e fertilizantes.

Os bancos privados haviam suspendido as operações de desconto, preferindo encaminhar os produtores para as agências de investimentos ou financeiras, que cobravam juros exorbitantes, à época, de 3% a 4% ao mês. Agricultores estavam sendo obrigados a pagar uma taxa de juros aplicada a financiamento de automóveis para aquisição de tratores, já que tinham de recorrer às financeiras. O Banco do Brasil então aumentou o limite operacional do desconto de duplicatas, como única condição para superar a crise do setor.

Depois de muita negociação com os bancos e viagens às regiões agrícolas, ao lado de Cirne Lima, da Agricultura, para ouvir os agricultores, o ministro deixa escapar: “Os banqueiros preferem fechar agências no interior e abrir palácios de cristal na Avenida Paulista para a construção de uma Wall Street subdesenvolvida”.

“A longo prazo os banqueiros estão perdidos, pois querem a privatização, mas fazem a sociedade exigir a estatização. Ao se negarem a abrir novas agências no interior, estão na realidade se lançando contra a sociedade”. Delfim acertou no longo prazo. Os bancos exigiram a socialização do prejuízo: 18% do crédito para a agricultura, nos anos 70, foram financiados pelo Tesouro Nacional através do Banco do Brasil. Em valores atuais, R$ 37 bilhões jamais pagos. Delfim tinha razão: os bancos privados lançaram-se contra a sociedade. E deixaram o ministro de chapéu na mão.

O universo rural, entre 1965/70, constituía-se de 6 milhões, aproximadamente, de agropecuaristas. Apenas 350 mil a 400 mil produtores tiveram seus cadastros aprovados pelos bancos. A imensa maioria, portanto, ficou de fora do crédito subsidiado e também da política de preços mínimos. Os selecionados pelo sistema bancário tiveram cacife para prosperar, ainda mais com a tecnologia que viria a ser gerada pela Embrapa, a partir de 1973.

Não por acaso os centros de pesquisa da Embrapa foram concebidos em unidades de produto: com vistas aos grandes portes de produção da monocultura, que já se impunha consoante o novo e devastador pacote tecnológico. Um modelo que hoje se esgota diante da crise fiscal, que eliminou polpudos subsídios.

A moderna agricultura brasileira consolida-se nos anos 70. Quando também teria início a escalada crescente de endividamento do setor. Muitos perderiam todo o patrimônio. Algumas famílias outrora abastadas tiveram a sorte de reconduzir confortavelmente suas vidas no meio urbano, como os Figueiredo Pupo, de Botucatu, SP, cuja história privada é quase o resumo de um século da agricultura brasileira. (ler boxe Trabalho, honra e perdas)

São processos invisíveis a opinião pública, que geralmente só toma conhecimento dos ricos do campo e os sem-terra. Estes últimos são quase sempre confundidos com aqueles produtores rurais sobreviventes. Os quatro milhões deixados para trás. Tampouco se fala que muitos antigos agricultores produtivos, endividados, juntaram-se aos que nunca tiveram acesso aos subsídios. Integram hoje a maioria absoluta dos produtores rurais, que patinam há três décadas na sobrevivência.

Homens por máquinas
Delfim abriu dois grandes créditos. Um deles, para a aquisição de moradias pelo sistema BNH, alavancou a construção civil. Assim, uma vasta camada de classe C, sem casa-carro-telefone, passou a integrar o grupo social emergente, na época, de pequenos proprietários.“Na verdade, foi o Delfim quem criou a nova classe média brasileira”, observa bem José Sidnei Gonçalves. Outro crédito foi para a construção da agroindústria de processamento, bens de capital, fertilizantes e máquinas agrícolas. “O crédito rural subsidiado foi, na verdade, crédito ao consumidor do pacote tecnológico de insumos agrícolas”.

Na mesma década aprofunda-se a transferência de renda através de mecanismos financeiros, que tiram indiretamente dos trabalhadores (através de FGTS, PIS/PASEP, Cadernetas de Poupança, Fundo 157, Loteria Esportiva, etc) para financiar o magro capital nacional. Cerca de 80% dos recursos do PIS/PASEP foram transferidos para o BNDE utilizar no capital de giro das indústrias de base. Em 1978, o patrimônio do PIS/PASEP ultrapassava a 110 bilhões de cruzeiros – dinheiro que pertencia a 30 milhões de trabalhadores brasileiros.

Enquanto isso, a agricultura de escala foi ganhando espaço nas políticas econômicas. Em foco, a produção de grande porte (volumes elevados) e tamanho (extensas áreas). A burrice do demônio, no caso, tem sido desconsiderar que a agricultura de grande porte também pode ser obtida em pequenas áreas. Como provam os novos cafezais adensados, estufas de hortaliças, fruticultura, e outras espécies. Contudo, privilegiou-se tão somente a agricultura extensiva. Confira-se a opinião de Sidnei Gonçalves, do IEA:

“Esse modelo de produzir muito a preços cadentes para manter baixo o custo de vida urbano, que se tornou realidade nos anos 70 e mantém o atual controle da inflação, tem um preço: a exclusão social no campo e a urbanização da miséria. E miséria urbanizada sem oportunidades produz violência desenfreada.
Esse modelo de megalavouras criou o PCC e o MST”.

Peres cita uma reportagem do jornal O Estado de São Paulo, que em 1998 comparava o mapa da cotonicultura paranaense em 1992 (ano da abertura de mercado do governo Collor), com o de luta pela posse de terras em 1998. Os dois mapas se sobrepuseram: as glebas cultivadas com algodão (assinaladas por pontos coloridos, de acordo com o volume), já não existiam mais em 1998. Tinham sido ocupadas por zonas de conflito. Estimativa: aproximadamente 600 mil pequenos cotonicultores foram alijados da produção entre 1992 e 98, no Paraná. Vítimas que foram das políticas econômicas. Na mesma época, acrescenta o pesquisador do IEA, 65 mil paulistas e paranaenses mais 250 mil trabalhadores nordestinos também perderam seus empregos nas lavouras de algodão Mocó, devastadas pela praga do bicudo.

Facismo à brasileira
O caso do algodão é apenas um exemplo entre tantos ocorridos no campo, porém, os danos de algumas medidas econômicas foram mais escancarados na cotonicultura que em outras lavouras. Para alguns, como Peres, da Esalq, esse modelo “reflete a visão anti-rural de proteger a indústria a qualquer custo”.

A abertura indiscriminada do Plano Collor I internalizou os baixos preços internacionais subsidiados. A partir de 1992, os europeus passam a comprar tecidos brasileiros de baixíssimo valor comercial. Vem a quebradeira de fábricas em Americana, SP, e no Rio Grande do Sul. Criam-se barreiras à importação de tecidos. Em outubro de 1995 (alta nos custos de produção e taxas de juros e de custeio desde o governo Itamar), o Ministério da Fazenda publica uma lista com mais de três mil produtos com alíquota de importação em 10%. O algodão, excepcionalmente, podia entrar no país com alíquota zero, assim a indústria fabricaria tecidos a custos competitivos.

Pior: o algodão podia ser importado com financiamento externo a juros de 4 a 6% ao ano e 420 dias para pagar. O empresário ganhava duas vezes – pelos juros baixos do capital de giro e os ganhos financeiros durante mais de 300 dias de aplicação do dinheiro das vendas. Com o algodão nacional vendido à vista, a juros reais de 35 a 40% ao ano, o país transformou-se de auto-suficiente em grande importador do produto. Uma cultura até então de pequenos agricultores do Paraná, São Paulo, e algumas regiões do Nordeste. Esse povo foi todo para a rua. Virou sem-terra ou sobrevive na miséria sem opção no agreste.

Argumenta-se que hoje o País é muito mais eficiente em algodão, grãos, carne e outros alimentos obtidos em grandes áreas rurais. Porém, a paz no campo teria sido assegurada, e o setor não seria tão desigual, se políticas públicas tivessem recuperado a ocupação de milhares de lavradores excluídos. Subtrairam-lhes a terra, mas não o direito ao trabalho. Lógica tão límpida quanto a que afirma ser o trator uma arma usada em tempos de paz.

A massa de excluídos sem-terra – ainda que, sabidamente, muitos deles não tenham nada a ver com produção rural, uma atividade que exige, no mínimo, aptidão - contudo, também carece de políticas públicas, tanto quanto os desvalidos urbanos, os sem-teto, os do Bolsa Família. São brasileiros como quaisquer outros cidadãos.

A solução da crise no campo passa pela quitação dessas dívidas sociais. Sobretudo com aqueles quatro milhões de pequenos proprietários rurais necessitados de políticas públicas e capacitação técnica. Desafortunadamente, a formação de capital humano jamais foi prioridade dos governos. Um sinal óbvio de descaso: no início dos anos 90, desativou-se a Embrater, estatal que articulava o sistema Emater – Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural –, de transferência de tecnologia adaptada à pequena produção.

Essa indiferença paga um preço: a eclosão de grupos políticos organizados, e com discurso antagônico à economia de mercado e geração de empregos. Apossam-se da miséria alheia, de instituições e propriedade privada, numa espécie de fascismo à brasileira.

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Trabalho, honra e perdas
Quando o MST invadiu a histórica Val de Palmas, a 10 quilômetros de Bauru, SP, sem saber introduziam a última peça no xadrez histórico iniciado ainda na Primeira República, quando um garbo coronel da Guarda Nacional, José Ferreira Figueiredo, vindo não se sabe bem de que lugar de Minas, pisou pela primeira vez aquelas terras brancas do oeste paulista.

“Imagine a dificuldade de cultivar 500 mil pés de café, em 1895, naquele sertão bravio de arenito Bauru e habitado por bravos índios caigangues”, comenta o historiador Trajano de Figueiredo Pupo, de Botucatu, SP, um dos bisnetos do coronel Figueiredo. Na virada do século, o intrépido varão chega a 2,3 milhões de pés de café em 12 mil alqueires de terras contínuas, entre Bauru e Duartina. Edições arquivadas do jornal “A Cidade de Bauru” referem-se ao coronel Figueiredo como “o maior cafeicultor do mundo”, naquele início do século XX.

A sede da fazenda, um casarão com 17 cômodos, foi mais importante que o município de Bauru, econômica e politicamente. Recebia empresários influentes e políticos. O próprio Getulio Vargas hospedou-se na Val de Palmas, que chegou a ter 307 famílias de imigrantes. Um dos colonos da fazenda, Geremia Lunardelli, passaria um tempo por lá, antes de tentar a sorte em Jundiaí, onde foi bem-sucedido com a compra e venda de animais, um pequeno empreendimento que lhe deu fôlego para investir no café, na região de Ribeirão Preto e Olímpia, e construir um império rural sob o lema “Trabalho e Honra”.

Figueiredo e Lunardelli, dois “reis do café” paulista no século passado. Há registros de que quando os Figueiredo iam a São Paulo, a ferrovia Noroeste acoplava um vagão reservado com garçons, baixelas e louças finas, especialmente para servir ao aristocrata e à sua família durante o trajeto.

Figueiredo manteve a Val de Palmas até 1923. Devendo a uma das Casas Comissárias, que financiaram a cafeicultura até 1929, o coronel transferiu a propriedade para o grupo Zerrenner Bullow & Cia., dono da Companhia Cafeeira de São Paulo e da Cervejaria Antarctica. “Ele enfrentou muitas crises, até o momento em que o produto já não pagava mais a sacaria”, diz Trajano. Mesmo entregando o latifúndio para honrar o débito, ainda assim continuou rico. Deixou a seus herdeiros mais sete fazendas produtivas no Estado de São Paulo. Nenhuma delas resistiu à modernização da agricultura, com a alta violenta nos custos de produção, dependência crescente de capital financeiro e inflação que chegaria a galope.

“Acompanhei de perto o desfecho da Santa Rosa, 360 alqueires com arroz, feijão, milho e algodão. Foi a última que perdemos para pagar dívidas bancárias no final dos anos 70”, conta o outro bisneto, Olavo de Figueiredo Pupo, professor de artes plásticas, em Botucatu.

Dos descendentes do coronel Figueiredo, ninguém permaneceu na agricultura. O que restou da herança foi o amor atávico à vida no campo. Fizeram suas vidas como profissionais liberais, funcionários públicos, professores e artistas. Depois que passou para o controle dos credores, a Val de Palmas manteve-se em atividade por mais três décadas. Tempos depois, foi novamente vendida e loteada. Uma parte foi doada para o Estado, que ali instalou o Instituto Penal Agrícola e duas penitenciárias. Restaram apenas 400 alqueires de propriedade particular. Quando os sem-terra a invadiram, foi como se os peões dessem o xeque-mate sobre o tabuleiro da impermanência, este traço marcante da história humana, em que tudo sempre desmorona. Nem rei nem rainha, nem o bispo nem a torre existiam mais.

Box 2
Entenda a dívida rural

Anos 70:
- Recursos obrigatórios (depósitos à vista): 72%
- Dívida pública (Tesouro): 18%
- Base monetária (Banco Central): 10%

Meados dos anos 90:
- Recursos obrigatórios : 18,5%
- Poupança: 43%
- Outras fontes: 38,5%

Em 2000:
- Recursos obrigatórios: 52%
- Poupança: 14,5%
- FAT/BNDES: 13%
- Outras: 20,5%

2005/2006:

Agricultores comerciais (83% do total):
- Recursos obrigatórios: 29%
- Poupança: 17%
- BNDES: 16%
- Outras: 38%

Pronaf (17% do total):

- Tesouro: 30% (inclusive Fundos Constitucionais)
- FAT: 43%
- Recursos obrigatórios: 21%
- Outras: 6%

Estimativas da dívida agrícola: R$ 85 bilhões, ou cerca de 55% do PIB do setor.

(Fonte: CEPEA/Esalq/USP)
Quem paga a conta

“Todos os recursos das fontes oficiais implicam em equalização, portanto, em colocação de mais dinheiro público, o que não acontece com o crédito de fontes privadas. Esta é a diferença entre a crise atual e as anteriores. No passado, os agropecuaristas deviam mais para o Tesouro do Estado (Banco do Brasil). O governo então renegociava e distribuía benefícios (subsídios). Atualmente, dos R$ 85 bilhões da dívida agrícola, apenas R$ 37 bilhões podem sofrer interferência. O restante, R$ 48 bilhões, são dívidas de contratos privados. O governo não pode interferir, a não ser que “estatize a dívida", como fez no ano passado. Um absurdo sem tamanho, porque seremos nós a pagar essa conta”. (José Sidnei Gonçalves, do IEA)

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“O Fardo do Passado” foi escrita em dezembro de 2006 e publicada em março de 2007

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29 de maio de 2008
“O legado da ciência”
Jornalista: Antonio Carlos Moreira
Veículo: Panorama Rural – São Paulo/SP
Categoria: Revista





O papel decisivo do conhecimento agropecuário produzido por centros de pesquisas do país – como o Instituto Agronômico, IAC, que completa 120 anos: o saber gerado impulsiona a produtividade, gera empregos e leva às mesas dos brasileiros alimentos em maior quantidade, saudáveis e mais baratos

Conhecimento estratégico

A competitividade se deve à transferência do precioso saber de cientistas, quase todos ignorados pela sociedade brasileira, aos sistemas produtivos

Não faltam indicadores reluzentes a ilustrarem a compe­titividade do agronegócio brasileiro. Inúmeros exemplos podem ser relacionados para justificar as razões da importância estratégica da atividade rural como geradora de de­senvolvimento econômico e social. A mais conhecida pe­lo grande público, a contribuição ao PIB brasileiro - em 2006, da ordem de 28,6%, cerca de 580 bilhões de reais -, é apenas uma delas. Na verdade, tal pujança resulta de outro valor fundamental, porém muito pouco presente na impren­sa nacional: o grau de excelência alcan­çado pelas ciências agrárias no Brasil. A ausência da pesquisa - aliás, de todas as demais áreas da ciência - dos meios de comunicação e, portanto, do cotidiano da sociedade, acaba de ser confirmada por um contundente trabalho.

Trata-se do estudo "Percepção Pú­blica da Ciência e da Tecnologia", reali­zada pela Academia Brasileira de Ciên­cias, em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia. O levantamento revela que 84% dos brasileiros desco­nhecem qualquer instituição dedicada à pesquisa científica no país. Também 86% dos entrevistados não consegui­ram apontar um nome sequer de cien­tista brasileiro.

Cientistas anônimos
"O resultado denuncia o estado calamitoso do ensino nos cursos de primeiro grau, nível médio e até univer­sitário no país", lamenta Jaime Benchimol, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz. A Fiocruz, criada no ano de 1.900, no Rio de Janeiro, se constitui uma das mais importantes instituições de pesquisa em saúde, com vasta contribuição ao combate de epidemias no país. A Fundação leva o nome de seu segundo diretor, médico sanitarista responsável por diversos programas de sanea­mento público.

Na pesquisa recente, Oswaldo Cruz foi citado por 36% dos entrevistados que afirmaram conhecer algum pesqui­sador importante. São menos conhecidos pelos entrevis­tados os mundialmente renomados cientistas brasileiros Carlos Chagas, apontado por 8% das pessoas, e César La­tes, com apenas 4% das indicações.

Na agropecuária, sua admirável competitividade se deve menos à decantada bondade da natureza para com o país. Deve-se, sim, muito mais à transferência do pre­cioso saber de ilustres e desconhecidos cientistas aos sis­temas produtivos nas lavouras. "Ainda se credita o futuro da agropecuária brasileira à sua enorme disponibilida­de de território. É um erro", afirma Luiz Marcos Suplicy Hafers, liderança rural e produtor de café no Paraná e na Bahia.

"O grande ativo do Brasil é sua pesquisa e sua competência em administrar uma agricultura nos trópi­cos. O ativo do saber é incomensuravelmente maior do que possuir terras."

Crescimento sustentável
Nas lavouras Brasil afora, de fato, vão se encontrar avan­ços tecnológicos que conquistam admiração mundial. Tra­tam-se das muitas centenas de sementes melhoradas para diversas culturas. Geram plantas mais produtivas; adapta­das às condições de solo e clima das diferentes regiões e incorporando, até mesmo, novas características genéticas, como resistência à seca. Criam-se técnicas sustentáveis e manejos que auxiliam no controle de pragas e doenças; por fim, mais recentemente, atingem marcos históricos da ciência, casos da biotecnologia e do seqüenciamento dos genomas de citros e de café. Cite-se, ainda, o rebanho pe­cuário - não apenas o maior plantei comercial do mundo mas, principalmente, o mais saudável.

Foi graças às pesquisas que o campo se tornou um vigoroso celeiro de novas tecnologias. Isso explica, por exemplo, a capacidade do país para produzir combustí­vel limpo a partir de vegetais, o que desperta o interesse mundial, em especial dos norte-americanos. Foi esta a única razão que motivou, recentemente, a primeira via­gem, após sete anos de governo, do presidente George Bush ao Brasil, país até então irrelevante na política ex­terna daquele governo.

A contribuição da ciência agropecuária ao crescimento sustentável pode ser constatada sob outro prisma, o ín­dice de Desenvolvimento Humano, IDH. O economista Regis Bonelli, do Instituto de Pesquisa Económica Apli­cada, Ipea, analisou a evolução do IDH entre as décadas de 1970 e 1990, em 23 municípios ou regiões brasileiras com agricultura tecnificada. Os números mostram que o desenvolvimento médio anual nesses municípios esteve bem acima da média brasileira, de 3,2% no período. As­sim, por exemplo, o IDH em Barreiras, BA, foi de 12,3%; em Rondonópolis, MT; 6,5%; em Balsas, MA, 6,4%; em Petrolina, PE, 5,6%; em Paracatu, MG, 4,7%; e em Chapecó, SC, 4,5.%.

Dieta enriquecida
Outro relatório, assinado pelo IBGE, aponta um ex­traordinário ganho de produtividade: na última década, a área plantada cresceu 12%, enquanto a produção sal­tou 93%. Na produção de carnes, os dados positivos tam­bém impressionam. Até alguns anos atrás, o tempo para preparar um bife ou a picanha do churrasco demorava - entre a cria, a engorda e o abate - em média três anos; hoje, se tornou comum entre os pecuaristas manejos que permitem entregar ao frigorífico o boi de um ano. Tam­bém se refletem nas metrópoles urbanas os benefícios da competitividade que envolve a cadeia agrícola milho-ração-frango.

Como rege a clássica lei da oferta e da demanda, o aumento da produção de frango fritou os preços desem­bolsados pela população nos supermercados. A dona-de-casa constatou, na boca do caixa, a redução do preço dessa carne: o quilo se retraiu de US$ 1,5, em 1990, para US$ 0,50, em 2002, segundo levantamento da indústria Perdigão. O resultado se viu no consumo de frango entre os brasileiros. Mais que dobrou: de 13,4 kg per capita, no início dos anos 1990, em 2000 chegou a 30 kg. "O preço atraente para as classes de renda mais baixa adiciona uma importância política estratégica à cadeia do milho-ração-frango", sustenta Irene Trocoli, pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas, FGV-RJ. "A cadeia da avicultura se tornou a grande responsável pelas estatísticas de aumento no consumo de proteínas animais por parte da população - indicador clássico de avanço econômico."

Marco histórico
Se a propulsora deste salto tecnológico foi a pesquisa agro­pecuária, desenvolvida por institutos que se tornaram re­ferências mundiais, um desses centros de excelência deve ser mencionado, neste ano, de forma especial: o Instituto Agronômico, IAC. Em 2007, seu pioneirismo comemora um marco histórico. O Instituto, atualmente vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, Apta, da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, está completando 120 anos.

"Criado em 1887, o IAC é a única instituição de pes­quisa agronômica que percorreu três séculos: desde o final dos novecentos, durante todo o século 20, e alcança este século 21", destaca Antonio Roque Dechen, diretor da Es­cola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz, Esalq/USP. Sem dúvida, os resultados impressionantes da agropecu­ária brasileira contaram com a contribuição expressiva dos pesquisadores que escreveram boa parte da história da agricultura no país. "A pesquisa, o desenvolvimento e a inovação que tornaram o Brasil líder mundial em agri­cultura tropical têm, em seus primórdios, uma institui­ção centenária, o IAC, berço de muitos cientistas", enal­tece Sílvio Crestana, presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Embrapa.

O engenheiro agrônomo Fernando Penteado Cardoso, ex-presidente da Manah Fertilizantes e atualmente dirigin­do a Fundação Agrisus, recorda-se, emocionado, da sua ligação com o IAC. "Ainda ginasiano, eu conversava com meu pai sobre nossa fazenda; ele mencionava o Institu­to Agronômico ao enfrentar problemas do cafezal velho em terra cansada, discussões essas que me despertaram para a agronomia."

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O país movido pelo café

A partir de meados do século 19, ainda sob o regime do Império, a cafeicultura da região oeste do estado de São Paulo detinha forte peso nas decisões políticas e econômicas nacionais. Daí o fato de Campinas ter sido escolhida como cidade a abrigar a Imperial Estação Agronômica, primeira denominação do IAC, fundada pessoalmente por D. Pedro II, em 1887.

A pauta das exportações, no último quartel daquele século, mostrava bem a força do café no cenário brasileiro. Os principais produtos exportados foram, em ordem crescente: couros e peles, 3,2%; algodão, 4,2%; borracha, 8%; e açúcar, 9,9%; enquanto o café representava 61,5% das vendas externas, totalizando cerca de 4,5 milhões de toneladas.

Onda verde
Apesar da pujança que exibia, a chamada "onda verde" da cafeicultura enfrentava dois graves problemas no final do século 19: a doença da ferrugem e a queda nas cotações no mercado internacional. No ano de 1894, a ferrugem no café já era objeto de pesquisas na área de fitopatolo­gia do Instituto Agronômico. Os programas de genética e melhoramento da espécie Coffea arábica começaram em 1932. Desses trabalhos resultaram cerca de 90% dos 4,5 bilhões desses cafeeiros cultivados no país. Destacam-se as cultivares Caturra, Catuaí, Icatu, Tupi e Obatã, as duas últimas sobretudo com alto nível de resistência à ferru­gem, e a Icatu Precoce, cujo outro benefício é a redução de aplicações de defensivos químicos.

O cerrado de Minas Gerais se tornou a maior região produtora de cafés arábicas do país. Uma das razões foi o fator mecanização - e acolhedora automotriz teve seu protótipo criado, no início dos anos 1960, na área de enge­nharia agrícola do IAC. "A moderna cafeicultura brasileira deve ao Instituto Agronômico os méritos pelas inovações que dão suporte ao seu desenvolvimento", afirma Nathan Herszkowicz, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café, Abic.

O programa Genoma do Café, marco no admirável mundo novo da ciência agrícola, foi proposto pelo IAC e desenvolvido em pareceria com a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo, Fapesp, o Consórcio Bra­sileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, CDPC, e a Embrapa Café. Contudo, embora esteja na origem de sua criação, o café não foi o único foco de atuação, desde os primeiros trabalhos da Imperial Estação Agronômica.

Quando a crise na cafeicultura se acentuou, a pesquisa de forma estruturada do algodão, a partir de 1924, permi­tiu alavancar a cultura. Em 1932, seria lançada a primeira cultivar, a IAC 738. As variedades desenvolvidas adaptadas ao cerrado brasileiro possibilitaram o incremento do seu cultivo na região. O mais recente lançamento, em maio último, é a IAC 25 RMD (Resistência Múltipla a Doenças), com maior resistência ou tolerância a 8 das doenças mais importantes na cultura.

Arroz com feijão
A dupla mais comum na refeição dos brasileiros in­corpora o legado das pesquisas do Instituto Agronômico. Os estudos genéticos com arroz começaram na década de 1930; a primeira cultivar comercial disponibilizada foi a IAC-1246. "A cultivar abriu novas fronteiras em todo o país e chegou a ocupar 60% das lavouras", afirma Luiz Ernesto Azzini, pesquisador do IAC. Na década de 1990, o destaque foi a cultivar pa­ra sequeiro IAC 201, pionei­ra do arroz tipo agulhinha, o mais comercializado do país. Mais recentemente, a cultivar de arroz irrigado IAC 105, resistente à brusone, doença do arroz mais expressiva no Brasil, segundo a Embrapa Arroz e Feijão.

Até o início da década de 1970, a produtividade média nas lavouras de feijão era de apenas 500 quilos por hecta­re. A história do baixo rendimento, com efeitos óbvios no preço do feijão no comércio, experimentou uma revolução com uma descoberta quase acidental, mas, em seguida, acompanhada de intenso melhoramento científico. Pesquisadores do Instituto Agronômico identificaram uma planta muito produtiva, cujo grão se diferenciava com lis­tras marrom; o feijão foi chamado de "carioquinha", por lembrar uma raça de suínos também com listras no corpo. Em poucos anos, o carioquinha se consagrou como o mais cultivado em todo o Brasil, e chegou aos países sul-ameri­canos e da África. Sim, quanto ao rendimento da cultura: hoje, alcança até 2.000 quilos por hectare.

Méritos da tecnologia
Cultivado pelos índios antes mesmo da co­lonização portuguesa, o milho está presen­te no cardápio de todas as regiões do país, sobretudo entre as classes populares. Após superar o atraso tecnológico que histori­camente a caracterizou, a cultura ganhou importância estratégica para o país, como terceira maior safra mundial. O milho se constitui ingrediente básico na ração do frango, prato hoje mais comum nas mesas do país graças à competitividade desta ca­deia produtiva. Esses benefícios resultam do advento do milho híbrido - e boa parte desse mérito se deve aos trabalhos inicia­dos no Instituto Agronômico.

O lAC lançou, em 1932, o segundo programa de milho híbrido do mundo, logo após os Estados Unidos. Até a déca­da de 1970, suas linhagens predominaram nas lavouras. O milho híbrido foi decisivo também para outra importante inovação, praticada em poucos países: o manejo da safrinha. Em 1994, cultivares com alta tec­nologia incorporaram a resistência à seca, e a cultivar Tai­úba, com tolerância à toxicidade de alumínio, favoreceu a expansão do cultivo do cereal no Cerrado.

A soja é desvendada
A soja era totalmente desconhecida no Brasil no final do século XIX - exceto nos laboratórios da Imperial Esta­cão Agronômica. Já nos idos de 1889, o Instituto conduzia experimentos com sementes da oleaginosa. Uma década depois, o pesquisador Gustavo D'Utra publicaria o estu­do "Nova cultura experimental de soja". No ano seguinte, o lAC encaminhava sementes à Secretaria de Agricultura para ser distribuída a agricultores. "Resultado das primei­ras seleções no Instituto, a Abura foi a cultivar pioneira de soja no país", lembra o pesquisador Hipólito Masca­renhas. Nos anos 1970, a cultura chegaria às regiões do cerrado, explica a pesquisadora Elaine Bahia Wutke "A viabilidade econômica do cultivo foi demonstrada, pela primeira vez, pelo Instituto Agronômico, inclusive com as indicações de adubação e manejo."A partir de 2001, a sojicultura brasileira enfrentou grandes prejuízos causa­dos pela ferrugem asiática. O pesquisadores aceitaram o desafio e, para da safra 2006/07, já foram disponibiliza­das variedades com resistências múltiplas e alguma tole­rância à ferrugem da soja.

Mudança de hábito
A ausência de pesquisas em agronomia no Brasil, até o final do século 19, explica o fato de o país inteiro - e não apenas os escravos e as famílias pobres - desfrutar de um cardápio nutricionalmente muito pobre. É o que analisa Benedito Rosa do Espírito Santo, economista e represen­tante do IIC, Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura da OEA, Organização dos Estados Ameri­canos. "Foram os imigrantes europeus e japoneses que introduziram o hábito do consumo intenso de olerícolas e de frutas de clima temperado." Esses alimentos, então, passaram a ser alvos da ciência agronômica.

As pesquisas em olericultura no Ins­tituto Agronômico começaram em 1927. O primeiro marco foi a introdução de se­mentes e o estudo da cebola Amarela das Canárias. Desde então, o IAC lançou mais de 40 cultivares de hortaliças no Brasil e em países da América do Sul. Uma culti­var de tomate, o Santa Clara, se consagrou como sinônimo de variedade nos Ceasas do país.

As frutas de clima temperado, antes ra­ras nas mesas do país - como uva, pêssego, nectarina, ameixa e caqui, entre outras -, resultaram de intensas pesquisas de adap­tação climática. Ao mesmo tempo, frutas tropicais nativas foram alvo de permanen­tes programas de melhoramento genético. Por exemplo, a cultivar de banana Nanicão, resistente à doença sigatoka amarela, tem contribuído para o manejo sustentável da fruta no país.

"Em citros, os trabalhos fizeram renascer os laranjais da tristeza virótica", destaca o pesquisador Ody Rodri­guez. A partir do ano de 2000, o Centro de Citros do IAC participa do sequenciamento de Xylella fastidiosa, agente causador da CVC, e da Xanthomonas axonopodis pv citri, agente do cancro cítrico. Com forte envolvimento em bio­tecnologia, o Centro seqüencia o genoma de novas raças do vírus da tristeza, além do vírus da leprose.

Os alimentos à base de trigo também chegaram ao Brasil pela bagagem dos imigrantes europeus. As pes­quisas no Instituto Agronômico começaram em 1937. O principal lançamento foi a IAC-24, primeira variedade de porte baixo, com tolerância ao alumínio. "A cultivar re­duziu a altura das plantas em 50 cm, e aumentou a produtividade média, de oitocentos quilos por hectare para os atuais três mil quilos", explica o pesquisador Carlos Eduardo Camargo.

As pesquisas também criaram condições de plantio da seringueira em São Paulo e diversos outros estados. Ainda ofereceram alternativa para a produção de essên­cias a partir de manjericão para a perfumaria fina e para o cultivo comercial de palmito - em ambos eliminando a pressão sobre plantas em risco de extinção.

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Trilhas abertas nas lavouras tropicais

Já em 1889, Franz Dafert, o primeiro diretor, com o auxilio de pesquisadores do IAC, descrevia as análises pioneiras de solo, fitossanidade, meteorologia, e a irrigação em hortaliças e frutas tropicais. "A liderança em agricultura tropical do Brasil, nos dias de hoje, se deve, em grande parte, aos cientistas desta tradicio­nal Instituição", afirma José Roberto Postali Parra, professor da Esalq/USP. Na solidão dos laboratórios e na lida do campo para a transferência das tecnologias aos agricultores, centenas de pesquisadores abriram as trilhas da competitividade. Armando Co­nagim, pesquisador do IAC, destaca os estudos sobre interpretação econômica dos ensaios com adubação mineral. "Esses trabalhos tornaram a adubação economicamente viável no país e deram grande contribuição para o aumento da produtividade."

Exercício de cidadania
O Brasil produz, atualmente, cerca de 3 milhões de to­neladas de batata. A cultivar lAC-2 se popularizou entre os bataticultores com o nome de Aracy. Embora a safra na­cional represente apenas 1% da safra mundial, possui elevado nível tecnológico: de acordo com a FAO, Orga­nização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agri­cultura, a produtividade no país é de 20.900 kg/ha, 21 % acima da média mundial. Também tem importância so­cioeconômica, cultivada em grande parte, por pequenos agricultores: segundo o Censo Agropecuário, em 1996, eram 100 mil bataticultores, 90% deles em áreas inferio­res a 50 hectares.

Outra cultura com forte cunho social, a mandioca lAC 576-70 revolucionou o mercado brasileiro na década de 1990. Rica em vitamina A e caretenóides, resistente a do­enças e ocupando praticamente 100% das lavouras, a cul­tivar viabilizou as exportações para a Europa e impulsio­nou a indústria de congelados e alimentos processados. A cultivar também viabilizou um projeto social do Instituto Agronômico: desenvolvido em parceria com prefeituras, ampliou seu plantio por famílias de baixa renda nos ar­redores de centros urbanos.

"Com uma extensa rede de Estações Experimentais em todas as regiões do Estado, o lAC é responsável não ape­nas pela consolidação de inúmeras culturas", diz Roque Dechen, diretor da Esalq/USP. "Alie-se a isso o apoio às tecnologias em fertilidade e conservação do solo, à biolo­gia e às áreas básicas, que abririam novos horizontes para a agricultura nacional." Nas pranchetas dos pesquisado­res foi determinado o modelo de zoneamento climático, já em 1890, quando do Instituto criou o serviço pionei­ro de meteorologia, ainda hoje imprescindível na deter­minação de regiões de cultivo e de seguro rural. Também participaram das principais questões relativas à irrigação e da implantação das bacias hidrográficas.

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O brilho da cana

A cana-de-açúcar é, hoje, a estrela da agricultura brasileira pe­rante os olhos do mundo. Mas já em 1892, o Instituto Agronômico estudava a gramínea. Na década de 1930, seriam introduzidas as variedades pioneiras CB e IAC para o controle da gomose e o mosaico, primeiras doenças registradas na cultura, no final do século 19 e na década de 1920, respectivamente. Nos anos 1970, quando o mundo vivenciava a primeira grande crise do petróleo, um convênio entre o IAC e a Copersucar introduziu 678 genótipos de vários países. Nos anos recentes, as contribuições seriam variedades forrageiras, para a pecuária leiteira e de corte, e cultivares adaptadas às condições edafoclimáticas de diferentes regiões do país. Outro trabalho envolvendo a vinhaça da cana-de-­açúcar transformou seu papel de vilã do meio ambiente em rico adubo nas lavouras.

Atraídos pelas empresas
Diante de inúmeras tarefas, no entanto, o Instituto Agronômico enfrenta um sério desafio: contornar a escassez de recursos públicos, muito aquém das necessidades dos seus pro­jetos. Com isso, por exemplo, vários pesquisa­dores já deixaram a Instituição, em busca de re­muneração e oportunidades de mercado mais atraentes. "É preciso um novo modelo jurídico que proporcione flexibilidade para a gestão do dia-a-dia. Precisamos, por exemplo, de maior autonomia para estabelecer parcerias", argu­menta Orlando Melo Castro, engenheiro agrô­nomo, pesquisador doutorado em Ciências do Solo e Nutrição de Plantas e diretor do Instituto Agronômico. A falta de recursos não é exclusiva no IAC, nem apenas da pesquisa agropecuária. Lamentavelmente, aponta o grave quadro em todas as áreas da ciência no país.

"As melhores condições de trabalho e de remuneração oferecidas pela iniciativa privada, além de esvaziar as equipes de pesquisa, atraem os novos profissionais formados nas melhores universidades do país", afirmou Edmilson Costa Filho, especialista em política científica, ao jornal Vale Paraibano, de São José dos Campos, SP. Costa Filho compara os sa­lários de instituições de ponta, como o Comando Geral de Tecnologia Aeroespacial, CTA, executor do programa espacial brasileiro. "Um pesquisador no topo da carreira que recebe 7 mil reais no CTA, na iniciativa privada pode ter vencimentos de até 25 mil reais."

Luta por oportunidades
No campo social, há um outro desafio: fortalecer os arranjos comunitários e cadeias produtivas regionais pa­ra a democratização dos benefícios advindos da pesqui­sa. "É preciso criar alternativas sustentáveis de trabalho e renda através das diversas formas de produção familiar e comunitária", defende Castro. "Ou seja, internamente de­vemos continuar a aprofundar o conhecimento, mas este precisa contribuir para a inclusão social de ampla parcela da população." De fato, o atual modelo de assentamento rural no país, após duas décadas de sua adoção, pouco tem contribuído nesse sentido.

"A área reduzida dos lotes, a baixa qualidade da ter­ra, a falta de incentivos financeiros e a escassez de tec­nologia desenvolvida nas áreas tendem a reproduzir a unidade mais perversa da estrutura agrária brasileira: o minifúndio", afirma Elisa Guaraná de Castro, professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. A esti­mativa atual do IBGE é de que existam aproximadamen­te 700 mil assentados. Cerca de 80% deles não possuem outra habilidade não-agropecuária, e os 20% que têm outra habilidade são, na maioria, pedreiros, motoristas e garimpeiros.

Um exemplo da contribuição para o resgate da cidada­nia no campo é o programa Treinamento Avançado para Jovens Assentados em Atividades Hortícolas e Produção de Mudas. A iniciativa é do Instituto Agronômico, em par­ceria com Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, Incra, e a Fundação de Apoio à Pesquisa Agríco­la, Fundag. Os 21 alunos do primeiro curso participam de movimentos rurais atuantes no estado de São Paulo, como o MST, Movimentos dos Trabalhadores Sem-Terra, e a Fetaesp, Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de São Paulo.

Durante um ano, eles tiveram aulas sobre técnicas agrícolas avançadas e elaboraram projetos geradores de renda para suas comunidades, explica Carlos Eduardo Ferreira de Castro, pesquisador do IAC e coordenador do proje­to. "Foi um processo de conquista e um imenso exercício de cidadania." O assentado José Aledjane de Oliveira, 26 anos, aplicará as aulas no assentamento Olga Benário, na cidade paulista de Tremembé. "Dêem-nos a oportunida­de e a ferramenta, pois temos boa vontade e capacidade para crescer", diz o jovem.

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Patrimônio de raridades

O monumental prédio do Instituto Agronômico, erguido onde era a fazenda de café pertencente ao Barão de Itapura, traduz um rico período arquitetônico. Mas é o acervo da biblioteca o seu patrimô­nio material mais valioso. Um dos mais antigos e completos em Agronomia e Botânica da América Latina, ele é formado por 33 mil títulos de livros, 82 mil boletins e 3 mil títulos de periódicos Entre diversas raridades estão obras com quase trezentos anos, como Voyage de L'Arabie Hereuse par L'Ocean Oriental, de La Roque, de 1716; e Thesaurus Linguae Latinae, 1734, de Stephani. Encontram-se também registros pioneiros das plantas existentes no país, como Plantarum Brasiliae, de 1827, escrita por Pohl, e Flora Brasiliensis, de 1833, de von Martius - esses dois autores participantes da Missão Científica e Cultural Austríaca, que percorreu o Brasil de 1817 a 1821.

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28 de maio de 2008
Data confirmada
A premiação do 7º Prêmio Massey Ferguson de Jornalismo já tem data e local confirmados.

Será na noite de 1° de julho de 2008 na Casa da Fazenda - Av. Morumbi, 5594, em São Paulo/SP.

Todos os finalistas são convidados especiais do Prêmio e serão recepcionados na festa para cerca de 150 pessoas, entre jornalistas e diretoria da Massey Ferguson.

Em breve, mais informações sobre o evento aqui no blog.

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21 de maio de 2008
Algodão, café e a pequena agricultura brasileira
A Agência de Notícias Brasil Árabe (ANBA) é finalista do Prêmio Massey Ferguson de Jornalismo na categoria Internet com a matéria “O alimento que brota na seca”, de Isaura Daniel, que foi até o interior de Pernambuco e do Piauí mostrar que, com o uso de tecnologias simples e muita persistência, os sertanejos produzem alimentos em terras de seca. Essa é a terceira vez que a agência concorre à final do prêmio. No ano passado, ela ganhou com a reportagem “A corrida pelo frango perfeito”, também da editora sênior Isaura Daniel.

Na mesma categoria, a Agência Safras & Mercado colocou dois trabalhos entre os finalistas. O jornalista Rodrigo Ramos com a matéria "Algodão - Agência Safras traça o mapa do bicudo no Brasil" realizou entrevistas exclusivas com associações, fundações e cooperativas das principais regiões produtoras de algodão do país, a fim de traçar um panorama de um dos maiores problemas enfrentados pelo cotonicultor nacional – o bicudo.

Já a dupla Lessandro Carvalho e Fábio Rübenich concorrem com "Café – 2006: o ano do produtor", que mostra porque 2006 foi importante para a cafeicultura do Brasil. “Dois mil e seis ficará marcado como o ano do produtor, porque foi o ano em que o cafeicultor conseguiu ter a melhor estratégia na comercialização, contribuindo decisivamente para uma sustentação adequada das cotações da commodity”, diz a introdução. Vale conferir a análise.

A Safras & Mercado já ficou entre os finalistas do Prêmio em três oportunidades, nos anos de 2004, 2005 e 2006. Em 2004 foi vitoriosa com o trabalho "Especial safra 2003/2004".

Veja a seguir as matérias na íntegra.

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"Algodão - Agência Safras traça o mapa do bicudo no Brasil"
Jornalista: Rodrigo Ramos
Veículo: Agência Safras (http://www.safras.com.br/) - Porto Alegre/RS
Categoria: Internet

A Agência SAFRAS realizou uma série de entrevistas exclusivas com associações, fundações e cooperativas das principais regiões produtoras de algodão do Brasil, a fim de traçar um mapa do bicudo no país, um dos maiores problemas enfrentados pelo cotonicultor nacional.

Como lembra o engenheiro-agrônomo Márcio Antônio de Oliveira e Silva, coordenador dos monitores do Projeto Bicudo da Fundação Goiás (Fundação GO), "onde há algodão, tem bicudo". Então, resta investir no monitoramento e controle do inseto, para que as perdas não sejam tão sentidas. Vale ressaltar que a praga prejudica muito mais o rendimento das lavouras do que a qualidade da pluma. Sem prevenção, afeta a formação da maçã e, conseqüentemente, a produção.

É claro que há diferenças no combate, dependendo do nível tecnológico de cada região. Para monitorá-lo, são utilizadas armadilhas antes do plantio, onde é possível verificar com maior precisão o nível da infestação. Já para contê-lo, são usadas várias aplicações de inseticidas. Tudo isto gera um custo elevado, que só o produtor melhor estruturado pode arcar.

Conforme dados da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o produtor gasta entre US$ 75,00 e US$ 130,00 por hectare anualmente para controlar a praga, gerando um custo médio de US$ 100,00. "Com uma área de aproximadamente 1 milhão de hectares, são gastos cerca de US$ 100 milhões por ano", relata o diretor-executivo da Abrapa, Renato de Freitas.

A quebra causada na produção pode chegar até 50%. Porém, na média brasileira, está estimada em 8%. "Isto representa R$ 309 milhões a menos para o setor na temporada 2006/2007", exemplifica Freitas. Dados internacionais mostram que, quando se tem um bom programa de combate, a taxa de retorno é de US$ 12,00 para cada US$ 1,00 investido.

Com o controle, os benefícios são percebidos em várias áreas. Com relação aos econômicos, há uma redução de custos, o aumento de produtividade e a melhora da fibra, o que gera mais renda. "Tudo isto torna o setor mais competitivo", frisa o diretor. Os ganhos ambientais são a redução no número de aplicação de inseticidas e o menor desequilíbrio biológico. Já os sociais englobam o menor risco de intoxicação, a criação de mais empregos e a viabilidade da atividade ao pequeno agricultor.

"A Abrapa tem consciência da enorme importância do tema. E por isso tem se dedicado em fazer desse assunto uma constante nas reuniões desenvolvidas junto aos órgãos públicos, produtores, e associações estaduais que a compõem", corrobora Freitas. Salienta que as experiências passadas não podem ser esquecidas, já que o inseto pode inviabilizar a cultura no país e a boa credibilidade que se conseguiu internacionalmente com a fibra brasileira.

Porém, atualmente, há um ingrediente a mais para trazer dor-de-cabeça ao cotonicultor: o câmbio. A valorização do real frente ao dólar está gerando um desequilíbrio no custo de produção e na receita. Por isso, a retração na moeda norte-americana tem centrado as atenções, deixando a praga, às vezes, até em segundo plano.

PROGRAMA BUSCA COMBATER INFESTAÇÃO ELEVADA NA BAHIA
A infestação é elevada na Bahia, como ocorre na maioria dos estados do Brasil. A declaração foi feita pelo coordenador do programa do bicudo da Fundação Bahia, o engenheiro-agrônomo Marco Antônio Tamai. "Dependendo de cada sub-região, é maior ou menor", completa.

Para combater o inseto, foi criado, a partir da temporada 2004/2005, o Programa para Monitoramento e Controle do Bicudo do Algodoeiro do Oeste da Bahia, financiado totalmente pelo Fundeagro (Fundo para o Desenvolvimento do Agronegócio do Algodão).

"A extensão rural, com a pesquisa e controle, é efetuada pela Fundação Bahia", explica Tamai. A Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) responde pela tarefa complementar, que é a fiscalização das lavouras. "Observa o cumprimento de datas de plantio, a destruição de soqueiras e tigüeras, além de abordar a educação fitossanitária", enumera. A Agência monta inclusive algumas barreiras, para aumentar a vigilância.

Segundo o coordenador, os cotonicultores do Oeste da Bahia, onde está localizada a maior parte das lavouras, fazem dez aplicações de inseticidas em média. "Isto gera um elevado custo econômico e ambiental", lembra. Os produtores também utilizam o armadilhamento antes do plantio. "Mas esta é uma ação que precisa ser melhorada", ressalta.

O engenheiro-agrônomo acha difícil estimar um percentual de quanto o inseto afeta a produção. "Um número conservador é de 2% a 5% de perdas", afirma. Nesta safra 2006/2007, foram cultivados 276 mil hectares com a cultura, estando a produtividade estimada em 243 arrobas por hectare.

A colheita na região tem que ser finalizada sempre até o dia 31 de agosto, última data para a destruição de soqueiras. "Geralmente, começa no final de maio e se estende até a metade de agosto", relata Tamai. Ele explica ainda que a época depende do sistema de plantio. "No ano passado, em função de problemas climáticos, os trabalhos foram excepcionalmente prorrogados", acrescenta.

CONSCIENTIZAÇÃO DO PRODUTOR FACILITA PREVENÇÃO EM GOIÁS
O bicudo está bastante controlado nas regiões produtoras de algodão de Goiás. A afirmação é do engenheiro-agrônomo Márcio Antônio de Oliveira e Silva, coordenador dos monitores do Projeto Bicudo em Goiás. "Os cotonicultores estão bastante conscientes da necessidade de prevenção", explica. O projeto, desenvolvido pela Fundação GO (Fundação Goiás), tem apoio de toda a cadeia produtiva.

Os produtores goianos estão sendo orientados pela Fundação GO desde a safra 2002/2003, o que tem trazido resultados bem satisfatórios. "Quase a totalidade aplica os inseticidas necessários ao combate", salienta o engenheiro-agrônomo. Por isso, os danos à planta nesta safra 2006/2007 foram isolados e não devem acarretar em perda de produtividade.

A região também utiliza o armadilhamento para monitorar o inseto, 60 dias antes de iniciar o plantio. A colheita estadual começou na segunda quinzena de maio e se estende até 15 de agosto.

Conforme a Fundação GO, foram semeados 80 mil hectares em Goiás nesta temporada. "Ainda é difícil projetar o rendimento médio, mas deve ficar entre 230 e 250 arrobas por hectare", prevê o coordenador.

PRESENÇA GRANDE NO MATO GROSSO DO SUL PREOCUPA
A incidência já preocupa o produtor de algodão do Mato Grosso do Sul. Segundo o engenheiro-agrônomo Gemerson Tomquelski, pesquisador de pragas da Fundação Chapadão, a infestação está um pouco alta no estado. A Fundação Chapadão - Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Chapadão - é uma instituição de pesquisa agropecuária criada por produtores rurais de Chapadão (Chapadão do Sul e Costa Rica/MS, e Chapadão do Céu/GO), uma região com aproximadamente 320.000 hectares de área agrícola.

Porém, há uma boa consciência do produtor em relação ao problema. "Estamos usando armadilhamento e controle químico nas lavouras, para combater a praga", relata Tomquelski. Mesmo sendo preocupante, a infestação é menor do que no estado de São Paulo, compara, acrescentando que visitou lavouras paulistas.

O bicudo, ao se alimentar ou fazer a oviposição (colocação dos ovos), prejudica a formação da maçã, comenta o engenheiro-agrônomo. Além disso, pode atacar a própria maçã, se a quantidade de insetos for elevada, deformando-a. Em ambos os casos, há uma queda da qualidade da fibra, que pode ser o escurecimento da mesma. Com relação à produtividade, o pesquisador afirma que não foi afetada nesta temporada.

A colheita do algodão plantado precocemente está em andamento no Mato Grosso do Sul. "São lavouras cultivadas mais cedo, que sofreram um adiantamento do ciclo, pela escassez de chuvas no mês de março", frisa Tomquelski. Por isso, o rendimento das variedades semeadas mais cedo deve ser prejudicado.

Normalmente, são produzidas de 270 a 280 arrobas por hectare. "Mas é bom destacar que o que está afetando é o clima, e não o bicudo". A Fundação estima que tenham sido plantados entre 40 mil e 45 mil hectares.

INCIDÊNCIA É ALTA EM SÃO PAULO E AFETA PRODUTIVIDADE
De acordo com o presidente da Associação Paulista dos Produtores de Algodão de São Paulo (APPA), Ronaldo Spirlandelli de Oliveira, a infestação é grande, "principalmente no final do ciclo de formação do ponteiro", trazendo prejuízos à produtividade.

O inseto, ao atacar os ponteiros do algodão, afeta o rendimento das lavouras locais, explica o presidente. A tecnologia aplicada nas plantações varia muito entre as regiões e os produtores paulistas. "Em Holambra, é feito não só controle específico, como também o monitoramento com armadilhas", relata. Já nas regiões de Ituverava e Leme, com média tecnologia, usam inseticidas, mas não armadilhamento.

Na região de Votuporanga, alguns produtores utilizam inseticidas, mas não monitoram-no. "A maioria não controla nem com baterias de aplicações específicas", frisa Oliveira. E na região de Martinópolis, onde o emprego de tecnologia é baixo, não há combate à praga.

Conforme o presidente, o prejuízo de qualidade se nota na má formação da maçã, produzindo uma fibra imatura, sem uniformidade. "Nas lavouras do estado, já existe perda de qualidade", afirma. A colheita teve início em fevereiro em Martinópolis. Nas quatro demais regiões produtoras, começou entre o final de março e início de abril, se estendendo até meados de junho.

AÇÕES DA AMIPA TENTAM AMENIZAR PREJUÍZOS EM MINAS GERAIS
A situação está mais controlada nas lavouras de algodão de Minas Gerais. Segundo o vice-presidente da Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa), o engenheiro-agrônomo Norberto Gonçalves de Abreu, a infestação já foi muito maior, "do ano passado para trás".

Em 2006, o estado começou a usar armadilhamento para monitorar o inseto. "A Associação comprou as armadilhas com os feromônios e fez uma doação aos cotonicultores mineiros", conta Abreu. Com a iniciativa, a incidência já diminuiu muito nesta safra. "Antes, era péssimo. Agora, temos uma condição de convivência", afirma.

Outra ação da Amipa é fazer a medição por GPS de toda a área cultivada em Minas Gerais, prevista pela Associação em 29 mil hectares na temporada 2006/2007. "Isso nos ajuda muito a monitorá-lo", explica o engenheiro-agrônomo. Conforme ele, sem o controle, a queda de produtividade é enorme. "Praticamente não se colhe nada. Perde-se a lavoura na íntegra se a infestação for grande", comenta.

A colheita já iniciou no estado e deve se estender até o final de agosto. Segundo Abreu, houve uma antecipação atípica, provavelmente por causa do clima seco. "Geralmente começava em julho, mas dia 20 de maio já estávamos beneficiando algodão neste ano", exemplifica.

A produtividade média varia muito na região, dependendo da tecnologia empregada. "Tirando a soca, deve ficar entre 170 e 200 arrobas por hectare", prevê o vice-presidente, acrescentando que ainda é muito cedo para precisar.

BAIXA TECNOLOGIA DIFICULTA CONTROLE NO PARANÁ
O baixo uso de tecnologia na maior parte das lavouras de algodão do Paraná facilita a infestação. A afirmação é do engenheiro-agrônomo Francisco Ubiratã Aires, coordenador técnico para algodão e café da Cooperativa Agroindustrial Cocamar. "Na nossa área de atuação, existe o predomínio de pequenas propriedades, onde a falta de recursos reflete no controle de pragas, principalmente do bicudo", explica.

"Neste ciclo, tivemos muita chuva durante o período crítico, dificultando o controle", acrescenta Aires. Os prejuízos causados pelo inseto estão mais relacionados à redução de rendimento do que propriamente de qualidade, pois promove a queda das estruturas produtivas da planta - botões florais, flores e maçãs. "No nosso caso, o maior ataque foi mais para o final do ciclo, suprimindo a carga da parte superior", comenta.

Além do bicudo, a falta de preparo correto do solo e a adubação insuficiente foram fatores decisivos para a queda de produção na área de ação da Cocamar, que somou 1.500 hectares, bastante pequena em relação aos anos anteriores. Estima-se, portanto, uma redução de 15% na produtividade em comparação com a previsão inicial, ficando em 1.400 quilos por hectare. "Em anos favoráveis, normalmente atingia 2.000 quilos por hectare", completa o coordenador.

Conforme a Cooperativa, a área total cultivada no Paraná em 2006/2007 foi de aproximadamente 11 mil hectares. "Muito pouca, para não dizer insignificante, para um estado que já foi o principal produtor de algodão do Brasil", frisa o engenheiro-agrônomo. "O rendimento estadual deve ficar próximo de 2.200 quilos por hectare", prevê.

Já a qualidade do algodão melhorou em relação ao ano passado, quando, além de todos os problemas de tecnologia enfrentados, houve uma seca prolongada, que também reduziu drasticamente a produção. A colheita na área de ação da Cocamar encerrou na primeira quinzena de maio, sendo que o pico se deu entre a primeira quinzena de março e a primeira quinzena de abril.

RENDIMENTO NÃO DEVE SER AFETADO NO MARANHÃO
A presença não é muito elevada nas plantações de algodão do Maranhão. A afirmação é do gerente de Planejamento Agrícola e Pesquisa da SLC Agrícola, Aurélio Pavinato. "O inseto não deve afetar a produtividade no estado, devido à pressão de incidência ser baixa", acrescenta.

Conforme o gerente, os produtores estão fazendo uso de inseticidas quando há infestação. "Mas nem todos estão executando o manejo completo, composto por armadilhamento, aplicação em bordadura, em B1 (quando as plantas formam o primeiro botão floral) e direcionadas, além do MIP (Manejo Integrado de Pragas, que envolve o levantamento de pragas nas lavouras a cada três dias, avaliação técnica e decisão de controle)", explica.

Pavinato comenta que o bicudo provoca a perda parcial ou total do capulho, gerando "grande dano à quantidade de pluma produzida". Porém, em lavouras com número elevado, pode ocorrer queda de qualidade também. Para esta temporada, cuja colheita ocorre de 1o de junho até 30 de julho, o rendimento deve ser maior se comparado com a anterior. "Já no Piauí, será pior", adverte.

A avaliação das lavouras e os dados iniciais de colheita mostram uma produtividade em torno de 250 arrobas de caroço por hectare no Maranhão e 220 arrobas no Piauí. A área plantada no Maranhão está estimada em 5.564 hectares e, no Piauí, em 10.400 hectares. Somando os dois estados, chega-se ao total de 15.964 hectares, ante 15.834 na safra 2005/2006.

No último levantamento de SAFRAS & Mercado, elaborado pelo analista Miguel Biegai e datado de 19 de junho, a área no Nordeste, exceto Bahia, subiu de 78.550 para 80.500 hectares. Já o rendimento foi estimado em 1.150 quilos (76 arrobas) de caroço por hectare, ante 670 quilos (44 arrobas) na temporada passada. "Vale salientar que a Bahia não entra neste patamar e que o avanço da produtividade na região reflete exatamente a melhora nos estados do Maranhão e Piauí", completa Biegai.

SAFRAS PREVÊ PRODUÇÃO DE PLUMA EM 1,462 MILHÃO DE TONELADAS
A produção brasileira de algodão em pluma deverá totalizar 1,462 milhão de toneladas em 2006/2007, crescendo 54,1% sobre a temporada anterior - 948,6 mil toneladas, conforme projeção divulgada por SAFRAS & Mercado. SAFRAS indica área plantada de 1,129 milhão de hectares na atual temporada, contra 837,6 mil hectares no ano passado.

"Há alterações importantes em relação ao levantamento de maio. A estimativa de área em alguns estados foi incrementada, assim como houve um ligeiro decréscimo em outros, de acordo com as informações obtidas junto a fontes de associações de produtores, corretores e consultores agronômicos", explica o analista Miguel Biegai, responsável pelo levantamento. No geral, houve aumento de área e novo ganho de produtividade.

No Mato Grosso, foram cultivados 570 mil hectares. Houve falta de chuva em algumas localidades, tanto no norte do estado, cujos ponteiros devem ser afetados, como no sul, principalmente em Itiquira. "Até o momento, a produtividade registrada tem sido considerada boa, mas espera-se uma redução ao final da colheita", prevê Biegai.

Os produtores baianos relatam uma disparidade grande entre as diversas regiões. Uns ostentam rendimento de 300 arrobas por hectare, enquanto outros, bem próximos, colhem 200 arrobas por hectare. Em alguns casos, a diferença é atribuída ao calendário de plantio. No entanto, a média está indicada de 230 a 250 arrobas por hectare.

A área semeada na Bahia está sendo revisada para 288 mil hectares, havendo uma significativa mudança de 16 mil hectares a mais, em função da elevação na estimativa de 262 para 278 mil hectares em Luís Eduardo Magalhães e da manutenção de outros 10 mil hectares em outras localidades, como Guanambi.

Em Goiás, foram plantados 78,7 mil hectares, que devem render 226 arrobas por hectare. O percentual colhido até o momento é inferior se comparado a igual período de 2006. "Mas não que a safra esteja atrasada. É que houve redução de área em regiões de baixa altitude, como Itumbiara, e forte avanço em de maior altitude, como Ipameri", exemplifica Biegai.

No Mato Grosso do Sul, a parte sul sofreu com a estiagem e teve a produção comprometida. No entanto, a região norte teve problemas mais brandos com o clima, com exceção dos produtores que plantaram mais tarde. A colheita está surpreendendo devido aos bons rendimentos, na casa dos 250 arrobas por hectare, ou até mais. A área é indicada em 44 mil hectares.

Em São Paulo, espera-se uma produtividade de 190 a 195 arrobas por hectare e uma área plantada de 28,2 mil hectares. Minas Gerais, com 28,3 mil hectares, deve fechar com 180 a 200 arrobas por hectare, em função da falta de chuva que ocorreu entre março e abril. No Paraná, foram cultivados 10,5 mil hectares e colhidas 150 arrobas por hectare.

ABRAPA PROJETA METAS PARA CONTROLE DO BICUDO NA SAFRA 2007/08

Não basta apenas traçar o mapa do bicudo no Brasil. O produtor quer respostas. Saber o que precisa ser feito para acabar com este mal que assola as lavouras de algodão. Por isso, a Agência SAFRAS foi questionar o representante máximo do setor, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), sobre as ações programadas para o combate ao inseto na safra 2007/2008.

Consciente do problema e dos riscos à safra brasileira, o diretor executivo da Associação, Renato de Freitas, concedeu entrevista exclusiva, detalhando os objetivos traçados para os principais estados produtores. "A praga pode causar um grande impacto à nossa produção, comparado ao problema da febre aftosa que assolou o país", acredita, explicando porque o tema é tão importante.

Recentemente, entre os dias 08 e 09 de maio, a Abrapa, juntamente com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), através da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) e do Departamento de Sanidade Vegetal (DSV), colaborou e participou, na cidade de Goiânia (GO), da "Reunião para Discussão do Programa Nacional de Controle do Bicudo-do-Algodoeiro".

O evento contou com a presença de representantes de órgãos de pesquisa, universidades, fundos para o desenvolvimento da cultura e órgãos regionais de defesa vegetal, vindos de vários estados, onde se discutiu a elaboração de uma Instrução Normativa (IN) que pretende criar o Programa Nacional de Controle do Bicudo (PNCB). "A Associação está alinhada e em parceria com o MAPA para colaborar no que for necessário para garantir a eficiência e resultados deste projeto", comenta Freitas.

Nesta reunião, também estava presente o representante do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Jesus Leguiza, que realizou a apresentação do "Projeto Regional de Controle do Bicudo-do-Algodoeiro no Cone Sul" (Brasil, Paraguai, Argentina e Bolívia). "Vale lembrar que os presidentes destes países já assinaram uma carta de intenções para combatê-lo em suas respectivas nações", acrescenta o entrevistado.

MATO GROSSO PRETENDE INTENSIFICAR CONTROLE
Líder nacional em produção, o Mato Grosso começou o trabalho de controle em dezembro de 2006 e deverá intensificá-lo. O foco é aumentar a conscientização e o conhecimento do cotonicultor, para se ter eficácia no combate à praga.

"O grande desafio está na destruição, após a colheita, da soqueira (emaranhado de raízes que fica na terra, que eventualmente rebrota e forma outra planta, indesejável para um padrão tecnológico adequado) e na eliminação das tigüeras (plantas que germinam a partir de grãos que se perdem, nas lavouras, rodovias e armazéns), conseguindo com isso um inicio de temporada melhor", salienta Freitas.

De acordo com a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (AMPA), o estado tem o privilégio de manter índices admissíveis de infestação, que ainda não representam prejuízos econômicos aos agricultores na maioria das regiões produtoras, apesar da presença indesejável do bicudo na lavoura. Isto é resultado de investimentos de R$ 1,3 milhão que a AMPA está aplicando no programa contra o inseto, onde engenheiros-agrônomos fiscalizam sistematicamente a área plantada nos sete núcleos regionais da entidade.

Três associações de técnicos também foram criadas com este objetivo. O empenho em torno das ações envolve toda cadeia estadual. Nos próximos meses, o trabalho será reforçado com medidas ainda mais contundentes, considerando o fim da colheita. A prioridade dos produtores rurais é a destruição da soqueira do algodão no prazo determinado pela legislação estadual. A associação estadual é parceira do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT), responsável pela fiscalização das lavouras.

No núcleo de Lucas do Rio Verde, por exemplo, técnicos e produtores adotaram medidas de combate, como a colocação de "tubos mata bicudo" no perímetro das algodoeiras; o cuidado com o transporte do caroço, visando a não multiplicação de plantas voluntárias às margens das rodovias; o monitoramento dois meses antes da semeadura; as aplicações em bordadura e em glebas em que for constatada a presença da praga; a obrigatoriedade de compra do inseticida antes da safra 2008; a autuação de quem deixar plantas vivas, entre 15 de setembro e 30 de novembro; e a presença de um monitor para cada 700 hectares.

BAHIA APOSTA EM FISCALIZAÇÃO REGIONALIZADA
A pressão do inseto nas lavouras do Oeste da Bahia foi muito variada nesta temporada, existindo localidades com pouquíssima e outros com alta infestação. "Em 2005/2006, o ciclo da cultura na região (do plantio à colheita) foi, em média, 30 dias maior que nas anteriores, devido a fatores climáticos", relata o diretor. Isso permitiu o maior número de gerações da praga durante a safra, a destruição mais tardia das soqueiras e, conseqüentemente, a redução no período de entressafra.

Estes fatores fizeram com que a infestação inicial na safra 2006/2007 fosse, em geral, maior nas diversas sub-regiões do Oeste baiano, com ocorrência mais precoce nas plantações. Durante a temporada, o controle da praga foi bem feito na maioria das fazendas. Diferente do que se aconteceu no ano passado, o ciclo apresentou duração menor, o que deverá facilitar o cumprimento da operação de aniquilação das soqueiras dentro do prazo estabelecido pela Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab).

No momento, o estado está em pleno pico da colheita, com a eliminação das soqueiras sendo realizada concomitantemente. "A qualidade do transporte da produção (algodão em capulho) vem apresentando melhora em relação aos anos anteriores, o que certamente deverá diminuir as plantas tigüeras na beira das estradas", acredita Freitas.

Agora, para 2007/2008, a Bahia quer ampliar a formação de grupos regionais, através dos "Projetos Integrados para Controle do Bicudo nas Sub-Regiões". Eles visam demonstrar a viabilidade prática de se implantar sistemas integrados (entre propriedades) de controle ao inseto, com a geração e validação de um pacote tecnológico de convívio em regiões de alta infestação, conciliando-se desta forma questões econômicas, ecológicas e sociais.

"Além disso, procura-se motivar as pessoas envolvidas na execução das atividades, aumentando a produtividade e a estabilidade do algodoeiro, servindo como modelo para que mais cotonicultores possam adotar programas semelhantes e adaptados às suas realidades regionais", acrescenta o entrevistado.

GOIÁS PRECISA DAR SEQÜÊNCIA AO QUE VEM SENDO FEITO
Em Goiás, onde a situação é bem mais tranqüila, a meta é continuar o armadilhamento, orientando quanto ao controle correto, dando seqüência ao que já vem sendo feito. "Com a conscientização do agricultor goiano, foi possível reduzir a praga, obtendo ganho de produção no ponteiro da planta", destaca o diretor da Abrapa.

Os produtores goianos levam vantagem, pois são orientados pela Fundação GO (Fundação Goiás) desde a safra 2002/2003. Com isso, a maioria dos cotonicultores aplica os inseticidas necessários ao combate. A região também utiliza armadilhas para monitorar o inseto, 60 dias antes de iniciar o plantio.

MATO GROSSO DO SUL BUSCA MAIS RECURSOS PARA COMBATER PRAGA
Atualmente, são usadas armadilhas e há o controle químico nas lavouras do Mato Grosso do Sul. Para a próxima temporada, a ambição é maior. Será buscada uma gestão pública junto aos parlamentares, visando atrair recursos específicos ao combate, além de mudanças nas leis sanitárias do estado. Também está em pauta melhorar a eficiência na destruição de soqueiras, mantendo uma maior vigilância sobre os resultados, e efetuar o controle das plantas tigüeras às margens da rodovia.

"É primordial ainda estabelecer um calendário de plantio de curto prazo, adequado às regiões sul e norte do estado, e fiscalizar para que este seja cumprido", frisa Freitas. O estado pretende criar o consórcio bicudo, envolvendo produtores, fundações e assistências técnicas, e reformular o Fundo do Algodão, visando captar recursos para o combate ao inseto.

MINAS GERAIS APOSTA EM PALESTRAS E DISTRIBUIÇÃO DE ARMADILHAS
Está sendo realizado um trabalho preventivo em Minas Gerais, com palestras por parte da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), mostrando ao produtor a importância do tema. A destruição das soqueiras e das tigüeras é bastante abordada. "Observou-se que a conscientização está dando resultados, com o cotonicultor conseguindo ter um melhor controle do bicudo, diminuindo a aplicação de defensivos e, automaticamente, tendo maior produtividade", comenta Freitas.

A Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa) incentiva o armadilhamento pré-safra, doando 100% das armadilhas e feromônios. "Além disso, há a orientação diária da equipe da Amipa, com visitas técnicas", ressalta o diretor da Abrapa. Cabe ao agricultor seguir todo o programa de combate à praga, para que os resultados sejam satisfatórios.

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Postado por Massey Ferguson às 15:10 | 0 comentários 
"Café – 2006: o ano do produtor"
Jornalistas: Lessandro Carvalho e Fábio Rübenich
Veículo: Agência Safras (www.safras.com.br) - Porto Alegre/RS
Categoria: Internet

Calma lá! À primeira vista, pode parecer que esta matéria vai versar meramente sobre um ano de preços bons para o produtor, em que os cafeicultores ganharam muito dinheiro. Falará é claro, a respeito do período de cotações mais altas para o café e das tendências para o mercado. Mas, o ano de 2006 foi importante para a cafeicultura do Brasil por mais motivos. O destaque mesmo não foi o preço, nem algo tão palpável. Dois mil e seis ficará marcado como o ano do produtor, porque foi o ano em que o cafeicultor conseguiu ter a melhor estratégia na comercialização, contribuindo decisivamente para uma sustentação adequada das cotações da commodity, mesmo no período de entrada da safra, quando os preços poderiam cair de forma acentuada. Até isso não ocorreu.

Há muito se fala que o produtor brasileiro está aprendendo a produzir café de qualidade, investir na produtividade, e a controlar custos, entre outras coisas que o cafeicultor sabe fazer bem da porteira para dentro da fazenda. Agora, o que sempre se falou, e o que ainda vinha se falando até a beirada de 2006, é que o produtor precisava aprender a comercializar o café. Não basta mais ao cafeicultor ficar entrincheirado com a faca nos dentes segurando os grãos na espera ilusória do momento sublime da batalha, quando os preços do café atingiriam as nuvens, e quando só então o produtor apareceria para a venda fazendo fortunas. Essa fantasia está desaparecendo do mundo do agricultor que lida com o café, seja ele grande, médio ou pequeno. Pois em 2006 o produtor teve uma postura muito diferente de anos recentes. Ele usou de todas as alternativas para uma melhor comercialização e diluiu riscos. Ao invés de apostar tudo numa subida de preço para vender toda a sua safra, ou a maior parte dela, o produtor vendeu aos poucos a produção, na hora certa. Soube aproveitar os famosos picos de preço, os sobressaltos das bolsas de mercadorias, fazendo média de preço, como gostam tanto de falar os economistas e analistas de mercado. O cafeicultor hoje está inclinado às novas formas de negociar café, como através de CPRs (Cédula do Produto Rural) e da BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros, de São Paulo).

Claro que a história não se faz de um dia pro outro. E há razões históricas, estratégicas, comportamentais e culturais (educação e conhecimento) para que este ano de 2006 tenha sido um marco na comercialização para o produtor. Importante começar falando da história como alicerce e cenário de tudo.

Antecedentes
Não precisamos remontar à época do descobrimento do café para entendermos um pouco mais o que trouxe o produtor até uma estratégia mais adequada de negociação da commodity em 2006. O analista de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach, destaca que este processo de mudança tem como marco inicial a desregulamentação do setor, com o fim do AIC (Acordo Internacional do Café) junto à Organização Internacional do Café (OIC). Vale lembrar que antigamente o café tinha um sistema de cotas de exportação entre os países produtores, visando ordenar a oferta, dando suporte aos preços. Barabach cita ainda a extinção do IBC (Instituto Brasileiro do Café). "A brusca mudança nas regras do jogo no começo da década de noventa mexeu principalmente com o segmento produtivo. O mercado já não suportava mais trabalhar com preços artificialmente sustentados. O produtor passou, então, a conviver com a incerteza do preço, ficando exposto à concorrência", rememora o analista.

Com o mercado à mercê de suas próprias relações de oferta e demanda, as alterações que vieram na década de 90 foram calcadas pelo clima. A geada no ano de 1994 e depois a seca em 1997 no Brasil, maior produtor e exportador do mundo, arremessaram para as alturas o preço do café no mercado mundial. E o problema é que cotações elevadas e lucros momentâneos até exagerados atraem investimentos, o que traz o risco de aumentos desmedidos em áreas plantadas e futuras produções superando o consumo, redundando em preços mais baixos logo adiante. Esse incremento na produção veio pelo lado do Vietnã, que amparado pelas cotações internacionais mais interessantes irrompeu como grande produtor de café robusta e acabou derrubando a Colômbia do posto de segundo maior produtor mundial.

O analista de SAFRAS avalia que o Brasil teve desde então uma visão mais empresarial, com o foco dos produtores se voltando para o aumento da produtividade e redução do custo, antevendo o novo momento mundial para o café, "com a briga por mercados mais acirrada". Barabach coloca que em meio a isso, o governo mostrou-se muitas vezes incapaz de atender às necessidades de crédito e garantia de renda ao produtor. Desta forma, recaiu cada vez mais sobre a iniciativa privada a necessidade de financiar e buscar mecanismos para a gestão de risco. "Não é à toa que ainda na década de noventa tenha surgido a Cédula do Produtor Rural (CPR) e que o contrato de café na BM&F tenha aumentado sensivelmente a liquidez. O produtor aprendeu a viver sem a tutela do estado", afirma o analista.

Mesmo com uma visão mais empresarial, os preços internacionais melhores empurraram para cima também no Brasil a produção, que acabou superando o avanço do consumo. Isso revelou um grave defeito estrutural da cadeia café pelo mundo, que é a estagnação da demanda, o que deu origem a uma nova crise, com ápice no ano de 2002. "A partir daí ficou mais claro que não basta apenas produzir bem e a custo baixo, há também a necessidade de ter para quem vender esse café", ressalta Barabach. O volume estocado de café no mundo foi ampliado, derrubando as cotações, que atingiram níveis muito inferiores ao custo de produção. O analista de SAFRAS observa que no Brasil, a duras penas, os efeitos da crise foram atenuados pelo dólar supervalorizado e pela redução do custo médio das lavouras. Claro que houve graves conseqüências, com muitos produtores trocando de atividade ou se endividando severamente. Mas o produtor "sobreviveu" e a amarra ainda solta, evidentemente, era a da comercialização. Faltava o produtor acertar uma estratégia definitiva e mais resoluta na venda do café.

Mas a partir do tombo do mercado, os produtores começaram a olhar a atividade de uma outra forma. Existe um cuidado maior no mundo em relação aos impulsos produtivos. Os produtores estão bem mais cautelosos, não se preocupando em aumentar o parque cafeeiro, a fim de evitar erros como os da década de noventa. O produtor chegou a 2006 com uma preocupação maior com a questão comercial.

O blend que fez de 2006 o ano do produto

Os cafeicultores brasileiros já dispunham da luta por uma melhor produtividade e qualidade, que são pressupostos da cafeicultura moderna. Restava a comercialização precisa, adequada, idéia abraçada pelos produtores em 2006. Importante ressaltar que a temporada foi de oferta ajustada à demanda, sem grandes sobras de produto no mundo. O ano assim foi favorável em termos de preços médios, ainda mais com a previsão de uma safra bem menor este ano. No entanto, o Brasil colheu uma safra de ciclo produtivo maior em 2006 e isso sempre traz uma pressão de baixa nas cotações na época da colheita. Segundo a Conab (Companhia Nacional do Abastecimento), na safra 2005/2006 o Brasil colheu 33,33 milhões de sacas – em ano de baixo ciclo produtivo dentro da bianualidade da lavoura cafeeira, que alterna anos de alta carga produtiva com período de menor carga. Já em 2006/2007 a produção cresceu para 42,51 milhões de sacas, de acordo com o último levantamento da Conab. Ou seja, a safra foi maior e poderia haver uma pressão de baixa mais significativa na época de colheita, o que é comum. Mas não houve, devido justamente à competente comercialização e gerenciamento de risco de preço do cafeicultor. Isso contribuiu para dar sustentação às cotações no mercado mundial.

Com a história como base e lembrando sempre que o mercado neste momento é indiscutivelmente altista, torna-se mais compreensível a mudança da conduta do produtor. Uma série de aspectos forma e caracteriza este ano de 2006 como o ano da virada para o cafeicultor, em que ele se elevou a outro patamar na comercialização. Vejamos os componentes que se somaram, se misturaram, formando o "blend" que tornou este o ano modelo de como se negociar café.

-- Comercialização na forma e na hora certas
"O produtor começou a vender a safra mais cedo", frisa o presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Maurício Miarelli. Destaca que o produtor fez muitas operações de CPR (Cédula de Produto Rural), também procurou a BM&F para fazer hedge com o mercado futuro, fez vendas futuras para empresas, travas com exportadores negociando antecipadamente, buscou ainda troca-troca com companhias de fertilizantes e defensivos, entre outras alternativas de negociação. "Agora o produtor fez a estratégia correta. Segurou no momento certo a venda (da colheita da safra) e vendeu na hora certa", afirma Miarelli. A própria crise amadureceu o produtor, trouxe a cautela. "O produtor no mundo aprende com a crise. Quem apanha fica esperto", expressa o presidente do CNC.

Otto Vilas Boas, assessor de negócios da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), que é a maior cooperativa de café do Brasil e do mundo, atuante no sul e cerrado de Minas Gerais e em parte de São Paulo, concorda que o ano de 2006 tenha sido especial na estratégia de comercialização. "O produtor realmente aprendeu", ressalta. "O cafeicultor aproveitou os momentos certos e fez boa média na venda, melhorou muito a sua participação também nas CPRs e na própria BM&F", enfatiza.

O analista Gil Barabach também traz à luz a importância desta antecipação da venda. "Não houve aquela pressão da entrada de uma safra cheia no Brasil. O produtor conseguiu suavizar o efeito da entrada da safra", diz. "O cafeicultor contou com recursos do governo, que chegaram na hora certa, e isso possibilitou que o produtor conseguisse montar uma estratégia comercial mais eficaz", defende Barabach. Ele destaca a salutar montagem de estratégias comerciais que está sendo feita, para que não se tenha a necessidade de vender o café em períodos críticos. "O produtor agora dilui suas vendas ao longo do ano, mirando no preço médio e não tentando adivinhar o melhor preço do ano."

As CPRs, em que o produtor recebe no momento da operação para entrega futura, se capitalizando e podendo controlar a oferta em períodos de maior pressão, tiveram números recordes em 2006. Até o dia 12 de dezembro de 2006, o volume acumulado no ano (somando CPR Produto e Financeira) chegava a 3.222.829, o que representa crescimento de 6% em relação ao total de 2005, que foi de 3.043.336 sacas. Isso sem contar os números dos últimos 19 dias de 2006, ainda não divulgados.

Na BM&F, em que o produtor pode proteger-se no mercado futuro, controlando seus riscos (hedge), o mesmo ocorreu. Em 2006, as operações passaram de 500.000 contratos negociados, perdendo apenas para 2004, quando o volume foi de 620.997 contratos, mas superior a 2005 (485.902 contratos).

-- Ano de melhor capitalização e condução da política para o café
Maurício Miarelli ressalta que os financiamentos do Funcafé (Fundo de Defesa da Economia Cafeeira) foram significativos e liberados pelo governo Federal num momento apropriado. Lembra que foram disponibilizados R$ 400 milhões para o custeio, R$ 600 milhões para colheita e mais R$ 800 milhões para estocagem, o que contribuiu para que o produtor tivesse fôlego e não precisasse vender café apressadamente no período delicado da entrada da produção nova entre maio e agosto, principalmente. Otto Vilas Boas concorda com Miarelli e salienta a importância dos recursos alocados para estocagem terem saído desta vez na hora certa. Frisa que houve uma maior irrigação de recursos no sistema financeiro. Além do Banco do Brasil e do Bancoob (Banco Cooperativo do Brasil), outros bancos liberaram recursos.

A condução da política para o café pelo governo, com definição de estratégias no âmbito do Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC), que reúne toda a cadeia café (produção, indústria de torrado e moído e do solúvel, exportação e o próprio governo), vem sendo elogiada pelos produtores nos últimos anos. Como o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, determinou desde o começo de sua atuação no Ministério, era importante uma conciliação entre os diversos segmentos da cadeia em prol de uma política mais dinâmica para o café e o papel do CDPC foi fundamental numa parceria de governo e iniciativa privada. Em meio a isso, os produtores saíram da crise, o consumo interno brasileiro segue saltando e as exportações "vão muito bem, obrigado."

Agora, se os dois últimos anos foram de começo de recuperação para o setor no Brasil, Miarelli, que também é presidente da Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Franca (Cocapec), adverte que o produtor enfrentou um "passado duro". "Precisamos nos recuperar da crise de 2001 a 2004", enfatizou. Observou que as recentes altas nos preços contribuíram para amenizar as dificuldades da cafeicultura, que ainda continuam sendo sentidas. Lembrou as dívidas que os cafeicultores enfrentam e que é preciso efetivamente de uma política de remuneração ao produtor.

-- Trabalhando com a visão de comercialização em 24 meses
É sabido e batido que a produção de café tem ciclos bianuais, com alternância de safra maior (cheia) num ano e menor no outro. A cadeia café e o governo brasileiro hoje sabem como é fundamental um ordenamento da oferta levando em conta as oscilações da produção, naturais do ciclo bianual, buscando assim uma proteção contra as volatilidades exageradas dos preços no mercado. Com isso, governo e produtores agora pensam no café em 24 meses. Se em 2006 a Conab estimou uma safra de 42,5 milhões de sacas (safra cheia), para 2007 a projeção é de uma safra média de 31,7 milhões de sacas. "Por isso, por essa queda de produção, temos que guardar café para o ano que vem", avalia Miarelli. Estima que o Brasil esteja carregando com estocagem via financiamentos do Funcafé e outros para a próxima temporada de 8 a 10 milhões de sacas.

"Precisamos produzir mais, já que o consumo vem crescendo no mundo", lembra Maurício Miarelli. "Temos que no mínimo manter nossa fatia de mercado", defende. Reflete que para isso o produtor tem que ter garantia de renda e que a cafeicultura precisa da manutenção de uma política agrícola bem desenhada em 2007. Observa que o governo fez um bom papel em 2006, mas que em termos macroeconômicos ainda falta muito a realizar para que os produtores encontrem um cenário favorável. Cita aspectos de infra-estrutura e logística, como o problema do gargalo do sistema portuário e do custo Brasil, taxas de juros e câmbio, que precisam ser ajustados.

A visão de pensar a política do café e ordenar a oferta em 24 meses tem sido defendida com veemência pelo secretário de produção e agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Linneu da Costa Lima, e pelas lideranças da cadeia café, além do próprio diretor executivo da Organização Internacional do Café (OIC), Néstor Osorio. Suavizando as oscilações de produção e a volatilidade que é a conseqüência, os produtores estão próximos da busca da garantia de renda e da diminuição do risco da atividade. Linneu da Costa Lima destacou no Encontro Nacional da Indústria do Café (Encafé), realizado em novembro passado em Guarapari/Espírito Santo, e em outras oportunidades, que o objetivo do Brasil é que os produtores tenham renda e que não falte café aos consumidores. Excesso de café representa baixos preços e crise. Mas a falta do produto também gera crises, à medida que cotações subindo desenfreadamente estimulam o aumento desmedido de plantios do grão pelo mundo e futuras safras exageradas. Além disso, é fundamental que o Brasil não perca fatias de mercado conquistadas, e para isso precisa ter ofertas regulares, dentro do possível, em 24 meses.

Da teoria para a realidade, o fato é que o país efetivamente terá uma safra pequena este ano, mas se preparou para isso carregando estoques de 2006 para 2007, o que poderá evitar uma volatilidade tão acentuada no mercado e também garantirá um desempenho positivo para as exportações do Brasil. Por isso, Linneu da Costa Lima disse no Encafé que os estoques vão cair, mas não haverá risco de falta de café ou de escassez que ameace tanto o mercado internacional.

O analista de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach, aponta a importância dessa "percepção cíclica" do segmento produtor. "Já está se trabalhando com o olhar para 24 meses, com uma estratégia comercial voltada para duas safras. É importante que o produtor trabalhe a entressafra agora", aconselha. Barabach diz que nesse começo de 2007 pode ser um bom momento para o produtor antecipar a venda da safra 2007/2008. "Mesmo com uma safra menor, na colheita haverá pressão com entrada da safra e depois vem a pressão com a especulação com a safra futura 2008/2009, que será maior devido ao ciclo", adverte.

-- Produtor atento ao custo
Um dos fatores positivos da comercialização do ano passado é que o produtor mostrou também ter uma maior atenção e conhecimento em relação ao custo de produção. "Os produtores estão mais atentos ao custo, e tem mesmo que conhecer as relações de custo da lavoura para trabalhar a sua comercialização, pensando também nestes dados em 24 meses", afirma Gil Barabach.

O presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Maurício Miarelli, avalia que os custos da cafeicultura seguem elevados e destaca a mão-de-obra. Nesta safra maior de 2006/2007, com melhor produtividade, os custos estimados pela Conab, segundo Miarelli, ficam entre R$ 213,00 a R$ 220,00 a saca. O preço atual do café, entre R$ 280,00 a R$ 300,00 a saca para os melhores grãos em média, remunera o produtor. No entanto, "a gente ainda tem um estoque grande de dívida", contrapõe. Observa que o produtor ainda tem que se preocupar com a renovação do parque cafeeiro, com produtividade, qualidade, e levar em consideração custo de formação da lavoura, custo do capital de giro e da terra.

Miarelli tem a mesma opinião do presidente da Associação dos Cafeicultores de Araguari, Ramon Olini Rocha. "Estamos preocupados. O custo de produção é alto e o problema agora é que a safra de 2006 foi cheia e com preço bom. Deveríamos estar ganhando mais, mas isso não está ocorrendo", afirma Ramon Rocha. Ele estima que o custo médio dos produtores brasileiros deverá subir de R$ 220,00 a saca para mais de R$ 270,00 a saca em 2007, já que a safra será bem menor.

Em tempos em que se fala muito em se investir em produtividade, Ramon Rocha faz um alerta. "O produtor tem que ver bem o quanto pretende elevar a produtividade, porque isso necessariamente causa maior custo. E o quanto compensa aumentar a produtividade com esse custo?", questiona o dirigente da Associação dos Cafeicultores de Araguari, que fica no cerrado mineiro. Lembra que para obter crescimento de produtividade o produtor gasta mais com adubos, insumos em geral, energia, óleo diesel, e principalmente mão-de-obra nas áreas com menor mecanização, sem falar em outros gastos. É preciso um ganho significativo de rendimento na lavoura para se compensar esse alto investimento e essa conta precisa ser feita.

-- Qualidade e visão empresarial voltada ao consumidor
O cafeicultor brasileiro também está cada vez mais preocupado com a qualidade, e tentando valorizar comercialmente esta melhor qualidade. O analista de SAFRAS, Gil Barabach, coloca que aos poucos o produtor nacional vai conseguindo essa valorização. No entanto, ainda encontra resistência do exterior, que ainda enxerga o Brasil como vendedor de quantidade de café, e não de qualidade. "Essa quebra de paradigma segue necessária", ressalta Barabach. Daí os esforços que continuam sendo tomados pela iniciativa privada e governo em marketing para isso, assim como o aprimoramento efetivo da própria qualidade.

A visão empresarial do produtor brasileiro necessariamente está levando-o a olhar para o consumidor. Barabach observa que, com os mercados consumidores tradicionais saturados para volume e diante da dificuldade com novos mercados, o produtor se vê obrigado a ampliar a qualidade, a fim de melhorar a performance vendedora junto a esses compradores mais sofisticados e exigentes. E isso está sendo aprimorado.

"A última crise abriu os olhos para o estrangulamento do mercado consumidor de café, forçando, com isso, estratégias comerciais que saiam da simples venda de quantidade, com o produtor tendo necessariamente de assumir uma postura mais ousada em direção à venda com maior valor agregado. E não basta apenas produzir café de qualidade, é preciso saber vender esse café." Para o analista, é essa a próxima etapa. "Entra em cena o conceito de sustentabilidade, muitas vezes usado de forma distorcida, mas que deve permear as ações dos produtores, principalmente daqueles que pensam o seu negócio de forma continuada. O produtor agora está de olho no consumidor", analisa.

-- A busca da informação
A busca da informação, do conhecimento das alternativas do mercado, com as cooperativas tendo um papel importantíssimo nesse aspecto, é outro ponto que não pode ser esquecido, e que também vem sendo destaque para o aprimoramento da estratégia de comercialização do produtor. "O produtor hoje é muito interessado, busca informações, e realmente está mais informado", confirma o assessor de negócios da Cooxupé, Otto Vilas Boas, com o que concordam o presidente do CNC, Maurício Miarelli, e o presidente da ACA, Ramon Rocha.
Uma das lições das crises recentes é que para se fazer a negociação com o café não basta mais sentar em cima das sacas e esperar o preço bom cair do céu. E para se conhecer as várias formas de se comercializar e se proteger dos altos e baixos, os grandes produtores e também os de médio e pequeno porte estão a cada dia mais conectados ao que acontece no dia-a-dia no mercado e correm atrás de informações, hoje muito mais à mão do cafeicultor com os avanços tecnológicos como a internet.

"Em tempos de internet e de altíssima competitividade, produtores de todos os portes estão mais atentos e sabem que o conhecimento é ferramenta para reduzir custos e aumentar a lucratividade com anos de comercialização mais acertada", afirma Gil Barabach, analista de SAFRAS & Mercado.

Produtores falam sobre a comercialização de 2006
Nada melhor do que os próprios produtores para falar sobre as estratégias que deram certo na comercialização em 2006. Buscar a capitalização adequada para fugir dos períodos de pressão de oferta, conhecer os custos e diluir riscos foram palavras de ordem.

- Sul de Minas - O cafeicultor Hugo Vilas Boas, que produz em cerca de 100 hectares em Guaxupé e Guaranésia, no sul de Minas Gerais, afirma que "o produtor já aprendeu a produzir, mas não a vender", o que está melhorando nos últimos anos.

Hugo Vilas Boas buscou a diluição de seus riscos variando bastante a comercialização. Destaca que buscou capitalização com as CPRs, que envolveram 13% de toda sua produção, operações feitas em agosto. Ele ainda financiou cerca de 20% da safra com recursos da estocagem do Funcafé. No mercado, Vilas Boas está familiarizado com a tentativa de fazer uma boa média de preço na venda. "Eu vendo picado", diz. Cita que há cerca de dois a três meses, quando o preço chegou a R$ 250,00 a saca começou a vender. Depois retomou negociações nos patamares de R$ 275,00, mais adiante R$ 290,00, depois R$ 290,00 de novo e R$ 292,00 a saca em negócio fechado dia 27 de dezembro. Ou seja, o produtor aguardou os picos de mercado para comercializar e fazer a tão comentada média de preço. "Vendo de acordo com a minha necessidade e com esses momentos em que o preço dá uma melhorada", conta Hugo Vilas Boas.

O produtor afirma que está permanentemente atento aos custos de produção. Estima que o custo nesta safra maior de 2006 chegou a R$ 188,00 a saca, obtendo uma produtividade média de 44 sacas por hectare. Embora 2006 tenha sido de maior lucratividade, Hugo Vilas Boas ressalta que vai ter de recolher a sobra desse ano de melhores preços para enfrentar um 2007 de produção muito menor e de custos naturalmente maiores. Ele avalia que o custo deverá ser quase o dobro do ano passado, só não crescendo mais ainda porque a produtividade menor acaba redundando em gastos mais brandos em alguns aspectos, como com mão-de-obra. Projeta produtividade em torno de 15 sacas por hectare.

Para Hugo Vilas Boas, o produtor de café hoje tem buscado as informações com maior preocupação sobre o mercado. "A gente conversa com o produtor menor, de roça, e ele já sabe no dia mesmo como que está o mercado e porque ele está daquele jeito", diz, impressionado, Hugo Vilas Boas.

-- No cerrado mineiro – Ramon Olini Rocha, presidente da Associação dos Cafeicultores de Araguari, é produtor de Araguari e Araxá, de cerca de 200 hectares, e conta como também buscou a antecipação das negociações da safra 2006/2007. Destaca que de 15% a 20% de sua safra ele negociou fazendo "trava contra Nova Iorque com exportador", o que é muito favorável como garantia de preço e para gerenciamento do risco com o mercado. Além disso, em torno de 20% da safra o produtor negociou antecipadamente via CPR, buscando uma capitalização para o período de colheita. De 5% a 10% da produção, Rocha diz que fez com troca-troca com adubos/agrotóxicos. Outra medida foi financiar 10% da safra via estocagem com o Funcafé.
O restante da safra se procura vender de acordo com a necessidade e com as oportunidades de melhores preços no mercado, observa Ramon Rocha, fazendo média com as cotações, o que, segundo ele, os produtores fizeram bem melhor em 2006. Com toda essa estratégia de comercialização, o produtor diz que "assim podemos diminuir os riscos com a volatilidade do mercado". "Se eu deixasse para vender tudo em agosto, estava perdido", brinca Ramon Rocha.

Ele destaca os custos elevados do segundo semestre, com vencimento de financiamentos, despesas de colheita e outros gastos. Ramon Rocha indica que o período julho a setembro, especialmente, é crítico em relação a custos para os cafeicultores, que muitas vezes são obrigados a vender café nessa época delicada de pressão de oferta. Ressalta que muitas vezes o produtor não consegue montar a estratégia comercial adequada pelos custos elevados. "O cafeicultor tem um custo muito alto, que hoje chega perto dos R$ 8.500,00 por hectare", alerta.

Mas, mesmo com custos elevados sendo um problema, as perspectivas positivas no mercado são um alento. A seguir veremos como o ano de 2006 apresentou preços mais altos e como as altas devem continuar em 2007, 2008 e...

Cafeicultor tira corda do pescoço em 2006

Preços devem se manter bons por pelo menos mais quatro anos


O produtor de café de um modo geral conseguiu "tirar a corda do pescoço" neste ano de 2006. Depois de vários anos de crise, entre 2000 e 2004, a recuperação dos preços internacionais do grão se solidificou e atingiu o auge em 2006. Na Bolsa de Nova Iorque (NYBOT, principal referência mundial de preços para a commodity), as cotações do café arábica percorreram uma "parábola" neste ano, conforme ilustra o analista de café de SAFRAS & Mercado, Gil. C. Barabach. "Em Nova Iorque, os preços vão fechando o ano num patamar mais alto em relação ao registrado em janeiro", salienta Barabach. Para Alexandre Nahum, corretor da Terrafuturos, os preços hoje estão num nível muito bom para as origens venderem. "As cotações se recuperaram bem em 2006", diz. Já o diretor geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Guilherme Braga, afirma que o mercado atuou de um modo firme, dentro de um quadro equilibrado entre oferta e demanda. "Alinhado com os fundamentos, o setor teve um ano de recuperação e firmeza", avalia Braga.

Preços futuros percorreram parábola no ano
Em janeiro de 2006, as cotações do arábica logo romperam o patamar de 120 centavos de dólar por libra-peso na NYBOT, o que gerou esperanças de que os preços iriam repetir o início exuberante de 2005. Porém, o movimento altista logo perdeu forças com os investidores levando em conta o significativo tamanho da safra brasileira (42,5 milhões de sacas segundo estimativa oficial do governo) que logo seria colhida. No início de 2005, havia a expectativa de uma safra pequena no Brasil, ao contrário de 2006. Mas, apesar da forte reversão nas cotações nova-iorquinas depois de janeiro, os preços não chegaram a atingir as mínimas de 2005, ficando em torno de 92 cents/lb, mantendo-se sempre pelo menos acima desse patamar. Em setembro do ano passado, houve uma boa florada nas lavouras brasileiras de café, o que já indicava uma safra grande em 2006. No mesmo mês de setembro de 2006, ocorreu o oposto. Não choveu adequadamente nas principais regiões produtoras, provocando um florescimento fraco e irregular, antecipando para o mundo que o Brasil colherá uma safra pequena em 2007 (entre 31 e 32 milhões de sacas, segundo estimativa da Companhia Nacional do Abastecimento - Conab). "Assim, os preços na NYBOT não recuaram tanto. Pelo contrário, começaram a ganhar força a partir de então, reverteram o processo de baixa e devem fechar o ano acima dos patamares registrados em janeiro", explica Barabach.

Já diretor do Cecafé não viu grandes oscilações nos preços em 2006. "As variações não foram tão intensas, mas provocaram uma boa valorização nos preços. As oscilações foram próprias de um mercado regido por fundos de investimento", diz Braga. Segundo ele, o Brasil está fechando o ano com exportações totais (grão, solúvel, torrado e moído) em torno de 27,2 milhões de sacas, respondendo por cerca de 30% a 31% do mercado mundial de café. Já a receita com as vendas externas está estimada em US$ 3,2 bilhões, uma das maiores da história da cafeicultura, aumentando mais de 10% em relação ao ano de 2005, determinando o resultado mais expressivo desde 1990, apesar do Real estar bastante valorizado em relação ao dólar norte-americano.

Brasil manterá "market share" em 2007, mesmo com safra menor
Apesar da esperada queda na produção em 2007, as exportações brasileiras nesse ano deverão recuar de modo pouco significativo, para cerca de 26 milhões de sacas, conforme estimativas preliminares de analistas de mercado. "Para 2007 ainda é difícil fazer uma projeção sobre as exportações, pois a produção será menor. É possível um recuo no volume de embarques, por conta da menor disponibilidade", acredita o diretor do Cecafé. Mas, pelo menos por enquanto, ninguém parece estar temendo perda de "market share". Braga não acredita em uma redução muito grande na fatia de mercado do Brasil. "Os outros países exportadores não têm condições de expandir a produção. O mais provável é que percamos uma parcela bastante ínfima da nossa participação, apesar de exportarmos menos", projeta. Na mesma linha, Nahum acredita que não existe risco algum de perda de mercado, porque "ninguém aumenta significativamente a safra de café. A América Central e a África não saem do lugar. O Vietnã está elevando um pouco a produção, sendo nosso principal concorrente na atualidade, enquanto que a Colômbia ainda não preocupa", sustenta o corretor da Terrafuturos. Por conta da provável queda no volume de exportações, vai diminuir um pouco a fatia brasileira no mercado mundial, mas "é difícil imaginar uma perda de mercado. Já no ano de 2008 o Brasil terá uma safra grande, a não ser que aconteça algum grave problema climático", salienta Barabach. Aliás, o "mercado climático" que toma forma a partir de junho e se estende até o final do Inverno no Brasil, está cada vez menos nervoso, pouco lembrando as agitações que ocorriam em um passado não muito distante. No Brasil, a última devastadora geada com grande potencial de quebra na safra de café ocorreu em 1994, o que naturalmente acabou provocando pânico das bolsas de futuros, impulsionando os preços para cima. "Com as temperaturas médias globais aumentando a cada ano, fica cada vez mais difícil se desenharem as condições para a formação do fenômeno nas lavouras. Na verdade, o último registro em regiões produtoras de café brasileiras foi em 2000, mas apenas o estado do Paraná foi atingido, e já faz algum tempo que este estado não tem grande representatividade em termos de produção", observa Nahum.

Bom momento deve se estender pelo menos até 2010/11
As perspectivas para o próximo ano também são boas para a cafeicultura nacional e mundial. Nahum projeta que o mercado estará equilibrado por pelo menos mais quatro anos, com produção e consumo não sofrendo grandes alterações. Segundo o "trader", dificilmente neste período os preços do arábica em Nova Iorque ficarão abaixo de US$ 1,00/lb, e em alguns momentos deverão até mesmo operar acima de US$ 1,30/lb. Barabach, ainda mais otimista, acredita que os preços do arábica iniciem o ano tentando superar a máxima de 136,75 cts/lb registrada em 2005. "As cotações tendem a manter a tendência de valorização, principalmente no primeiro semestre. Os estoques mundiais estão baixos, principalmente os nossos, e não podemos menosprezar a certeza de que o Brasil terá uma safra menor, além da previsão de déficit entre oferta e demanda mundial". Conforme indica o analista, os principais concorrentes brasileiros não assustam, pelo menos por enquanto. "A Colômbia deve continuar produzindo entre 11 a 12 milhões de sacas por ano, e o Vietnã não deve aumentar muito sua safra. O volume da produção mundial vai continuar oscilando de acordo com a volatilidade da safra brasileira", acredita. O diretor do Cecafé também está tranqüilo em relação ao ano de 2007. "Como o quadro de equilíbrio entre oferta e demanda vai continuar, os preços deverão seguir firmes. Não espero altas muito significativas nas cotações, mas elas permanecerão em níveis muito bons".
No mercado interno, a realidade externa de preços em ascensão deverá ser refletida com ainda mais intensidade. Com as exportações estimadas para 2007 em cerca de 26 milhões de sacas, mais um consumo interno de 17 milhões, seriam necessárias 43 milhões de sacas somente para atender essas duas pontas. "Com a produção brasileira não devendo superar 35,85 milhões de sacas, 2007 é um ano onde certamente vai faltar café, reduzindo quem sabe a estimativa de exportações para o período", avalia Barabach. SAFRAS & Mercado projeta uma safra 2007/2008 de 34,25 a 35,85 milhões de sacas.

Porém, os corretores do mercado de café trabalham com números mais expressivos, acreditando até mesmo que o Brasil fechou a produção brasileira de 2006 totalizando 48 milhões de sacas, devendo colher mais 36 milhões em 2007, volumes que garantiriam uma situação de oferta tranqüila para abastecer demanda interna e exportações por pelo menos mais dois anos. "Não temos estoques grandes, mas nenhuma ponta do mercado ficará desabastecida em 2007, e não podemos esquecer que em 2008 colheremos uma safra grande novamente", observa Nahum.

O presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Maurício Miarelli, também está entre aqueles que confiam num mercado altista até no médio a longo prazo. "Deveremos ter um bom preço para o café nos próximos dois anos pelo menos", avalia. O assessor de negócios da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), Otto Vilas Boas, concorda e diz que o mercado deve continuar numa tendência positiva, "a não ser que surjam novidades".

Gil Barabach adverte que a demanda é um gargalo estrutural visível. Ou seja, o consumo mundial cresce lentamente a uma taxa constante e por isso o mercado é sensível a qualquer salto na produção. Foi exatamente isso que ocorreu com desequilíbrio da oferta em relação à demanda em 2002, quando os produtores enfrentaram a mais recente crise de baixos preços, e é certamente o que os cafeicultores no Brasil não querem nunca mais ver se repetir.

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“O alimento que brota na seca”
Jornalista: Isaura Daniel
Veículo: Agência de Notícias Brasil-Árabe (www.anba.com.br) - São Paulo/SP
Categoria: Internet

O produtor Luzivaldo, de Dormentes, aprendeu a fazer silagem para dar às suas ovelhas
Foto: Isaura Daniel


No semi-árido brasileiro o sol é forte, a temperatura alta, o solo pouco fértil, a chuva é pouca. Apesar disso, a região planta e colhe, cria e abate. Com o uso de tecnologias simples e muita persistência, os sertanejos mostram que é possível produzir alimentos em terras de seca. A ANBA conta, em uma série de reportagens, a experiência de quem é agricultor no semi-árido.

Petrolina – A temperatura é alta: 45 graus nos meses mais quentes. A chuva chega só de vez em quando e não deixa muito mais que 500 milímetros de água na terra. O solo, pouco fértil, uma variação de argila e areia, é também raso, tem menos de dois metros de profundidade. A vegetação da caatinga arde sob o sol forte. Quem chega a esse ambiente, no interior de Pernambuco e do Piauí, uma das regiões mais castigadas do semi-árido brasileiro, dirá que é melhor não plantar ou criar nada por ali. Se embrenhando um pouco mais pelas estradas, porém, é possível descobrir que há gente que não pensa assim. A paisagem vai revelando pequenos oásis da produção. São sertanejos que teimam em levar tecnologia para o sertão e fazer da terra da seca também uma terra de alimentos.

São mulheres e homens como Luzinéia de Souza Rodrigues Amorim e João Batista Amorim, que moram no interior de Acauã, no estado do Piauí, uma das cidades mais pobres do Brasil. A casa onde Luzinéia e Batista vivem com os dois filhos, Leorodrigo, de 12 anos, e Beatriz, de sete anos, fica no meio da caatinga, isolada da cidade, em uma região de seca. Ao redor da pequena propriedade do casal, porém, uma odisséia de alimentos: milho, verduras, legumes, palma, sorgo, mandioca, cana-de-açúcar, feijão, cabras, ovelhas e bois. O milagre da produção, na casa de Batista e Luzinéia, é fruto de ações simples. A principal: a criação de um barreiro, escavação feita na terra para reter a água da chuva.

A lavoura de milho de Batista, de meio hectare, plantada no final de fevereiro, tomou apenas 40 milímetros de chuva na safra atual. Mas deve render 480 quilos, número considerado bom para os padrões da região. Foi o barreiro quem garantiu duas irrigações para a lavoura. A pequena represa é feita em uma área alta próxima à lavoura, que também deve estar em um terreno inclinado. Quando falta chuva, a água do barreiro vai por meio de um encanamento até a lavoura, onde desce pelas curvas de nível molhando a terra. O milho plantado por Batista, assim como o sorgo, que também recebeu água do barreiro, serve para alimentar os animais na época da seca, quando o capim, castigado pelo sol e a falta de chuva, perde suas propriedades.

"Antes os bichos ficavam magrinhos na seca", diz Luzinéia, sobre as safras anteriores ao barreiro. Esse é, na verdade, um dos maiores desafios dos homens do campo do semi-árido: manter as criações de ovinos, bovinos e caprinos bem alimentadas durante o período de seca, que vai de agosto a outubro. Nessa época, a própria caatinga, que abastece os bichos, e o capim, minguam. O sertanejo tem usado, então, cada vez mais tecnologias difundidas por associações e instituições de pesquisa e ensino que trabalham com o semi-árido para manter suas criações e plantações vivas na seca. A confecção de feno e silagem, por exemplo, são dois exemplos. Os dois são feitos com plantas que florescem no período de chuvas, de novembro a março, e podem ser guardados para alimentar os animais na período seco.

Os dois processos não são novos, assim como o barreiro, mas foram aprimorados e o seu uso vem se difundindo entre os sertanejos. "Havia um conhecimento acumulado. Hoje este conhecimento foi associado à tecnologia", diz o chefe-geral da unidade Semi-Árido da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Pedro Carlos Gama da Silva, doutor em Economia Aplicada. A unidade da Embrapa fica em Petrolina, no estado de Pernambuco. O produtor Luzivaldo Leonardo de Macedo, do interior de Dormentes, cidade pernambucana, por exemplo, sabia da existência da silagem. Mas só aprendeu a fazê-la da forma correta no ano passado. Hoje é ela quem ajuda a manter as suas ovelhas gordinhas nos meses de seca.

Uma agricultura para a seca
Falar em "combater" a seca é hoje, no semi-árido brasileiro, quase um palavrão. Agora os homens dali estão aprendendo a "conviver" com a seca. Para pecuaristas e agricultores isso significa usar sementes mais adequadas ao clima, armazenar água da chuva para o período de escassez, complementar a alimentação animal na época da seca, investir nas culturas que se desenvolvem bem em lugar de sol forte e solo pouco fértil. Esse movimento pode ser percebido, no interior de Pernambuco e Piauí, em rápidas conversas com os pequenos produtores. O seu Pedro Cesário dos Santos, do interior de Petrolina, passou a desidratar a mandioca para dar aos animais. José Leonardo de Macedo, de Dormentes, começou a fazer silagem. José dos Santos, do interior de Afrânio, agora tem curva de nível na lavoura.

A Embrapa Semi-Árido vem trabalhando também lado a lado com os produtores para garantir colheitas de maior resultado na terra da caatinga. Milho, melancia, feijão, capim, girassol, sorgo. Todos estes produtos e outros ganharam variedades adaptadas para o semi-árido na Embrapa. Já é utilizada pelos produtores, por exemplo, uma variedade de milho chamada Caatingueiro cujo ciclo – do plantio à colheita - é de 90 dias. Por ser precoce precisa de um período menor de chuvas. Enquanto o milho convencional é colhido após 130 dias e precisa de chuvas até o seu 70º a 80º dia, o Caatingueiro precisa de chuvas até o seu 60º dia.

"Há uma série de alternativas tecnológicas que permitem conviver com o semi-árido de forma sustentável. O milho com ciclo mais curto garante a produção e diminui a pressão sobre os recursos naturais", diz Gama. O trabalho de instituições sociais, educativas e de pesquisa na região caminha para um mesmo lugar: fazer o homem viver cada vez melhor no semi-árido.

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16 de maio de 2008
Diferentes realidades
Você vai conhecer agora os finalistas da categoria Jornal.

Na matéria “Biomassa, fonte estratégica de energia” publicado no veículo Canal - O Jornal da Bioenergia, de Goiânia/GO, Evandro Bittencourt faz uma análise da importância e do enorme potencial da bioeletricidade. Ele mostra que a fonte de energia oriunda do setor sucroalcooleiro é uma alternativa para o déficit energético no Brasil, embora apenas 10% das usinas instaladas no país invistam em sua produção. A reportagem mostra o caso de cogeração na Usina Cerradinho, em Catanduva/SP.

A reportagem “Trabalhador rural foge do registro de carteira no nordeste” de Fernando Canzian para a Folha de S. Paulo procurou mostrar as distorções que os programas sociais do Governo Federal estão provocando no meio rural. Na Bahia, em região produtora de café, trabalhadores rurais evitam o registro em carteira assinada para não perderam a aposentadoria rural e por temerem ficar de fora do Bolsa Família. Grandes fazendas estão mecanizando a colheita por causa da distorção. “O problema poderia ser corrigido por Projeto de Lei que está parado no Congresso”, comenta o repórter especial, que viajou a Brejões/BA para realizar a matéria.

O trabalho “Mata Atlântica - Oásis do sertão” de Maristela Crispim para o Diário do Nordeste (Fortaleza/CE) trata da convivência do homem com as “ilhas” de Mata Atlântica no Ceará. Ao longo de 16 dias, a repórter percorreu 16 municípios do Estado para mostrar como anda a relação do homem com o que ainda resta de Mata Atlântica (matas úmidas) e ecossistemas associados (manguezais e restingas). Chamam atenção pequenas e, muitas vezes, isoladas iniciativas de cultivo agroflorestal ou orgânico, demonstrando que é possível uma convivência harmônica, que garanta desenvolvimento com sustentabilidade dos recursos naturais. Por outro lado, ainda percebe-se que a situação piorou em muitos pontos, com a intensificação de atividades agrícolas degradadoras.

Confira as matérias na íntegra a seguir.

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Postado por Massey Ferguson às 17:50 | 0 comentários 
“Mata Atlântica - Oásis do sertão”
Jornalista: Maristela Crispim
Veículo: Diário do Nordeste – Fortaleza/CE
Categoria: Jornal



CARIRI
APICULTURA AGROFLORESTAL E ORGÂNICA
Produção de mel ajuda a preservar o meio ambiente
Sem desmatar para implantar um grande número de colméias é possível ter preço e compradores certos

As condições de clima, umidade e fertilidade a partir da Mata Atlântica atraem muitos produtores rurais. Usualmente, eles utilizam os recursos naturais em práticas tradicionais que destróem o frágil equilíbrio desses sistemas e, ao mesmo tempo, seu potencial produtivo. Por outro lado, o que pode ainda ser considerado “trabalho de formiguinha” começa a render frutos e mais frutos em muitas regiões com essas características no Estado do Ceará.

Em Nova Olinda, município localizado a 545,4 quilômetros de Fortaleza, incluído na Área de Proteção Ambiental (APA) da Chapada do Araripe, atividades agroflorestais e também cultivos orgânicos começam a despontar como alternativa à produção tradicional, que garantem, ao mesmo tempo, sustentabilidade à atividade e preservação do meio ambiente.

Uma dessas iniciativas é a apicultura. No sítio Tabuleiro, José Val de Matos, 24 anos, já cuida sozinho das 30 colméias implantadas pelo seu pai. Acreditando no potencial da atividade, que ainda não atende aos rígidos padrões da produção orgânica, ele sonha conseguir, dentro de dois anos, a certificação. Para isso, pretende ingressar no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) Jovem.

Único em dez filhos a se interessar pelo cultivo, já participou de seis cursos e sabe que, apesar de agroflorestal, sua produção ainda precisa de incremento para entrar no mercado orgânico, agregando mais valor ao produto. “As colméias devem ser produzidas com madeira especial, não podem ser pintadas ou conter grampos”, explica, demonstrando desenvoltura no negócio. Ainda assim, a produção já tem comprador e preço certos, através da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que produz sachês para a abastecimento da merenda escolar.

Mel orgânico
Muitos produtores da região já conquistaram a certificação. Conforme o agente rural da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce) em Santana do Cariri, município vizinho a Nova Olinda, Ubiratan Alves de Barros, neste período do ano, assim como as abelhas, esses produtores migram para o sertão.

No Cariri, o auge da produção está concentrado entre os meses de setembro e dezembro, época da floração do cipó-uva, que produz um mel muito valorizado comercialmente por sua qualidade superior. Só em Santana, 49 produtores assistidos somam 3.650 colméias. Mas já existem aproximadamente 22 mil colméias em toda a Chapada.

Um dos compradores do mel orgânico na região é o paranaense Egon Harold Schelske, que trabalha atualmente com cerca de 300 produtores. Ele explica que, devido às normas dos orgânicos e também ao mercado nacional, sua empresa tem duas linhas de produção distintas, com 10 a 12% de diferença no preço. A orgânica é direcionada especialmente à exportação.

MANEJO POLÊMICO
APA do Araripe é degradada
A apreensão de lenha e carvão tem sido grande, mas não é o único problema ambiental na APA do Araripe
Um misto de ecossistemas envolve a Área de Proteção Ambiental (APA) da Chapada do Araripe. Na porção da Floresta Nacional (Flona), mais antiga Unidade de Conservação (UC) do tipo no Brasil, com 60 anos completados no ano passado, há presença de mata úmida, vegetação típica da Mata Atlântica, envolvendo os municípios de Santana do Cariri, Crato, Barbalha e Jardim, numa área de 38.262 hectares.

Mas a APA é muito mais extensa, formada por 38 municípios, 15 no Ceará, 12 em Pernambuco e 11 no Piauí, totalizando 1.063.000 hectares, incluindo outros ecossistemas associados à Mata Atlântica, como o cerradão e o carrasco.

Reside exatamente no tamanho a grande dificuldade de realizar o monitoramento e fiscalização de atividades degradadoras, segundo o chefe da Unidade Avançada do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) da Região do Cariri, Eraldo Oliveira.

Para ele, a concepção dos planos de manejo para a APA é perfeita, mas a execução, sem fiscalização, monitoramento e acompanhamento, acaba legalizando o desmatamento. “Pedi inquérito civil público na Procuradoria Geral da República há um ano, com mais de 600 documentos, denunciando o ´modus operandi´ na Chapada do Araripe”, conta.

Eraldo conta que a madeira apreendida no Ibama tanto inclui procedências clandestinas, quanto planos de manejo com uso indevido da documentação, de dezembro para cá, normalmente flagrada durante o transporte.

Entre outros problemas ambientais da região, o chefe do Ibama do Cariri inclui a extração mineral. “Além da utilização de produtos químicos, a atividade causa uma deformação no leito dos rios e acaba com as matas ciliares. Mas, como movimenta a economia local, estamos buscando, há três anos a sua regularização”, diz.

Eraldo cita, também, a pecuária extensiva e a agricultura tradicional, que desmatam e queimam a vegetação, como grandes responsáveis pela degradação dos recursos naturais na Região do Cariri.

“É grande a necessidade de políticas públicas para a garantia de um desenvolvimento agroflorestal. Em vez disso, vejo as prefeituras colocando tratores à disposição dos produtores para ararem a terra e vejo agricultores economizando o ano inteiro para comprar agrotóxicos”, declara.

Para ele, sem uma política consistente em relação ao meio ambiente nos municípios, a tendência é jogar tudo para cima do Ibama, que não dá conta de tantas atribuições.


MACIÇO DE BATURITÉ
VALE DA BIODIVERSIDADE
Cultivo agroflorestal e orgânico em Mulungu
A proposta do sítio, em Mulungu, na APA da Serra de Baturité, a 110 quilômetros de Fortaleza, é deixar a natureza agir

O comerciante Wagner Pedrosa Quintino e a publicitária Francimayre de Sousa Sabóia passaram um ano visitando propriedades no Maciço de Baturité até encontrarem uma adequada. Degradada pelo cultivo tradicional de hortas, cana-de-açúcar, café e banana, a terra estava abandonada há dez anos, o que barateou o preço e favoreceu o restabelecimento do ambiente natural.

O passo seguinte foi semear aleatoriamente e deixar a natureza cuidar do resto. “Caiu no chão, nasceu, a gente não arranca”, afirma Wagner, que não usa biofertilizantes ou defensivos naturais: “Se der praga, morre e nasce outra coisa”. Ele corta os troncos das bananeiras que caem e os coloca ao redor das mudas, garantindo umidade e nutrientes na estiagem. “Queremos provar que reflorestar dá mais dinheiro que desmatar´, diz. ´A nossa concepção de orgânico não é apenas ´sem agrotóxico´, mas uma produção que respeita o ambiente e o homem, sem colocá-lo no centro”, conclui, Mayre.

Seis anos depois, o Sítio Paraíso da Biodiversidade há quatro faz parte da Associação para o Desenvolvimento da Agropecuária Orgânica do Ceará (Adao), devidamente certificado, produzindo principalmente banana e café, mas também pato, galinha e ovos.

Além da agricultura orgânica, o casal adota o Sistema Agroflorestal e a permacultura, que une conhecimentos seculares à ciência moderna, para o desenvolvimento integrado da propriedade rural de forma viável e segura. A irrigação se dá por gravidade, sem uso de energia. Com a manutenção da vegetação, o fluxo de água foi aumentando até se estabilizar. A casa principal e a do caseiro passaram por reformas, respeitando o relevo e as plantas e utilizando materiais de demolição, numa proposta de propriedade autosustentável.


SERRA DA IBIAPABA
MUDANÇA NAS CULTURAS

Orgânicos da Ibiapaba para supermercados
Além de São Benedito, há produtores orgânicos ligados à Apoi em Carnaubal, Ibiapina e Ubajara

A Chapada da Ibiapaba há muito é cobiçada para a agricultura tradicional, com destaque para a cana-de-açúcar e o café, a princípio; partindo, depois, para a banana, hortaliças e, mais recentemente, flores. Tradicional, neste caso, significa desmatamento, queimadas e uso de agrotóxicos em grandes quantidades. Mas, com o apoio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), a situação começa a mudar.

Segundo o gerente de produtos da agricultura orgânica da Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), Hermínio Lima, há 12 produtores ligados à Associação dos Produtores Orgânicos da Ibiapaba (Apoi), cinco à Associação para o Desenvolvimento da Agricultura Orgânica (Adao) e mais a empresa Nutriorgânica produzindo; e outros iniciando. “Estamos mobilizando mais de 92 produtores, mas procuramos unificar a certificação para ampliar o mercado”, explica Cícero Diniz Vieira, agente rural master de agricultura orgânica da Ematerce na Ibiapaba.

Em São Benedito, a 315,4 quilômetros de Fortaleza, fica o Sítio Estiva, cultivado por Manuel Gomes da Silva, 44 anos. Em 12 hectares, produz grande variedade de verduras, legumes e frutas. Ele reconhece que o manejo não é fácil. “Eu economizo no veneno, mas emprego mais gente”, diz.

Por outro lado, preço, produção o ano inteiro e comprador certo são compensadores. Além da Apoi, que comercializa para redes de supermercado em Fortaleza, Sobral e Piauí, a produção é destinada a prefeituras, para merenda escolar, e, em breve, espera, para a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Como no manejo orgânico há exigência de quebra-ventos, evitando contato com culturas tradicionais, ele aproveita para plantar frutíferas, como a banana, e forrageiras para os animais. Também mantém intactas áreas de mata nativa e a vegetação em torno dos mananciais e pratica a rotação de áreas e culturas. Como defensivos, utiliza pimenta malagueta, alho, cravo-de-defunto, manipueira e nim; e no fermentado biológico, estrume de boi verde, cinza de madeira de casas-de-farinha ou engenhos, farinha de osso, rocha triturada e leite.

LITORAL OESTE
PROBLEMAS NOS MANGUEZAIS
Acaraú vive crise na pesca
Na localidade de Curral Velho, a comunidade se queixa da recente redução na disponibilidade do pescado

O Rio Acaraú, com um curso de 320 quilômetros, nasce na Serra do Machado, em Itatira, e lança-se ao Atlântico por meio de dois braços, no município de mesmo nome. Lá, comunidades pesqueiras se ressentem da queda da produtividade. Curral Velho, em particular, tem vivido, há alguns anos, em forte conflito com uma recente atividade econômica, a carcinicultura (criação de camarão em cativeiro).

Impactos
Além de dificultar o acesso dos pescadores e marisqueiras aos manguezais, em alguns pontos, a atividades tem provocado impactos no ecossistema durante a despesca, quando seus efluentes (resíduos líqüidos) são lançados nos estuários e gamboas (local, no leito dos rios, onde se remansam as águas, dando a impressão de lagos serenos), sem tratamento adequado, promovendo desequilíbrio no manguezal.

Estes impactos foram explicitados em relatório produzido por Grupo de Trabalho (GT), constituído pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), realizado em todo o Estado do Ceará, em 2004, e publicado em 2005.

Segundo a tesoureira da Associação Comunitária de Marisqueiras e Pescadores de Curral Velho, Maria do Livramento Santos, 43 anos, conhecida na região como Dona Mentinha, a comunidade é constituída por 484 famílias e cerca de 30 foram mais diretamente prejudicadas, com a implantação das fazendas de camarão, pela salinização da água e morte da vegetação.

Na área, segundo suas informações, foram implantadas cinco fazendas maiores e duas menores, uma delas já desativada. “Só não tem mais porque lutamos muito para a conservação do nosso espaço. No dia 7 de setembro de 2004 teve cinco baleados num conflito”, conta.

Para Dona Mentinha, as principais conseqüências da atividade na área foram o desmatamento e morte do manguezal, salinização da água e redução na pesca.

“Aqui teve conflito dentro da própria comunidade, porque muitos acreditaram que esses empreendimentos seriam bons para nós, porque iam trazer empregos. Realmente trouxeram, mas só na época da implantação”, relata.

Dona Mentinha conta que, em 2003, a Associação recebeu o Prêmio Marina Silva “Água bem comum gestão local”, como melhor comunidade lutadora em defesa do meio ambiente e contra a carcinicultura, pela Universidade do Vale do Acaraú (UVA). “Nós nem matamos e nem morremos, mas conseguimos impedir o avanço da carcinicultura”, afirma a marisqueira.

IniciativasUma das iniciativas da Associação para conter, não apenas o avanço da carcinicultura, mas da especulação imobiliária na praia, foi adotar uma norma de ninguém vender terra para pessoas de fora sem o conhecimento da comunidade.

Atualmente, o Centro de Educação Ambiental e Turismo Comunitário Encanto do Mangue, criado através de intercâmbio com uma igreja protestante européia, pretende dar um novo impulso à atividade comunitária.

A idéia é, ao mesmo tempo, garantir uma renda extra para a comunidade e desenvolver um turismo que contribua para o desenvolvimento local sustentável.

Além disso, está garantido o processo de inclusão digital dos jovens da comunidade, com acesso à Rede Mundial de Computadores (Internet), o que antes ficava caro e distante. Rafael dos Santos Honório, 17 anos, futuro instrutor, já está empolgado com as possibilidades descortinadas com a nova atividade.


LITORAL LESTE
ARACATI
Fazendas de camarão estão abandonadas
Equipamentos sucateados denunciam o abandono de muitos empreendimentos em Aracati

Na comunidade do Cumbe, em Aracati, município localizado a 140,7 quilômetros de Fortaleza, diversos tanques para criação de camarão estão abandonados, denunciando que a atividade, a princípio promissora, acabou não dando certo para muitos.

“A carcinicultura chegou aqui em 1996. Em 2002, veio um pacote tecnológico que trouxe uma espécie exótica e insumos, que acabaram interferindo na produtividade dos nossos manguezais”, afirma João Luís Joventino do Nascimento, 32 anos, professor e líder comunitário, filho de pescador e artesã.

Na época, 90% da comunidade vivia da cata de caranguejo e muitos deixaram a atividade para trabalhar na instalação os viveiros. “Mas, enquanto dez famílias vivem de um hectare de manguezal, as fazendas só precisam de duas pessoas para cuidar de um hectare”, diz.

Ele relata, ainda, que a cidade de Aracati é abastecida de água pelo Cumbe há cinco anos e que a instalação das fazendas iniciou um processo de salinização deste recurso. “Um estudo da Cacege (Companhia de Água e Esgoto do Ceará) e da Universidade Federal de Pernambuco constatou que, se a atividade continuasse da mesma forma, Aracati não teria mais água doce”, destaca.

Processo violento
Para Luciana Queiroz, assessora do Projeto Populações e Manguezais do Instituto Terramar, especialmente no Nordeste, onde se registram os níveis mais baixos de desenvolvimento humano, o cultivo de camarão se desenvolveu de forma mais agressiva, sob a alegativa da geração de emprego e renda. “Na realidade, assistimos a uma atividade de natureza exclusivamente econômica seguir as mesmas trilhas da destruição deixadas nos países por onde já passou”, ressalta.

Destaca que, além das ameaças de degradação ambiental ao ecossistema manguezal, a carcinicultura está associada a graves problemas sociais que incluem violação dos direitos humanos, violência, apropriação de terrenos públicos para uso particular, deslocamento de populações locais e conflitos sobre a posse da terra.


SERTÃO
ILHAS DE UMIDADE

Florestas sem proteção
Fragmentos considerados em mapeamento financiado pelo MMA continuam desprotegidos

Mapeamento da Mata Atlântica e Ecossistemas Associados no Ceará, financiado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), em 2004, incluiu fragmentos diminutos do bioma, muitas vezes impossíveis de serem detectados na imagem de satélite.

A Serra das Matas, com seus 21,29 hectares onde existem apenas fragmentos de mata úmida, mereceu destaque. O estudo concluiu que outrora toda a serra era recoberta com este tipo de vegetação, pela sua altitude, em média, superior a 700 metros. Até aquele momento, a Serras das Matas nunca tinha sido mencionada como área de ocorrência deste tipo de vegetação.

O próprio estudo sugeriu que as áreas com estes fragmentos de mata úmida encontrados fossem preservadas na forma de Unidades de Conservação (UCs) de uso restrito, antes que desaparecessem por completo e se perdessem um dos últimos redutos, na região, das espécies florestais deste tipo de vegetação, o que, infelizmente, ainda não ocorreu.

“Ilhas” de Mata Atlântica
Botânica e geógrafa, a professora aposentada pesquisadora da Universidade Federal do Ceará (UFC), Angélica Figueiredo, que participou do mapeamento de 2004, explica que, no Ceará, as florestas úmidas são consideradas, pela estrutura da vegetação e pelos elementos da flora, “ilhas” de Mata Atlântica disjunta da mais tradicionalmente conhecida no Brasil, que vai do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, próximo à faixa litorânea.

Segundo suas informações, estas florestas eram consideradas, no Ceará, nas serras cristalinas de Aratanha, Baturité, Maranguape, Meruoca e Uruburetama. As serras das Matas (Monsenhor Tabosa) e do Machado (Itatira), por apresentarem menores extensões, apenas o seu topo, só em 2004 foram mapeadas.

“Estas espécies podem ser consideradas em extinção, dadas as constantes retiradas da cobertura vegetal destas diminutas ´ilhas´, se considerarmos o todo cearense. A dilapidação deste patrimônio é hoje um capítulo triste na história do Ceará, que, em pouco tempo, não terá esta paisagem para lembrar”, alerta.

Entre as espécies da flora ameaçadas, a professora destaca: amarelão (Atalea ovata), bálsamo (Myroxilon peruiferum), potumuju (Centrolobium microchaetum), amarelo (Platymenia reticulata), jacarandá (Jacaranda jasminoides), visgueiro cearense (Parkia platycephala), visgueiro amazônico (Parkia pendula), faveira (Dimophandra gardneriana), mirindiba (Buchenavia capitata) e candeeiro (Vanillosmopsis arborea).
“Muitas outras podiam ser citadas. Esperamos que este caderno possa levar o conhecimento de um pouco da importância que têm as nossas florestas úmidas e que a população assuma a sua defesa”, diz.

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“Trabalhador rural ‘foge’ do registro em carteira no Nordeste”
Jornalista: Fernando Canzian
Veículo: Folha de S. Paulo - São Paulo/SP
Categoria: Jornal



Com medo de perder benefícios sociais, agricultores recusam emprego formal

Negativa em ser‘fichado’se dá tanto entre beneficiários do Bolsa Família quanto entre pessoas que esperam se aposentar mais cedo

Por medo de perder benefícios sociais pagos pelo governo, ou na esperança de conquistá-los, trabalhadores rurais no Nordeste estão se recusando a aceitar empregos com a carteira de trabalho assinada.

A recusa ocorre tanto entre beneficiários do Bolsa Família quanto entre os que querem entrar no programa. Também entre os que pretendem se aposentar mais cedo, pelo regime especial da Previdência – aos 55 anos no caso das mulheres e 60 anos no dos homens.

Em uma das maiores fazendas de café da Bahia, na Agribahia, a dificuldade em contratar mão-de-obra formal levou à substituição de 5.000 trabalhadores em safras passadas por colheitadeiras operadas por um único funcionário.

Hoje, a empresa contrata apenas cerca de 900 pessoas para fazer a colheita em áreas de declive, onde as máquinas correm o risco de tombar.

Mesmo assim, são necessárias iniciativas como anúncios em rádio e em carros de som em feiras para arregimentar gente disposta a ter a carteira assinada por três meses ou mais e ganhar, como base, um salário mínimo por mês.

Próximo à Agribahia, na fazenda Campo Grande, o administrador André Araújo, 27, diz precisar de 150 pessoas para a colheita, mas que só consegue 40 com registro em carteira.

O resultado é que o café acaba caindo de maduro do pé, com perda de qualidade. Por um café arábica “mole” que poderia valer R$ 300 a saca, a Campo Grande acaba recebendo R$ 200 pelo café “riado” catado depois no chão.

A agricultora Luciene Silva Almeida, 28, é uma das que fogem do registro em carteira. Ela trabalha ilegalmente na região de Brejões (281 km ao sul de Salvador), apesar da forte fiscalização da Delegacia Regional do Trabalho, que vem multando fazendeiros que contratam pessoal sem registro.

Mãe de dois filhos, Luciene quer pleitear o Bolsa Família e planeja se aposentar pelo regime especial da Previdência, aos 55 anos. Se ela for registrada, pode correr o risco de extrapolar os critérios que a tornam elegível ao Bolsa Família.

Isso também a tiraria da condição de futura “segurada especial”, tornando-a “assalariada rural”. A aposentadoria “especial” é um benefício social, já que o trabalhador não contribuiu com a Previdência.

Além de não poder mais se aposentar aos 55 anos, ela teria de contribuir por mais 13 anos para a Previdência e se aposentar só aos 60. Outra opção é esperar até os 65 anos e passar a receber, via Estatuto do Idoso, um salário mínimo por mês.

Foi o que aconteceu com Joselita Oliveira dos Santos, 57, que foi “fichada”por três meses há três anos. Ao tentar se aposentar aos 55 anos, teve o pedido recusado. “Agora não quero mais nenhum registro até conseguir me aposentar”, afirma.

Simone da Silva de Jesus, 27, que trabalha arregimentando pessoal para os fazendeiros, diz estar cada vez mais difícil encontrar gente disposta a ser “fichada”. “O pessoal do ‘Bolsa’ e
os mais velhos não querem.”

Sua irmã, Maria da Glória, 47, é uma delas. Mãe de cinco filhos, recebe R$ 80 do Bolsa Família e conta os dias para se aposentar aos 55 anos. “Nunca tive a carteira ‘fichada’. Não é agora que vou arriscar”, afirma.

Sindicatos de produtores rurais de Bom Jesus da Lapa (BA) e de Petrolina (PE) relatam o mesmo tipo de dificuldade.

O secretário de Previdência, Helmut Schwarzer, reconhece a existência do problema. A secretária Rosani Cunha, do Ministério de Desenvolvimento Social, diz que as “distorções” ocorrem por “desinformação”.

Já o Ministério do Trabalho promete manter “rigorosa fiscalização” no Nordeste.


Verba pública movimenta o Nordeste

Maioria dos beneficiários do Bolsa Família e dos aposentados rurais está na região

Sem emprego, beneficiários de programas sociais e aposentados são uma das principais fontes de renda nos municípios menores

O temor de perder benefícios sociais e a chance de se aposentar mais cedo estão piorando as condições de quem quer trabalhar no interior do Nordeste, principalmente na zona rural, e minando ainda mais a economia das pequenas cidades dependentes da agricultura.

Cerca da metade dos beneficiários do Bolsa Família do Brasil está concentrada no Nordeste, assim como a maioria dos brasileiros que têm renda até dois salários mínimos e dos aposentados rurais.

Isso faz com que o dinheiro público seja um dos principais motores da economia nordestina, onde o comércio cresce hoje em ritmo mais veloz que no resto do país.

Na cidade de Milagres, a 240 km ao sul de Salvador, o setor público e a BR-116, que tangencia o município, são as principais fontes de renda.

O maior empresário local, Raimundo Souza Silva, 52, é um exemplo da simbiose entre o público e o privado na região.

Silva é dono de cinco paradas para ônibus na região, de um posto de gasolina e de um hotel muito bem montado e limpo na beira da BR-116. Mas ele também já foi prefeito de Milagres duas vezes (pelo PFL) e hoje tem seu sobrinho, João Silva, como titular na prefeitura, segundo conta o filho de Raimundo, Conrado da Silva Neto, 27.

Tirando os funcionários públicos e os negócios de Raimundo Silva, sobram apenas bibocas na beira da estrada que vendem serviços para os viajantes.

Em Brejões, a 40km ao sul de Milagres, a Folha contou nove adultos dentro de uma casa visitada pela reportagem em plena tarde de uma quarta-feira.

A maioria dos presentes ou estava desempregada ou vive de benefícios sociais. “Não há nada para fazer por aqui. A gente fica olhando um para a cara do outro”, afirma Genivaldo Monteiro, 21, desempregado.

Do lado de fora, aposentados que passam o dia embaixo das árvores de uma pequena avenida conversando ou jogando são uma das principais fontes de renda do comércio.


Governo vê ‘desinformação’ aliada a ‘distorção absurda’

Previdência Social reconhece existência de problema entre os trabalhadores rurais

Ministério responsável pelo Bolsa Família afirma que é preciso investir mais em municípios para esclarecer beneficiários do programa

A trabalhadora rural Elieida de Oliveira, 27, nunca teve a carteira de trabalho assinada – e prefere continuar assim. Ela tem medo de perder os R$ 80 que recebe por mês do Bolsa Família para manter seus dois filhos, de 6 e 11 anos, na escola.

Elieida trabalha apenas em pequenas propriedades na região de Brejões, onde a fiscalização da Delegacia Regional do Trabalho é mais branda e onde fazendeiros ainda se arriscam a contratar pessoal ilegalmente.

Ela recebe entre R$ 4 e R$ 5 por caixa de café colhido no pé. Se trabalhar 30 dias durante o período da colheita (que dura de três a quatro meses) e colher uma caixa e meia por dia, ganhará R$ 225 no final do mês. Se tivesse o registro em carteira, receberia pelo menos R$ 350 por mês – e , mesmo assim, não perderia o benefício do Bolsa Família.

Elieida é casada com Manuel, que não pode trabalhar por causa de um sério problema na coluna. Com quatro membros na família, mesmo que ficasse registrada durante quatro meses em um ano, recebendo um total de R$ 1.400 (quatro salários mínimos) no período, Elieida continuaria elegível para Receber o Bolsa Família.

Já a trabalhadora rural Maria Miralva Monteiro, 54, afirma que teve bloqueado o benefício de R$ 50 ao mês que recebia do Bolsa Família meses depois de ter sido registrada durante quatro meses no ano passado.

Monteiro recomenda a todos os conhecidos no programa que evitem a “carteira fichada”.

Pelo critério do MDS (Ministério do Desenvolvimento Social), têm direito ao Bolsa Família as famílias com filhos com renda familiar per capita média inferior a R$ 120. No caso das sem filhos, são R$ 60.

Segundo trabalho de Luciana Jaccoud, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), de todos os trabalhadores com carteira assinada no país, cerca de 9% participam de algum programa de transferência de renda estatal. Isso significa que ter a carteira assinada não impede, necessariamente, de participar de um programa se a família continuar muito pobre.

Rosani Cunha, secretária de renda e Cidadania do MDS, atribui à “desinformação” entre os beneficiados do Bolsa Família casos como o de Elieida.

Ela afirma que tanto o MDS quanto os municípios (que administram na prática o programa) têm de investir mais para esclarecer melhor os direitos e os deveres dos beneficiados.

“É preciso destacar também que a renda proporcionada pelo Bolsa Família tem um forte impacto para a erradicação do trabalho insalubre e degradante”, diz Rosani.

Em 2006, o Bolsa Família atendeu 11,1 milhões de famílias e consumiu R$ 8,6 bilhões, incluindo gastos de gestão.


Previdência
No caso dos trabalhadores rurais que “fogem” do registro em carteira para poderem manter o direito de se aposentar aos 55 anos (mulheres) ou aos 60 anos (homens), o Ministério da Previdência reconhece o problema e o qualifica como “uma distorção absurda”.

Se o trabalhador tiver um único dia de carteira assinada, perderá a chance de se aposentar pelo regime especial e terá duas opções: contribuir por mais 13 anos seguidos ou esperar até 65 anos para se aposentar pelo Estatuto do Idoso (recebendo um salário mínimo).

“O trabalhador pede ‘pelo amor de Deus’ para não ser registrado”, afirma Helmut Schwarzer, secretário do Ministério da Previdência.

Para tentar corrigir essa distorção, o governo enviou ao Congresso em abril do ano passado o projeto de lei 6.852/06.

Pelo projeto, o agricultor que tiver registro em carteira por até 120 dias em um ano não perderá a chance de se aposentar aos 55 anos ou 60 anos (mulheres e homens, respectivamente). A medida ainda não foi a plenário e saiu do regime de urgência no final de 2006.

O peso do mínimo
O Nordeste é a região do Brasil que mais tem pessoas recebendo o salário mínimo e que concentra mais da metade dos aposentados rurais do país.

O grosso dos aposentados do setor agrícola, que se aposenta pelo regime especial da Previdência, nunca contribuiu diretamente com o sistema. Por isso, o salário mínimo que passa a receber depois de parar de trabalhar é considerado um benefício social.

Segundo cálculos do especialista em contas públicas Raul Velloso, o Brasil paga hoje cerca de 30 milhões de contracheques a pessoas incluídas em programas subsidiados ou fortemente subsidiados e indexados ao salário mínimo.

Entre 1987 e 2006, os gastos com esses benefícios saltaram 1.362%, de R$ 5,2 bilhões/ano para R$ 76 bilhões, o que ajuda a explicar a melhora na distribuição de renda, especialmente no Nordeste

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"Biomassa, fonte estratégica de energia"
Jornalista: Evandro Bittencourt
Veículo: Canal - O Jornal da Bioenergia – Goiânia/GO
Categoria: Jornal





Terceiro produto do setor sucroalcooleiro, a bioletricidade ganha mais importância com a expansão da cana e o déficit energético no brasil

O crescimento da área cultivada com a cana-de-açúcar apresenta-se como um vasto horizonte de oportunidades para a bioeletricidade. A expansão prevista até 2013, tempo necessário para construir as hidrelétricas do Rio Madeira, corresponde a 302 milhões de toneladas de cana e uma potência instalada de 7 mil megawats para a geração de energia no período seco do ano, mais que os aproximadamente 6 mil MW que serão geradas pelos dois empreendimentos no Estado de Rondônia.

Onório Katayama, assessor da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), ressalta que a bioeletricidade já é o terceiro produto do setor sucroalcooleiro e promove o efeito sinérgico de melhorar a competitividade do açúcar e do etanol brasileiro. A tecnologia da hidrólise e da celulose, que o mundo busca para produzir álcool, e a geração da bioeletricidade, ressalta Katayama, iniciam um processo para o fim da produção sazonal do setor, rompendo o paradigma atual.

Atualmente, aproximadamente 10% das usinas instaladas no Brasil produzem bioletricidade. Esse número, no entanto, vem crescendo com a instalação de novas e mais modernas unidades. Segundo Katayama, a cada dia observa-se um maior reconhecimento de que o aproveitamento do potencial da biomassa é importante. Em Goiás, das 16 usinas em funcionamento, 8 delas fazem a cogeração de energia, segundo informações do Sindicato da Indústria e do Álcool do Estado de Goiás (Sifaeg). Como o Estado tem sido visto como uma referência da expansão do setor sucroalcooleiro, observa-se o maior interesse dos empresários em investir na geração de eletricidade nos novos empreendimentos. Questionado pela reportagem do CANAL sobre o porcentual ainda reduzido de usinas que produzem bioletricidade no País, o assessor da União da Indústria de Cana-de-Açúcar diz que essa baixa adesão pode ser atribuída a uma questão cultural. "O setor gera energia elétrica há muito tempo para produzir açúcar e álcool e sempre houve restrição para que viesse a ser um gerador de energia elétrica para o sistema, pois no Brasil a hidroeletricidade sempre foi dominante."

Por serem geradoras de energia para autoconsumo, as usinas não dispunham de pessoal qualificado, tais como engenheiro elétrico. Essa responsabilidade ficava com um funcionário prático, que gerenciava uma tecnologia considerada simples, baseada em caldeiras de 21 quilos, com turbinas também rudimentares. E se alguém do setor elétrico entendia bem do assunto, prossegue, ele não tinha como propor o aumento de geração de energia a partir da biomassa. Para Katayama, agora é que começa a surgir essa oportunidade.

Falta de conhecimento sobre o setor
As usinas passaram a contratar engenheiros elétricos e a estruturar melhor o setor de cogeração apenas nos últimos anos. Nos encontros dos gerentes e responsáveis pelas indústrias há uma maior troca de informações e a cada dia cresce o entendimento de que aproveitar essa energia é importante.

As reservas de energia existentes, compara Katayama, “foram dadas pela natureza ou por Deus. A energia produzida pelo homem é a da biomassa, plantada e cultivada a cada ano. Eu diria que mais do que falta de incentivo há desconhecimento."

Onório Katayama lembra que o setor elétrico vivia a monocultura da hidroeletricidade e assim os técnicos a entendiam. Para ele, os técnicos da área de produção de eletricidade só agora começam a entender a importância de se aproveitar outras fontes de energia. "Costumo dizer que o setor sucroalcooleiro não conhece o setor elétrico e o setor elétrico também não nos conhece. Estamos engatinhando nessa discussão."

Legislação adequada
Segundo Onório, a Unica recebeu recentemente a visita do secretário executivo do Ministério das Minas e Energia para saber exatamente quais eram os problemas e o que precisava ser feito para viabilizar o aproveitamento dessa energia da biomassa.

Na oportunidade, foram apresentados os principais problemas enfrentados pelo setor sucroalcooleiro, tais como os relacionados à conexão e à legislação. Em Goiás, Katayama diz que também já houve uma reunião com representantes das Centrais Elétricas do Estado de Goiás (CELG) e que deverá ser elaborado um trabalho técnico para mostrar o que tem de ser feito de investimento e que também sirva como base para um trabalho para a mudança regulatória da legislação existente. "A legislação foi baseada num tempo em que a geração de energia no Brasil era feita de forma centralizada, através de grandes hidrelétricas. Essa energia gerada nas hidrelétricas saía em linha de transmissão de 500 kW, era ramificada para 230 kW e, quando chegava em 138 kW, já era linha de distribuição, pois não se imaginava que na ponta dessa linha de 138 kW haveria geração distribuída, como as usinas estão fazendo, assim como também estão surgindo pequenas centrais hidrelétricas."

O assessor da Unica diz que os representantes do setor propuseram à CELG fazer esse trabalho técnico, ajudar no esforço político e contratar uma consultoria. "A decisão de investimento do empresário tem de anteceder a construção do negócio, para que ele saiba se deve investir numa caldeira de baixa ou de alta pressão antes de começar. E se não há essa decisão, o que isso representa para o País? Representa que vai ser construída uma usina com equipamentos obsoletos, que terão uma vida útil menor e o empresário não vai gerar energia."

Para Katayama, o Brasil não pode se dar ao luxo de perder uma fonte energética estratégica como essa, ainda mais tendo em vista as alternativas atuais: fazer uma usina nuclear ou trazer energia do Rio Madeira, a milhares de quilômetros de distância dos principais centros consumidores.

Usina Cerradinho colhe frutos do investimento
A cogeração na Usina Cerradinho, em Catanduva (SP), começou em 2001, quando o Brasil, pela primeira vez, falava em racionamento de energia. A bioletricidade ainda era muito incipiente e a tecnologia de caldeiras de alta pressão pouco conhecida. A diretoria da indústria enxergou uma boa oportunidade de investir na produção, segundo José Fernandes, diretor administrativo e financeiro da usina, pois à época estava em início um processo de ampliação da indústria que se casaria perfeitamente com o investimento.

"Como já tínhamos que investir em vapor e trocar caldeiras, essa seria também uma forma de investir na usina e ter retorno com a energia." A Cerradinho foi uma das primeiras usinas, à época, a montar uma caldeira de alta pressão, de 62 toneladas, e a primeira a conseguir financiamento direto no Banco Nacional de Desenvolvimento Social.

O processo de obtenção de crédito de carbono foi iniciado em 2001 e em janeiro deste ano a usina recebeu quase 1, 5 milhão de euros, o que reafirmou o acerto do investimento. No ano passado, uma segunda ampliação na estrutura de cogeração aumentou a capacidade de produção de 29 megawats para 75 megawats - suficientes para abastecer uma cidade de 300 mil habitantes.

A indústria sucroalcooleira, afirma, tem uma grande quantidade de energia para oferecer. "Existe uma capacidade instalada por volta de 20 mil megawats em todo o País e o aproveitamento tem sido muito pouco. Acredito que a capacidade utilizada atualmente não ultrapasse 2 mil megawats." A capacidade de produção está muito próxima dos centros consumidores, o que dispensa maiores investimentos em linhas de transmissão. Além disso, não haveria problemas ambientais, destaca José Fernandes.

Uma solução em tempos de ameaça de colapso
O País cresce, o mundo discute soluções para o desenvolvimento sustentável, o setor de energia corre o risco de entrar em colapso e a produção de etanol vive um boom sem precedentes. Apesar de todos esses fatores, o governo fecha os olhos para uma área absolutamente relevante diante da conjuntura do País: a cogeração de energia elétrica a partir do bagaço da cana.

Sem uma política de financiamentos atrativa e desestimulados pelos baixos preços pagos pela energia de biomassa nos leilões da Aneel, alguns empresários do setor sucroalcooleiro não incluíram investimentos em cogeração nas novas usinas que estão sendo construídas.

"O empresário não deve ficar focado apenas na produção de álcool. A biomassa está aí, mas precisamos de uma política pública de incentivos", afirmou o presidente da Câmara Setorial do Açúcar e Álcool, Luiz Carlos Corrêa de Carvalho, diretor da Usina Alto Alegre e da consultoria Canaplan.

Como analista do setor, Carvalho enxerga grande possibilidade de expansão da cogeração no País, em função do crescimento da área plantada de cana, da produção de álcool e, conseqüentemente, do bagaço. O assunto foi discutido na Câmara do Açúcar e Álcool do Ministério da Agricultura e acenou-se para melhores condições de financiamento das caldeiras de alta pressão, indispensáveis para a cogeração, mas elas não foram consideradas satisfatórias. Também o preço pago pela energia não anima os empresários. Nos leilões da Aneel eles têm girado em torno de R$ 120 reais por megatt, enquanto o ideal seria o preço de R$ 150/MW para garantir um retorno de 15%.

Biomassa é alternativa à energia nuclear
A biomassa torna-se mais importante no momento em que se anuncia a polêmica retomada das obras da Usina Nuclear de Angra 3, projeto que encontra discordâncias dentro do próprio governo, por causa de seu custo ambiental e também pelo fato da energia nuclear já ser considerada ultrapassada por alguns setores.

As vantagens da biomassa obtida a partir do bagaço da cana são enormes, a começar pelos benefícios ambientais: ao contrário dos combustíveis fósseis, a utilização do bagaço reduz a emissão de gás carbônico para a atmosfera, pois o CO2 liberado na combustão de biomassa é absorvido pelas plantas durante a fotossíntese. Complementarmente, o processo ajuda no aproveitamento dos resíduos da cana. Além disso, o uso dessa energia alternativa permite a descentralização da geração de energia e o uso de equipamentos e combustível genuinamente nacionais.

A posição geográfica em que estão instaladas as usinas de cana-de-açúcar e o período de safra são outros pontos favoráveis, pois as usinas se localizam, em maior número, na região de maior consumo do País e o pico da safra coincide com a seca, quando o nível dos reservatórios das hidrelétricas diminui muito.

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13 de maio de 2008
Foco na diversidade
"Creio que ninguém fotografe pensando em ganhar prêmio, ele é apenas conseqüência do trabalho bem desenvolvido e feito para o bem comum, principalmente em se tratando de um trabalho de responsabilidade social com o homem do campo, trabalho esse que tem a finalidade de resgatar a dignidade e auto-sustentabilidade de uma comunidade", diz o finalista Edimar Soares, do jornal O Povo, de Fortaleza.

Ele concorre com os gaúchos Nereu de Almeida, do jornal Pioneiro, de Caxias do Sul e Tadeu Vilani, da Zero Hora, de Porto Alegre.

Na foto “Estrada da Vida”, publicada no volume II do especial Nordeste Gaúcho do jornal Pioneiro, Nereu de Almeida capta um belo e verde cenário à margem da BR-285, na cidade de Muitos Capões, para mostrar os avanços da histórica reivindicação da pavimentação da rodovia.

Vencedor da 6ª edição do Prêmio pelo jornal Zero Hora de Porto Alegre, Tadeu Vilani concorre este ano com o trabalho “Decolagem Agrícola”. A foto ilustrou matéria sobre o bom momento da aviação agrícola no Brasil, cujo setor vem registrando aumento de 30% desde o ano 2000.

A produtividade e diversidade dos campos brasileiros foi o tema proposto para a categoria nesta edição do Prêmio. Confira os trabalhos finalistas da categoria Fotojornalismo:

“Estrada da Vida”, de Nereu de Almeida, Jornal Pioneiro - Caxias do Sul/RS


“Agricultura Familiar na busca por mais recursos e tecnologia”, de Edimar Soares, Jornal O Povo - Fortaleza/CE


“Decolagem Agrícola”, de Tadeu Vilani, Jornal Zero Hora - Porto Alegre/RS

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Conheça os trabalhos finalistas
A partir de hoje você terá a oportunidade de conhecer, aqui no blog, os trabalhos finalistas do 7° Prêmio Massey Ferguson de Jornalismo. Ao longo do mês, vamos mostrar os três indicados em cada uma das cinco categorias. Acompanhe os posts e não deixe de dar a sua opinião na caixa de comentários. A primeira categoria a ter seus trabalhos exibidos será Fotojornalismo. Confira, escolha seus favoritos e fique na torcida.

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Postado por Massey Ferguson às 09:59 | 0 comentários 
30 de abril de 2008
Divulgados os finalistas
Já estão definidos os finalistas desta edição do Prêmio Massey Ferguson de Jornalismo. O anúncio foi feito hoje durante encontro com a imprensa na Agrishow, em Ribeirão Preto/SP. Jornalistas de todo o Brasil estiveram na área de test drive da marca e tiveram a oportunidade de operar os tratores e colheitadeiras Massey Ferguson.

O diretor de marketing da Massey Ferguson, Fábio Piltcher, apresentou os finalistas com o auxílio de uma das juradas, a jornalista Valéria Ribeiro Isola, assessora de imprensa da ABAG - Associação Brasileira de Agribusiness. A festa de entrega está prevista para junho na capital paulista.








O júri da sétima edição foi formado por:

Aluizio Lessa Coelho - publicitário e pecuarista de Campo Grande/MS. Criador do projeto Santa Mônica Genetron, de melhoramento genético bovino;
Cecilia Fagan da Costa - gerente do GV Agro - da Fundação Getúlio Vargas;
Décio Zylberstajn - professor do Departamento de Administração da USP e coordenador do PENSA – Centro de Conhecimento em Agronegócio;
Roberto Menezes Rodrigues - jornalista, professor de telejornalismo no UniCEUB, de Brasília;
Valéria Ribeiro Isola - jornalista, assessora de imprensa da ABAG - Associação Brasileira de Agribusiness.

Confira os finalistas:

CATEGORIA TV

Trabalho: “O Cerrado no picolé”
Jornalista: César Dassie
Veículo: Globo Rural – TV Globo - São Paulo/SP

Trabalho: “Cana, combustível do Brasil”
Jornalista: Dirceu Martins
Veículo: EPTV- Ribeirão Preto/SP

Trabalho: “Guaraná da Amazônia”
Jornalista: Priscila Brandão
Veículo: Globo Rural – TV Globo - São Paulo/SP

CATEGORIA INTERNET

Trabalho: “O alimento que brota da seca”
Jornalista: Isaura Daniel
Veículo: ANBA – Agência de Notícias Brasil Árabe - São Paulo/SP

Trabalho: “Café - 2006 o ano do produtor”
Jornalista: Lessandro Carvalho e Fábio Rübenich
Veículo: Agência Safras – Porto Alegre/RS

Trabalho: “Algodão - Agência Safras traça o mapa do bicudo no Brasil”
Jornalista: Rodrigo Ramos
Veículo: Agência Safras - Porto Alegre/RS

CATEGORIA FOTOJORNALISMO

Trabalho: “Estrada da Vida”
Jornalista: Nereu de Almeida
Veículo: Jornal Pioneiro - Caxias do Sul/RS

Trabalho: “Agricultura Familiar na busca por mais recursos e tecnologia”
Jornalista: Edimar Soares
Veículo: Jornal O Povo - Fortaleza/CE

Trabalho: “Decolagem Agrícola”
Jornalista: Tadeu Vilani
Veículo: Jornal Zero Hora - Porto Alegre/RS

CATEGORIA JORNAL

Trabalho: “Biomassa, fonte estratégica de energia”
Jornalista: Evandro Bittencourt
Veículo: Canal - O Jornal da Bioenergia – Goiânia/GO

Trabalho: “Trabalhador rural foge do registro de carteira no nordeste”
Jornalista: Fernando Canzian
Veículo: Folha de S. Paulo - São Paulo/SP

Trabalho: “Mata Atlântica - Oásis do sertão”
Jornalista: Maristela Crispim
Veículo: Diário do Nordeste – Fortaleza/CE

CATEGORIA REVISTA

Trabalho: “O legado da ciência”
Jornalista: Antonio Carlos Moreira
Veículo: Panorama Rural – São Paulo/SP

Trabalho: “O fardo do passado”
Jornalista: Bety Costa
Veículo: Panorama Rural – São Paulo/SP

Trabalho: “O Brasil que conta”
Jornalista: Martha Baptista
Veículo: Produtor Rural – Cuiabá/MT

Agora é continuar torcendo e acompanhar por aqui as novidades.

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25 de abril de 2008
Fase final
Os participantes já receberam e-mail confirmando suas inscrições e os trabalhos já foram analisados pelo júri. A divulgação dos finalistas vai acontecer na Agrishow, em Ribeirão Preto, em coletiva de imprensa, no dia 30 de abril. São R$ 40 mil em prêmios para as cinco categorias concorrentes: TV, Internet, Fotojornalismo, Revista e Jornal. Agora é só ficar na torcida.

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4 de março de 2008
A consagração

Na 6ª edição, em 2007, o prêmio consagra-se como referência de qualidade para o jornalismo rural brasileiro com significativa participação da imprensa nacional que cobre o setor. Jornalistas de 15 estados brasileiros concorreram ao prêmio. São Paulo liderou com 52 inscrições, seguido do Rio Grande do Sul com 43 e Paraná com 13. Os estados da Bahia, Pernambuco, Pará, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Ceará, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Distrito Federal, Rio Grande do Norte e Amazonas também participaram. Foram 148 inscrições no total .

Os vencedores da 6ª edição:

Categoria Televisão: Helen Martins - TV Globo / Globo Rural - São Paulo/SP
Categoria Rádio: Paulo Augusto Vieira - Rádio Itaquerê FM
Categoria Jornal: Carlos Etchichury e Nilson Mariano - jornal Zero Hora
Categoria Revista: Cristine de Andrade Pires - A Granja
Categoria Internet: Isaura Daniel - Agência de notícias Brasil-Árabe (ANBA)
Categoria Fotojornalismo: Luis Tadeu Vilani - jornal Zero HoraPOS
Prêmio Destaque Jornalismo Rural Brasileiro: José Hamilton Ribeiro – Globo Rural /TV Globo

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3 de março de 2008
Safra recorde

O aumento no número de inscritos a cada edição comprova que o conceito e a iniciativa da premiação são acertadas. A quinta edição, em 2006, teve participação recorde, com 228 trabalhos inscritos – 82 a mais que a edição anterior. Jornalistas de sete estados brasileiros concorreram ao prêmio – Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Ceará.

Ganharam o 5° Prêmio Massey Ferguson de Jornalismo os profissionais:

Categoria Televisão: Ricardo Azeredo - TV Band RS
Categoria Rádio: Leandro Olegário - Rádio Bandeirantes – AM 640
Categoria Jornal: Franco Iacomini Jr e Rogério Galindo - Gazeta do Povo
Categoria Revista: Cristine Pires - A Granja
Categoria Internet: Fernanda Aldabe - Agência Radioweb
Categoria Fotojornalismo: Ricardo Wolfenbüttel - Jornal Pioneiro
Prêmio Destaque Jornalismo Rural Brasileiro: Suplemento Agrícola - Jornal o Estado de S. Paulo

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28 de fevereiro de 2008
Não paramos de crescer...

Em 2005, a quarta edição mostrou a maturidade da premiação. Foram 146 trabalhos inscritos nas seis categorias. Cerca de 90 jornalistas, de 46 veículos de 13 estados do país disputaram os prêmios. São Paulo foi o estado com o maior número de inscrições – 68, seguido do Rio Grande do Sul com 44 trabalhos inscritos e Santa Catarina e Goiás, com seis inscrições cada um. Nesta edição, o prêmio teve um único valor: R$ 8 mil.

Confira os vencedores da 4ª edição, ou melhor, as vencedoras:

Categoria Televisão: Helen Martins e equipe - programa Globo Rural da TV Globo
Categoria Rádio: Ana Lucia Kist - Rádio Rural/Brasília.
Categoria Jornal: Manoella Monteiro e Rita Célia Faheina - Jornal O Povo
Categoria Revista: Cristine Pires - Revista A Granja
Categoria Internet: Jane Miklasevicius e equipe - Agência Estado
Categoria Fotojornalismo: Daniela Xu - Jornal PioneiroPrêmio Destaque Jornalismo Rural Brasileiro: Caderno Campo & Lavoura do Jornal Zero Hora

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26 de fevereiro de 2008
Clic premiado

A terceira edição, em 2004, ganhou uma nova categoria: Fotojornalismo, com o objetivo de premiar o talento de quem sabe olhar e captar o trabalho do homem do campo. O 3º Prêmio Massey Ferguson de Jornalismo contou com 110 trabalhos inscritos.

Os prêmios foram para:

Categoria Televisão: Helen Martins - programa Globo Rural da TV Globo
Categoria Rádio: Leandro Staudt - Rádio Gaúcha
Categoria Jornal: Niza Souza - O Estado de S. Paulo/Suplemento Agrícola
Categoria Revista: André Luís Bersano - Revista Agrinova
Categoria Internet: Vanda Maria Araújo - Agência Safras
Categoria Fotojornalismo: Nauro Júnior - jornal Zero Hora
Prêmio Destaque Jornalismo Rural Brasileiro: Programa Globo Rural da TV Globo

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25 de fevereiro de 2008
Segue o baile
Em 2003, a segunda edição do Prêmio Massey Ferguson de Jornalismo ganhou mais uma categoria – Internet – e a então categoria Impresso foi subdividida em Revista e Jornal. Foram inscritos 74 trabalhos. Os prêmios variavam de R$ 5 mil a R$ 8 mil, conforme a categoria. A festa, na Associação Leopoldina Juvenil, em Porto Alegre, contou com apresentação do ator Werner Schünemann e show da Hard Working Band.

Os vencedores foram:

Categoria Televisão: Marcelo Lara - Canal Rural
Categoria Rádio: Milena Schoeller - Rádio Bandeirantes AM do Rio Grande do Sul
Categoria Jornal: Tatiana Cristina Favaro - O Estado de S.Paulo/Suplemento Agrícola
Categoria Revista: Maristela Teixeira Franco - Revista DBO
Categoria Internet: Fátima Cardoso e equipe - Agrocast / Agência Estado (SP)
Prêmio Destaque Jornalismo Rural Brasileiro: Revista A Granja

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Postado por Massey Ferguson às 18:37 | 0 comentários 
22 de fevereiro de 2008
Os pioneiros
Equipe do Canal Rural comemora primeira Homenagem Especial do Júri

A primeira edição do Prêmio Massey Ferguson de Jornalismo, em 2002, teve três categorias – televisão, rádio e impresso. A iniciativa contou com 34 trabalhos inscritos que concorreram a prêmios no valor de R$ 5 mil cada.

Os primeiros vencedores foram:

Categoria Televisão: Afonso Mônaco - Rede Bandeirantes de São Paulo
Categoria Rádio: Lizemara Prates - Rádio Guaíba
Categoria Impresso: Antônio Carlos Moreira - Revista Panorama Rural
Prêmio Destaque Jornalismo Rural Brasileiro: Canal Rural

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Postado por Massey Ferguson às 14:59 | 0 comentários 
19 de fevereiro de 2008
O jornalismo em destaque
José Hamilton Ribeiro na festa de premiação da 3ª edição do Prêmio,
quando foi finalista na categoria TV


Além de premiar nas cinco categorias - jornal, fotojornalismo, revista, TV e internet – o Prêmio Massey Ferguson de Jornalismo confere uma distinção especial. É a Homenagem Especial do Júri - Destaque Jornalismo Rural Brasileiro, que escolhe um jornalista, programa, veículo ou entidade de notória contribuição para o desenvolvimento, promoção e valorização do jornalismo rural brasileiro para ser homenageado. Como o nome já diz é uma atribuição e escolha da comissão julgadora.

Na última edição, a premiação foi dada ao jornalista José Hamilton Ribeiro, que atua há mais de 25 anos no programa Globo Rural da TV Globo como editor e repórter. Foi uma decisão unânime do júri, formado por Ercy Thorma, Antônio Silveira Goulart, Leo Flôres Vieira Nunes, Antônio Lilles, Antonio Augusto Ribeiro de Magalhães Filho e José Coral.

A homenagem, segundo a ata da comissão julgadora, se deu pelo conjunto de seu trabalho, "sempre desenvolvido com paixão e que o levou a conquistar respeito e credibilidade no setor primário brasileiro (...). Apesar de suas dificuldades físicas, o jornalista tem percorrido o interior do Brasil e produzido matérias de grande repercussão nacional”. A saber: em 1968, o jornalista perdeu uma perna ao pisar em uma mina terrestre quando cobria a Guerra do Vietnã.

Impedido de vir a Porto Alegre para receber a homenagem, por motivo de saúde, José Hamilton foi representado pelo jornalista gaúcho Leonardo Vargas, que está escrevendo um livro sobre ele.

Confira aqui o perfil de José Hamilton feito pelo jornalista Roberto Vilar para a edição 90 da revista Campo Aberto, publicação da Massey Ferguson.

Abaixo, os ganhadores do Destaque Jornalismo Rural Brasileiro, desde a primeira edição:

2002: Canal Rural
2003: Revista A Granja
2004: Programa Globo Rural da TV Globo
2005: Caderno Campo & Lavoura do Jornal Zero Hora
2006: Suplemento Agrícola - Jornal O Estado de S. Paulo
2007: jornalista José Hamilton Ribeiro

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Postado por Massey Ferguson às 21:33 | 1 comentários 
Como participar
Troféu exclusivo criado pela artista plástica Ana Simone


Com a premiação, a Massey Ferguson destaca a qualidade do jornalismo no setor do agronegócio no país. Nesta edição, os jornalistas podem participar do concurso inscrevendo até três trabalhos realizados em língua portuguesa, publicados em veículos brasileiros no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2007, com temas relativos ao setor rural e à agricultura brasileira. As categorias são jornal, fotojornalismo, revista, TV e internet.

Os trabalhos concorrem a prêmios no valor único de R$ 8.000 (oito mil reais), além de troféu exclusivo e diplomas. Na etapa classificatória são selecionados 3 finalistas em cada categoria. Os finalistas são convidados a participar da festa de premiação, com data e local a serem definidos posteriormente. As inscrições seguem até 1° de março de 2008.

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