30 de março de 2009
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3 de julho de 2008
Quem é quem
Veja o momento da entrega dos troféus e reveja as matérias vencedoras:

Isaura Daniel, da Agência de Notícias Brasil-Árabe-ANBA, recebe o troféu de Luiz Ghiggi, Vice-Presidente de Engenharia da AGCO

Clique e conheça o trabalho “O alimento que brota da seca”, vencedor na categoria Internet

Rasso Von Reininghaus, Vice-Presidente de Operações Comerciais da AGCO América do Sul e Priscila Brandão, do programa Globo Rural, da TV Globo.

Clique e conheça o trabalho “Guaraná da Amazônia”, vencedor da categoria TV.

Bety Costa, da Panorama Rural, recebe o troféu de Duílio De La Corte, Diretor de Exportação da Massey Ferguson.

Clique e conheça o trabalho “O fardo do passado”, vencedor da categoria Revista.

Fábio Piltcher, diretor de Marketing da Massey Ferguson e Edimar Soares, do jornal O Povo, de Fortaleza

Clique e conheça o trabalho “Agricultura Familiar na busca por mais recursos e tecnologia”, vencedor da categoria Fotojornalismo.

Mauro Zafalon, editor de agronegócio da Folha de S. Paulo, representando o vencedor Fernando Canzian, recebe o troféu de Carlito Eckert, Diretor de Operações Comerciais da Massey Ferguson.

Clique e conheça o trabalho “Trabalhador rural foge do registro de carteira no nordeste”, vencedor da categoria Jornal.

André Carioba, Vice-Presidente AGCO América do Sul entrega o troféu Destaque AGCO de Jornalismo Rural Brasileiro aos representantes da Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisas Agronômicas, Luis Gomes de Souza, assessor da Presidência e Edílson Fragale, chefe do departamento de Comunicação da entidade.

Essa distinção homenageia um jornalista, programa, veículo ou entidade que, de alguma forma, tenha contribuído para o desenvolvimento, promoção e valorização do jornalismo rural. Os critérios para esta distinção são de livre arbítrio dos jurados, já que não há inscrições para esse destaque.

Em reunião realizada em 24 de abril de 2008, na sede da Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, em São Paulo, a comissão julgadora foi unânime na escolha da organização pela sua relevante atuação em prol do setor primário do país, a partir de um trabalho desenvolvido com seriedade e competência.

O júri da sétima edição do Prêmio Massey Ferguson de jornalismo foi formado pelos seguintes profissionais: o publicitário e pecuarista Aluizio Lessa Coelho; Cecilia Fagan da Costa, gerente do GV Agro - da Fundação Getúlio Vargas; Décio Zylberstajn, professor do Departamento de Administração da USP e coordenador do PENSA – Centro de Conhecimento em Agronegócio; o professor de telejornalismo no UniCEUB, de Brasília, Roberto Menezes Rodrigues e a assessora de imprensa da ABAG - Associação Brasileira de Agribusiness, Valéria Ribeiro Isola.

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2 de julho de 2008
Conheça os vencedores
Os vencedores da 7ª edição Prêmio Massey Ferguson de Jornalismo foram finalmente conhecidos em uma noite de festa, prestigiada por finalistas, jornalistas do setor, diretoria da Massey Ferguson e da AGCO, entre outros convidados.

Com apresentação da jornalista Millena Machado, a entrega aconteceu na Casa da Fazenda do Morumbi, em São Paulo, ontem à noite.

Os escolhidos são Isaura Daniel, da Agência de Notícias Brasil-Árabe, na categoria Internet; Priscila Brandão, da Rede Globo, na categoria TV; Bety Costa, da Panorama Rural, na categoria Revista; Edimar Soares, do jornal O Povo na categoria Fotojornalismo; e Fernando Canzian, da Folha de S. Paulo, na categoria Jornal. Cada um recebeu prêmio único no valor de R$ 8 mil.

Foi entregue também o troféu Destaque AGCO de Jornalismo Rural Brasileiro, distinção que homenageia um jornalista, programa, veículo ou entidade que, de alguma forma, tenha contribuído para o desenvolvimento, promoção e valorização do jornalismo rural. Os critérios são de livre arbítrio da comissão julgadora, que foi unânime na escolha da EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisas Agronômicas, pela sua relevante atuação ao longo de 35 anos. A entidade foi representada por Luis Gomes de Souza e Edílson Fragale.


Confira alguns momentos e acompanhe aqui no blog a cobertura do evento.

Público confere atento o anúncio dos vencedores


Millena Machado comandou a noite de festa


Priscila Brandão, Bety Costa, Mauro Zafalon (representando Fernando Canzian), Edimar Soares, Isaura Daniel, Luis Gomes de Souza e Edílson Fragale



Izzy Gordon e banda embalaram o jantar para 150 convidados

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24 de junho de 2008
Entrega dos troféus
Está chegando a hora: a festa de premiação do 7º Prêmio Massey Ferguson de Jornalismo acontece na próxima semana, em São Paulo. Na noite de 1° de julho, a Casa da Fazenda será palco para o anúncio dos grandes vencedores em cada uma das cinco categorias – TV, Fotojornalismo, Jornal, Revista e Internet.

Será uma noite de confraternização para homenagear o talento e a dedicação dos profissionais que cobrem o agronegócio brasileiro. Os 15 finalistas são convidados especiais do Prêmio e serão recepcionados em jantar para cerca de 150 pessoas, entre jornalistas, júri e diretoria da Massey Ferguson.

Confira novamente todos os finalistas clicando neste link e não deixe de conhecer todos os trabalhos concorrentes aqui mesmo no blog. Com a premiação, a Massey Ferguson destaca a qualidade do jornalismo no setor e distribui premiação total no valor de R$ 40 mil.

A festa acontece a partir das 20h30min. A Casa da Fazenda fica na Av. Morumbi, 5544 - São Paulo, capital.

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10 de junho de 2008
Frutas do Cerrado, o guaraná da Amazônia e a cana do sudeste brasileiro
O programa Globo Rural, da TV Globo, marca presença na final do Prêmio com dois trabalhos - "O Cerrado no picolé", de César Dassie e "Guaraná da Amazônia", de Priscila Brandão. O terceiro concorrente é o jornalista Dirceu Martins, da EPTV, de Ribeirão Preto/SP.

Bacupari, cagaita, gabiroba, mamacadela, mangaba, buriti. Para contar a história dessas frutas nativas do cerrado brasileiro, o repórter César Dassie pega uma carona com o mestre sorveteiro Clóvis José de Almeida pelo interior de Goiás. Ele é responsável por transformar os sabores do cerrado em picolé e ajudar na preservação das espécies, cada vez mais escassas por conta da destruição do cerrado. O trabalho "O Cerrado no Picolé" tem imagens de Jorge Santos.

Em "Guaraná da Amazônia", a repórter Priscila Brandão mostra o fruto que dá sabor a um dos refrigerantes mais populares do país. Ela vai até Maués, no Amazonas, a terra do guaraná, para mostrar o legado dos índios saterês-maués, que deu origem a forma atual de cultivar e consumir a planta. As etapas do beneficiamento do fruto, toda feita artesanalmente pelos pequenos produtores locais, e até o artesanato feito com o guaraná são apresentados na reportagem.

O repórter Dirceu Martins percorre os canaviais do sudeste brasileiro para investigar os caminhos do etanol. Na reportagem “Cana, combustível do Brasil”, ele apresenta o panorama das plantações e das novas tecnologias. Especialistas explicam as mudanças na geoeconomia mundial e a preocupação de preservar o meio ambiente em meio a evolução do cultivo da planta.

Assista a seguir as matérias na íntegra.

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"Guaraná da Amazônia"
Jornalista: Priscila Brandão
Veículo: Globo Rural – TV Globo - São Paulo/SP
Categoria: TV

A reportagem de Priscila Brandão e Sandro Queiroz mostra o fruto que dá sabor a um dos refrigerantes mais populares do país. Eles foram até Maués, no Amazonas, a terra do guaraná, para mostrar o legado dos índios saterês-maués, que deu origem a forma atual de cultivar e consumir a planta. As etapas do beneficiamento do fruto, toda feita artesanalmente pelos pequenos produtores locais, e até o artesanato produzido com o guaraná são apresentados na reportagem.





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"O Cerrado no picolé"
Jornalista: César Dassie
Veículo: Globo Rural – TV Globo - São Paulo/SP
Categoria: TV

Bacupari, cagaita, gabiroba, mamacadela, mangaba, buriti. Para contar a história dessas frutas nativas do cerrado brasileiro, o repórter César Dassie pega uma carona com o mestre sorveteiro Clóvis José de Almeida pelo interior de Goiás. Ele é responsável por transformar os sabores do cerrado em picolé e ajudar na preservação das espécies, cada vez mais escassas por conta da destruição do cerrado. Imagens de Jorge Santos.



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"Cana, combustível do Brasil"
Jornalista: Dirceu Martins
Veículo: EPTV- Ribeirão Preto/SP
Categoria: TV

O repórter Dirceu Martins percorre os canaviais do sudeste brasileiro para investigar os caminhos do etanol. Na reportagem que você vê a seguir ele apresenta o panorama das plantações e das novas tecnologias. Especialistas explicam as mudanças na geoeconomia mundial e a preocupação de preservar o meio ambiente em meio a evolução do cultivo da planta.

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30 de maio de 2008
Diferentes facetas do Brasil na categoria Revista
A revista Panorama Rural emplacou dois trabalhos na final desta edição do Prêmio. São eles: “O legado da Ciência”, de Antônio Carlos Moreira com colaboração de Julyana Troya e Marlene Simarelli, e a matéria “O fardo do passado”, de Bety Costa. A revista Produtor Rural completa o trio de finalistas com o trabalho “O Brasil que conta”, de Martha Baptista.

Em “O legado da Ciência”, Antônio Carlos Moreira mostra que graças às pesquisas os campos brasileiros se tornaram um “vigoroso celeiro de novas tecnologias”. O conhecimento agropecuário produzido por estudiosos e centros de pesquisas trouxeram, ao longo dos anos, não só avan¬ços tecnológicos que transformaram o país em líder mundial em agri¬cultura, mas ganho de produtividade e aumento de consumo que se refletem na mesa do brasileiro. A reportagem mostra, especialmente, o trabalho pioneiro e decisivo do centenário Ins¬tituto Agronômico, IAC, que vem ajudando a impulsionar a atividade rural.

“De Getúlio ao primeiro governo Lula, um acumulado histórico de dívidas jamais pagas”. Esse é o subtítulo da segunda matéria concorrente da Panorama Rural. Em “O fardo do passado”, Bety Costa traça um panorama histórico sobre a crise na agricultura brasileira que, carente de políticas econômicas, viveu seu maior impasse em 2006, com dívidas financeira e social impagáveis. Consultando diversas fontes, Bety analisa os precedentes históricos dessa crise no campo em um país que há muito, segundo sua pesquisa, vem investindo na indústria em detrimento à agricultura.

A professora de matemática Vânia Horner é a personagem da matéria “O Brasil que conta”, escrita pela repórter Martha Baptista para a revista Produtor Rural. Estimulada a mudar sua prática pedagógica, ela conseguiu o mérito de ensinar matemática a alunos da 5ª à 8ª series do Ensino Fundamental de uma pequena comunidade do nordeste do Mato Grosso, que tem sua principal fonte de renda na pecuária leiteira. A técnica criada e adotada por ela relaciona o conteúdo à realidade dos alunos. Quantidade de litros coletados por dia, receita e despesas das propriedades, além de temas relativos ao mercado de leite foram levados à sala de aula – sempre com muitos números e ótimos resultados. Os alunos ainda acompanharam a fabricação de derivados e experimentaram o feitio do doce de queijo nas próprias instalações da escola.

Confira a seguir as matérias na íntegra.

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“O Brasil que conta”
Jornalista: Martha Baptista
Veículo: Produtor Rural – Cuiabá/MT
Categoria: Revista



A professora Vânia prova por A+B que matemática não é um bicho-de-sete-cabeças. Basta relacionar os conteúdos à realidade socioeconômica e cultural dos alunos

A pecuária de leite de Vila Rica, município situado no nordeste de Mato Grosso, a 1.276 km da capital, ajudou o Estado a conquistar uma rara honraria: ter uma professora incluída entre as 10 educadoras nota dez do Brasil em 2007, premiação concedida pela Revista Nova Escola (Editora Abril), uma referência no campo educacional. A professora Vânia Horner de Almeida, 32 anos, natural de Palmeirópolis (TO), começou o segundo semestre com pé direito: em 4 de agosto colou grau em Matemática numa turma de Licenciatura Plena Parcelada da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e, dois dias depois, recebeu a notícia de que seu projeto “A produção de leite e seus derivados, uma fonte de renda familiar” era finalista entre 3.306 inscritos em todo País. Isso lhe garantiu um prêmio de R$ 10 mil, que pretende investir na casa, um troféu e uma ida a São Paulo para apresentação final do projeto.

Mesmo que não seja escolhida a Educadora do Ano (o anúncio acontece no Dia do Professor, 15 de outubro), a maior vitória, garante Vânia, foi o reconhecimento público e nacional de que encontrou uma forma original de ensinar matemática a 54 alunos da 5ª à 8ª series do Ensino Fundamental da Escola Municipal Procópio Faria, localizada a 25km da sede de Vila Rica, na comunidade Itaporã do Norte, que tem sua principal fonte de renda na pecuária, principalmente a de leite. “O aluno só tem motivação para aprender o que tem significado para ele. Eu ficava frustrada porque percebia que os alunos sentiam-se desmotivados para aprender matemática. Eles não sabiam porquê e para que estudavam porcentagem, razão, proporção, gráficos e outros conteúdos curriculares”, conta a professora.

Instigada a mudar sua prática pedagógica durante o curso superior, Vânia encontrou inspiração na pecuária leiteira, atividade econômica que utiliza a mão-de-obra familiar. “Quase todos os meninos se levantam de madrugada para ajudar na ordenha, tanto é que o horário das aulas é adaptado à realidade local. As meninas ajudam as mães a fazer queijo, doce. Quem não é filho de produtor tem pelo menos um parente que produz leite”, conta Vânia, acrescentando que a venda do leite e seus derivados ajuda os produtores rurais a pagarem suas contas mensais. As outras atividades servem somente para a subsistência, como as criações de animais como galinha e porcos. Apenas uma minoria dos moradores de Itaporã do Norte faz algum tipo de agricultura e assim mesmo só para o sustento. Até a professora, que é casada e mãe de duas meninas, tem gado de leite e fabrica queijo mussarela.

Pesquisa de campo - O projeto foi apresentado no final de março de 2006 aos alunos, que durante o mês de abril reuniram dados sobre a quantidade de litros coletada por dia em cada propriedade, elaboraram um dossiê sobre as vacas ordenhadas com dados sobre idade, raça, vacinação, produção diária de leite, período entre a desmama e a lactação da cada animal; e ainda preencheram uma terceira ficha com informações sobre gastos (incluindo itens como pasto, ração, sal branco, sal mineral, vacinas, remédios) e receitas anuais (advindas da venda de leite e derivados, da venda de bezerros e recria das bezerras).

As dúvidas eram discutidas em sala de aula, onde os alunos trabalhavam com a professora textos de revistas e sites – sempre com muitos números - sobre temas como mercado de leite, manejo de pastagem, degradação dos solos e alimentação do rebanho. Em maio, já com os dados coletados em campo, Vânia iniciou o trabalho de elaboração de estatísticas e construção de gráficos, utilizando os dados sobre a produção média de leite em cada propriedade de todas as turmas envolvidas no projeto. Paralelamente os alunos receberam atividades tais como: “façam os cálculos para saber qual é o gasto (despesa) e a renda (receita) que tem com gado leiteiro”, “qual é o lucro bruto?”, “qual é o lucro líquido?”, “qual a porcentagem de vacas vacinadas contra brucelose na sua propriedade? Na sua turma? Nas turmas de 5ª à 8ª séries?”.

Nessa fase os estudantes começaram a trabalhar com outro questionário focado nas formas de comercialização do leite, com o objetivo de definir a mais lucrativa. Depois de visitarem três propriedades, onde acompanharam a fabricação de requeijão, doce de leite e manteiga, e de fazerem doce de queijo nas próprias instalações da escola, as turmas fizeram os cálculos e concluíram que a forma mais rentável da comercialização do leite é o doce de leite (rapadurinha), seguida do doce de queijo, que, na avaliação deles, é a forma de fabricação de derivados que dá mais trabalho (ver tabela). Para se chegar a essa conclusão foram contabilizados gastos com sal, coalho, açúcar e ovos, entre outros ingredientes, e embalagens.

Consumo de leite - Outra vertente do projeto foi a importância do leite na alimentação. Após a leitura de vários textos sobre aspectos como o consumo diário recomendado pelo Ministério da Saúde - para jovens de 11 a 19 anos, ele é de 700 ml/dia ou 256 litros/ano, maior que o aconselhado a outras faixas etárias -, os alunos pesquisaram a quantidade diária de leite consumida na comunidade. A conclusão foi reveladora: “A faixa etária que apresentou menor consumo foi justamente entre 12 e 18 anos, já que os adolescentes acabam substituindo o leite, farto na região, por refrigerantes e outras bebidas. As meninas, principalmente, ficaram muito assustadas, porque perceberam a importância do leite para prevenção de doenças como a oesteoporose”, afirma Vânia.

O projeto foi concluído em agosto de 2006 e, segundo a professora, ficou evidente nas avaliações, realizadas por meio de conversas e por escrito, que a maioria dos alunos aprovou a metodologia. “Percebi que eles aprenderam matemática e conseguiram relacionar os conteúdos apreendidos à vida diária”, comenta. No projeto apresentado à Comissão Julgadora da revista “Nova Escola” e que também serviu de base para a monografia final do curso de graduação, Vânia lembra que a matemática surgiu de necessidades concretas dos povos antigos, como para medir terras (entre os egípcios) e controlar os estoques no comércio (entre os árabes).

- Hoje ensina-se matemática sem o cotidiano e por isso as pessoas não aprendem. Temos que voltar a buscar a matemática no dia-a-dia, nos problemas sociais e econômicos. As escolas do meio rural devem contribuir para que os filhos dos produtores possam utilizar os conhecimentos matemáticos aprendidos para melhorar a sua vida, desenvolvendo neles a capacidade de relacionar esses conteúdos às suas necessidades - argumenta Vânia. Foi essa percepção da educadora e a capacidade de trabalhar a tão decantada interdisciplinaridade que chamaram atenção dos responsáveis pela seleção dos educadores nota 10. “Hoje sei que qualquer tema serve para se trabalhar a matemática”, constata Vânia, que desde agosto trabalha com Educação de Jovens e Adultos (EJA) na Escola Estadual Vila Rica, no período noturno. Pela manhã, ela continua se descolando até a zona rural para lecionar na Escola Municipal Procópio Faria, trabalho que lhe rende R$ 790 líquidos por mês.

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“O fardo do passado”
Jornalista: Bety Costa
Veículo: Panorama Rural – São Paulo/SP
Categoria: Revista


De Getúlio ao primeiro governo Lula, um acumulado histórico de dívidas jamais pagas.

A crise crônica é o traço distintivo fundamental da agropecuária brasileira. Que prosperou sem justiça social, sem seguro de renda, políticas de longo prazo e medidas de controle de preços e mercados. Equívocos de tal calibre conduziram o campo, no segundo semestre de 2006, ao maior impasse de sua história, com dívidas financeira e social impagáveis.

A dívida rural de R$ 85 bilhões representa 58% do PIB do setor. Desse montante, R$ 37 bilhões foram custeados pelo Tesouro Nacional nos anos 70. Integram o estoque da dívida pública de R$ 1 trilhão. Com dinheiro público ou privado, ou ambos, quase hum milhão de fazendeiros modernizou-se e multiplicou por dez a renda bruta nos últimos 30 anos. Neste período, quatro milhões deles, pelos cálculos de Francisco Graziano e José Eli da Veiga, da Universidade de São Paulo, foram deixados para trás. São os pobres com terra no campo. Vivem na área rural, mas nem de longe participam da riqueza do agronegócio.

É preciso olhar com honestidade para os precedentes históricos desta crise crônica no atacado e aguda no varejo.“O governo tem de mudar a maneira de encarar a agricultura”, escreve Evaristo Machado Netto, diretor da Carol, maior cooperativa de grãos do Estado de São Paulo. Conquanto a História não se repita, a ideologia dos planejamentos econômicos sempre designou à produção rural um lugar secundário. Mudam os tempos, não os discursos.“A agricultura não pode ser relegada à condição de vaca leiteira para financiar a industrialização”, defendia o economista Eugênio Gudin, em 1944, em célebre polêmica com Roberto Simonsen relatada por Roberto Campos em “A Lanterna na Popa”.

Sessenta anos depois, em 2004, num evento da BM &F, em Campos de Jordão, SP, Fernando Henrique Cardoso parecia fazer eco à polêmica dos economistas Gudin e Simonsen. Afirmara o ex-presidente que a supervalorização do Real– de 1994 a 98 - possibilitara a atualização tecnológica da indústria nacional. Não obstante a perda de renda do agronegócio, com a invasão de importados favorecida pela abertura de mercado e o dólar barato.

Entre a famosa frase de Gudin e a de Evaristo Machado Netto, separadas por mais de seis décadas de história, a diversidade do campo jamais esteve no cerne das políticas econômicas. Há quem entenda que o setor sofre até hoje o mesmo modelo Vargas: esvaziar a agricultura e investir na indústria. “Fernando Henrique Cardoso disse que a era getulista estava terminando; Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES, e Yoshiaki Nakano, da Fundação Getúlio Vargas, insistiram em dizer que continua viva”, diz Fernando Curi Peres, professor titular de Economia, aposentado pela Esalq/USP, estudioso dos anos 30 e transferência de renda. “A massa de excluídos foi o que restou de décadas de extração violenta de capitais da agricultura”.

Com moeda estrangeira barata, Getúlio estimulou a importação de máquinas e reduziu a receita das exportações.“Esta tem sido a forma mais eficiente de arrancar dinheiro da agropecuária e financiar a indústria”, diz Fernando Peres. Para José Sidney Gonçalves, do Instituto de Economia Agrícola (IEA) de São Paulo, entretanto, a questão é outra. “Hoje a transferência de renda é do campo para o sistema financeiro”.

Como em todo o mundo capitalista, a agropecuária cresceu de maneira exorbitante, concentrou terras e renda, e expulsou muita gente para as cidades. Porém, o que a diferencia de outros países capitalistas, onde a agricultura também financiou o desenvolvimento, é que em nenhum deles o meio rural evoluiu tão desigualmente como no Brasil. “Ilhas de excelência em mar de atraso e miséria”, a terceira maior potência agrícola do mundo sequer formou uma vasta e próspera classe média rural, como na invejável Argentina. Também não resolveu problemas seculares, de doenças, por exemplo, e agregação de valor, entre outros. Mais grave ainda: em seu conjunto de unidades produtivas, de diversos portes e tamanhos, o campo jamais foi prioridade nas políticas econômicas dos últimos 70 anos. Não bastasse, persiste até os dias atuais o mesmo velho preconceito contra o meio rural, ainda visto como atrasado.

Políticas discriminatórias
Como se penaliza um setor por tanto tempo, tão pesadamente e sem reação? Através principalmente da cristalização da cultura do privilégio. Enquanto os mais pobres passaram a considerar legitimo não ter nenhum direito, em contrapartida, subsídios e serviços do Estado beneficiaram crescentemente os grupos de sustentação dos governos. As oligarquias no sentido clássico. Esse atraso político só será ameaçado de extinção em meados da década de 80, quando o país se tornar uma democracia de massa.

Políticas discriminatórias permearam durante décadas a cena brasileira. Juscelino Kubitschek elegeu-se, em 1956, pela coalisão PSD e o PTB de Vargas. A agricultura continuou relegada; daquela vez, pelo Plano de Metas de JK. Apoiado pelo PSD, que representava os interesses dos grandes proprietários de terra, Juscelino soube compensar os latifundiários. Comprometeu-se em não tocar nas relações de produção no campo. Ou seja, não fez a reforma agrária. Duplicou a distribuição de subsídios para insumos agrícolas, que chegou a 10% em 1960. Ainda assim insignificantes diante dos aportes financeiros às demais atividades econômicas.

O presidente bossa-nova do Brasil que Jean Paul Sartre então visitara diria que o país “não era um produtor de bens primários por vocação hereditária”. Nosso mandante pé-de-valsa tinha intenção explícita de consolidar a industrialização do país. Realizou um ambicioso projeto de desenvolvimento com capital inflacionário.

O Plano de Metas destinou ao setor rural apenas 3,2% dos recursos. Deu prioridade aos investimentos indiretos em infra-estrutura (estradas, armazéns e silos) e aquisição de máquinas agrícolas e fertilizantes. Assim, incorporaram-se novas áreas agricultáveis do Mato Grosso, Goiás e Paraná. Entre 1957 e 1960, foram gastos quase 100 milhões de dólares na importação de tratores. Uma gota no oceano: em 1960 ainda havia apenas um trator para cada 261 hectares cultivados, ou 1 para cada 22 propriedades rurais da região Sul, onde se concentrava o grosso da maquinaria. Em contraste com a rápida expansão da indústria automobilística nacional e a de máquinas de costura e de lavar, demorou muito a arrancada da fabricação de maquinário agrícola, segundo Celso Lafer.

A partir de 1956 entraram 248 milhões de dólares em investimentos nos mais diversos setores, de máquinas e automóveis a farmacêutico, siderúrgico, metalúrgico, químico. Uma política para a agricultura só surgiria na segunda metade dos anos 60, durante o governo militar. Em 1965 foi criado o Sistema Nacional de Crédito Rural. Mas não seria fácil decolar a agricultura comercial sem poupança interna. Era necessário muito dinheiro, que os bancos não queriam plantar na lavoura. Exigiam garantias e um fiador à altura (o governo). Até hoje, um ex-ministro daqueles anos de chumbo comenta que foi deixado na mão pelos banqueiros, príncipes da economia nacional.

Chapéu em Delfim
Em 1970, um brilhante ex-professor de Economia da USP – ex-office boy de trajetória estonteante: conseguira no meio acadêmico formar uma escola em torno de suas idéias - , Delfim Netto, era o ministro da Fazenda do governo autoritário de Médici. As políticas de crédito rural subsidiado e preço mínimo não deslanchavam. O sistema bancário não atendia aos pedidos de empréstimo dos produtores para financiamento da lavoura, compra de tratores, implementos e fertilizantes.

Os bancos privados haviam suspendido as operações de desconto, preferindo encaminhar os produtores para as agências de investimentos ou financeiras, que cobravam juros exorbitantes, à época, de 3% a 4% ao mês. Agricultores estavam sendo obrigados a pagar uma taxa de juros aplicada a financiamento de automóveis para aquisição de tratores, já que tinham de recorrer às financeiras. O Banco do Brasil então aumentou o limite operacional do desconto de duplicatas, como única condição para superar a crise do setor.

Depois de muita negociação com os bancos e viagens às regiões agrícolas, ao lado de Cirne Lima, da Agricultura, para ouvir os agricultores, o ministro deixa escapar: “Os banqueiros preferem fechar agências no interior e abrir palácios de cristal na Avenida Paulista para a construção de uma Wall Street subdesenvolvida”.

“A longo prazo os banqueiros estão perdidos, pois querem a privatização, mas fazem a sociedade exigir a estatização. Ao se negarem a abrir novas agências no interior, estão na realidade se lançando contra a sociedade”. Delfim acertou no longo prazo. Os bancos exigiram a socialização do prejuízo: 18% do crédito para a agricultura, nos anos 70, foram financiados pelo Tesouro Nacional através do Banco do Brasil. Em valores atuais, R$ 37 bilhões jamais pagos. Delfim tinha razão: os bancos privados lançaram-se contra a sociedade. E deixaram o ministro de chapéu na mão.

O universo rural, entre 1965/70, constituía-se de 6 milhões, aproximadamente, de agropecuaristas. Apenas 350 mil a 400 mil produtores tiveram seus cadastros aprovados pelos bancos. A imensa maioria, portanto, ficou de fora do crédito subsidiado e também da política de preços mínimos. Os selecionados pelo sistema bancário tiveram cacife para prosperar, ainda mais com a tecnologia que viria a ser gerada pela Embrapa, a partir de 1973.

Não por acaso os centros de pesquisa da Embrapa foram concebidos em unidades de produto: com vistas aos grandes portes de produção da monocultura, que já se impunha consoante o novo e devastador pacote tecnológico. Um modelo que hoje se esgota diante da crise fiscal, que eliminou polpudos subsídios.

A moderna agricultura brasileira consolida-se nos anos 70. Quando também teria início a escalada crescente de endividamento do setor. Muitos perderiam todo o patrimônio. Algumas famílias outrora abastadas tiveram a sorte de reconduzir confortavelmente suas vidas no meio urbano, como os Figueiredo Pupo, de Botucatu, SP, cuja história privada é quase o resumo de um século da agricultura brasileira. (ler boxe Trabalho, honra e perdas)

São processos invisíveis a opinião pública, que geralmente só toma conhecimento dos ricos do campo e os sem-terra. Estes últimos são quase sempre confundidos com aqueles produtores rurais sobreviventes. Os quatro milhões deixados para trás. Tampouco se fala que muitos antigos agricultores produtivos, endividados, juntaram-se aos que nunca tiveram acesso aos subsídios. Integram hoje a maioria absoluta dos produtores rurais, que patinam há três décadas na sobrevivência.

Homens por máquinas
Delfim abriu dois grandes créditos. Um deles, para a aquisição de moradias pelo sistema BNH, alavancou a construção civil. Assim, uma vasta camada de classe C, sem casa-carro-telefone, passou a integrar o grupo social emergente, na época, de pequenos proprietários.“Na verdade, foi o Delfim quem criou a nova classe média brasileira”, observa bem José Sidnei Gonçalves. Outro crédito foi para a construção da agroindústria de processamento, bens de capital, fertilizantes e máquinas agrícolas. “O crédito rural subsidiado foi, na verdade, crédito ao consumidor do pacote tecnológico de insumos agrícolas”.

Na mesma década aprofunda-se a transferência de renda através de mecanismos financeiros, que tiram indiretamente dos trabalhadores (através de FGTS, PIS/PASEP, Cadernetas de Poupança, Fundo 157, Loteria Esportiva, etc) para financiar o magro capital nacional. Cerca de 80% dos recursos do PIS/PASEP foram transferidos para o BNDE utilizar no capital de giro das indústrias de base. Em 1978, o patrimônio do PIS/PASEP ultrapassava a 110 bilhões de cruzeiros – dinheiro que pertencia a 30 milhões de trabalhadores brasileiros.

Enquanto isso, a agricultura de escala foi ganhando espaço nas políticas econômicas. Em foco, a produção de grande porte (volumes elevados) e tamanho (extensas áreas). A burrice do demônio, no caso, tem sido desconsiderar que a agricultura de grande porte também pode ser obtida em pequenas áreas. Como provam os novos cafezais adensados, estufas de hortaliças, fruticultura, e outras espécies. Contudo, privilegiou-se tão somente a agricultura extensiva. Confira-se a opinião de Sidnei Gonçalves, do IEA:

“Esse modelo de produzir muito a preços cadentes para manter baixo o custo de vida urbano, que se tornou realidade nos anos 70 e mantém o atual controle da inflação, tem um preço: a exclusão social no campo e a urbanização da miséria. E miséria urbanizada sem oportunidades produz violência desenfreada.
Esse modelo de megalavouras criou o PCC e o MST”.

Peres cita uma reportagem do jornal O Estado de São Paulo, que em 1998 comparava o mapa da cotonicultura paranaense em 1992 (ano da abertura de mercado do governo Collor), com o de luta pela posse de terras em 1998. Os dois mapas se sobrepuseram: as glebas cultivadas com algodão (assinaladas por pontos coloridos, de acordo com o volume), já não existiam mais em 1998. Tinham sido ocupadas por zonas de conflito. Estimativa: aproximadamente 600 mil pequenos cotonicultores foram alijados da produção entre 1992 e 98, no Paraná. Vítimas que foram das políticas econômicas. Na mesma época, acrescenta o pesquisador do IEA, 65 mil paulistas e paranaenses mais 250 mil trabalhadores nordestinos também perderam seus empregos nas lavouras de algodão Mocó, devastadas pela praga do bicudo.

Facismo à brasileira
O caso do algodão é apenas um exemplo entre tantos ocorridos no campo, porém, os danos de algumas medidas econômicas foram mais escancarados na cotonicultura que em outras lavouras. Para alguns, como Peres, da Esalq, esse modelo “reflete a visão anti-rural de proteger a indústria a qualquer custo”.

A abertura indiscriminada do Plano Collor I internalizou os baixos preços internacionais subsidiados. A partir de 1992, os europeus passam a comprar tecidos brasileiros de baixíssimo valor comercial. Vem a quebradeira de fábricas em Americana, SP, e no Rio Grande do Sul. Criam-se barreiras à importação de tecidos. Em outubro de 1995 (alta nos custos de produção e taxas de juros e de custeio desde o governo Itamar), o Ministério da Fazenda publica uma lista com mais de três mil produtos com alíquota de importação em 10%. O algodão, excepcionalmente, podia entrar no país com alíquota zero, assim a indústria fabricaria tecidos a custos competitivos.

Pior: o algodão podia ser importado com financiamento externo a juros de 4 a 6% ao ano e 420 dias para pagar. O empresário ganhava duas vezes – pelos juros baixos do capital de giro e os ganhos financeiros durante mais de 300 dias de aplicação do dinheiro das vendas. Com o algodão nacional vendido à vista, a juros reais de 35 a 40% ao ano, o país transformou-se de auto-suficiente em grande importador do produto. Uma cultura até então de pequenos agricultores do Paraná, São Paulo, e algumas regiões do Nordeste. Esse povo foi todo para a rua. Virou sem-terra ou sobrevive na miséria sem opção no agreste.

Argumenta-se que hoje o País é muito mais eficiente em algodão, grãos, carne e outros alimentos obtidos em grandes áreas rurais. Porém, a paz no campo teria sido assegurada, e o setor não seria tão desigual, se políticas públicas tivessem recuperado a ocupação de milhares de lavradores excluídos. Subtrairam-lhes a terra, mas não o direito ao trabalho. Lógica tão límpida quanto a que afirma ser o trator uma arma usada em tempos de paz.

A massa de excluídos sem-terra – ainda que, sabidamente, muitos deles não tenham nada a ver com produção rural, uma atividade que exige, no mínimo, aptidão - contudo, também carece de políticas públicas, tanto quanto os desvalidos urbanos, os sem-teto, os do Bolsa Família. São brasileiros como quaisquer outros cidadãos.

A solução da crise no campo passa pela quitação dessas dívidas sociais. Sobretudo com aqueles quatro milhões de pequenos proprietários rurais necessitados de políticas públicas e capacitação técnica. Desafortunadamente, a formação de capital humano jamais foi prioridade dos governos. Um sinal óbvio de descaso: no início dos anos 90, desativou-se a Embrater, estatal que articulava o sistema Emater – Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural –, de transferência de tecnologia adaptada à pequena produção.

Essa indiferença paga um preço: a eclosão de grupos políticos organizados, e com discurso antagônico à economia de mercado e geração de empregos. Apossam-se da miséria alheia, de instituições e propriedade privada, numa espécie de fascismo à brasileira.

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Trabalho, honra e perdas
Quando o MST invadiu a histórica Val de Palmas, a 10 quilômetros de Bauru, SP, sem saber introduziam a última peça no xadrez histórico iniciado ainda na Primeira República, quando um garbo coronel da Guarda Nacional, José Ferreira Figueiredo, vindo não se sabe bem de que lugar de Minas, pisou pela primeira vez aquelas terras brancas do oeste paulista.

“Imagine a dificuldade de cultivar 500 mil pés de café, em 1895, naquele sertão bravio de arenito Bauru e habitado por bravos índios caigangues”, comenta o historiador Trajano de Figueiredo Pupo, de Botucatu, SP, um dos bisnetos do coronel Figueiredo. Na virada do século, o intrépido varão chega a 2,3 milhões de pés de café em 12 mil alqueires de terras contínuas, entre Bauru e Duartina. Edições arquivadas do jornal “A Cidade de Bauru” referem-se ao coronel Figueiredo como “o maior cafeicultor do mundo”, naquele início do século XX.

A sede da fazenda, um casarão com 17 cômodos, foi mais importante que o município de Bauru, econômica e politicamente. Recebia empresários influentes e políticos. O próprio Getulio Vargas hospedou-se na Val de Palmas, que chegou a ter 307 famílias de imigrantes. Um dos colonos da fazenda, Geremia Lunardelli, passaria um tempo por lá, antes de tentar a sorte em Jundiaí, onde foi bem-sucedido com a compra e venda de animais, um pequeno empreendimento que lhe deu fôlego para investir no café, na região de Ribeirão Preto e Olímpia, e construir um império rural sob o lema “Trabalho e Honra”.

Figueiredo e Lunardelli, dois “reis do café” paulista no século passado. Há registros de que quando os Figueiredo iam a São Paulo, a ferrovia Noroeste acoplava um vagão reservado com garçons, baixelas e louças finas, especialmente para servir ao aristocrata e à sua família durante o trajeto.

Figueiredo manteve a Val de Palmas até 1923. Devendo a uma das Casas Comissárias, que financiaram a cafeicultura até 1929, o coronel transferiu a propriedade para o grupo Zerrenner Bullow & Cia., dono da Companhia Cafeeira de São Paulo e da Cervejaria Antarctica. “Ele enfrentou muitas crises, até o momento em que o produto já não pagava mais a sacaria”, diz Trajano. Mesmo entregando o latifúndio para honrar o débito, ainda assim continuou rico. Deixou a seus herdeiros mais sete fazendas produtivas no Estado de São Paulo. Nenhuma delas resistiu à modernização da agricultura, com a alta violenta nos custos de produção, dependência crescente de capital financeiro e inflação que chegaria a galope.

“Acompanhei de perto o desfecho da Santa Rosa, 360 alqueires com arroz, feijão, milho e algodão. Foi a última que perdemos para pagar dívidas bancárias no final dos anos 70”, conta o outro bisneto, Olavo de Figueiredo Pupo, professor de artes plásticas, em Botucatu.

Dos descendentes do coronel Figueiredo, ninguém permaneceu na agricultura. O que restou da herança foi o amor atávico à vida no campo. Fizeram suas vidas como profissionais liberais, funcionários públicos, professores e artistas. Depois que passou para o controle dos credores, a Val de Palmas manteve-se em atividade por mais três décadas. Tempos depois, foi novamente vendida e loteada. Uma parte foi doada para o Estado, que ali instalou o Instituto Penal Agrícola e duas penitenciárias. Restaram apenas 400 alqueires de propriedade particular. Quando os sem-terra a invadiram, foi como se os peões dessem o xeque-mate sobre o tabuleiro da impermanência, este traço marcante da história humana, em que tudo sempre desmorona. Nem rei nem rainha, nem o bispo nem a torre existiam mais.

Box 2
Entenda a dívida rural

Anos 70:
- Recursos obrigatórios (depósitos à vista): 72%
- Dívida pública (Tesouro): 18%
- Base monetária (Banco Central): 10%

Meados dos anos 90:
- Recursos obrigatórios : 18,5%
- Poupança: 43%
- Outras fontes: 38,5%

Em 2000:
- Recursos obrigatórios: 52%
- Poupança: 14,5%
- FAT/BNDES: 13%
- Outras: 20,5%

2005/2006:

Agricultores comerciais (83% do total):
- Recursos obrigatórios: 29%
- Poupança: 17%
- BNDES: 16%
- Outras: 38%

Pronaf (17% do total):

- Tesouro: 30% (inclusive Fundos Constitucionais)
- FAT: 43%
- Recursos obrigatórios: 21%
- Outras: 6%

Estimativas da dívida agrícola: R$ 85 bilhões, ou cerca de 55% do PIB do setor.

(Fonte: CEPEA/Esalq/USP)
Quem paga a conta

“Todos os recursos das fontes oficiais implicam em equalização, portanto, em colocação de mais dinheiro público, o que não acontece com o crédito de fontes privadas. Esta é a diferença entre a crise atual e as anteriores. No passado, os agropecuaristas deviam mais para o Tesouro do Estado (Banco do Brasil). O governo então renegociava e distribuía benefícios (subsídios). Atualmente, dos R$ 85 bilhões da dívida agrícola, apenas R$ 37 bilhões podem sofrer interferência. O restante, R$ 48 bilhões, são dívidas de contratos privados. O governo não pode interferir, a não ser que “estatize a dívida", como fez no ano passado. Um absurdo sem tamanho, porque seremos nós a pagar essa conta”. (José Sidnei Gonçalves, do IEA)

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“O Fardo do Passado” foi escrita em dezembro de 2006 e publicada em março de 2007

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29 de maio de 2008
“O legado da ciência”
Jornalista: Antonio Carlos Moreira
Veículo: Panorama Rural – São Paulo/SP
Categoria: Revista





O papel decisivo do conhecimento agropecuário produzido por centros de pesquisas do país – como o Instituto Agronômico, IAC, que completa 120 anos: o saber gerado impulsiona a produtividade, gera empregos e leva às mesas dos brasileiros alimentos em maior quantidade, saudáveis e mais baratos

Conhecimento estratégico

A competitividade se deve à transferência do precioso saber de cientistas, quase todos ignorados pela sociedade brasileira, aos sistemas produtivos

Não faltam indicadores reluzentes a ilustrarem a compe­titividade do agronegócio brasileiro. Inúmeros exemplos podem ser relacionados para justificar as razões da importância estratégica da atividade rural como geradora de de­senvolvimento econômico e social. A mais conhecida pe­lo grande público, a contribuição ao PIB brasileiro - em 2006, da ordem de 28,6%, cerca de 580 bilhões de reais -, é apenas uma delas. Na verdade, tal pujança resulta de outro valor fundamental, porém muito pouco presente na impren­sa nacional: o grau de excelência alcan­çado pelas ciências agrárias no Brasil. A ausência da pesquisa - aliás, de todas as demais áreas da ciência - dos meios de comunicação e, portanto, do cotidiano da sociedade, acaba de ser confirmada por um contundente trabalho.

Trata-se do estudo "Percepção Pú­blica da Ciência e da Tecnologia", reali­zada pela Academia Brasileira de Ciên­cias, em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia. O levantamento revela que 84% dos brasileiros desco­nhecem qualquer instituição dedicada à pesquisa científica no país. Também 86% dos entrevistados não consegui­ram apontar um nome sequer de cien­tista brasileiro.

Cientistas anônimos
"O resultado denuncia o estado calamitoso do ensino nos cursos de primeiro grau, nível médio e até univer­sitário no país", lamenta Jaime Benchimol, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz. A Fiocruz, criada no ano de 1.900, no Rio de Janeiro, se constitui uma das mais importantes instituições de pesquisa em saúde, com vasta contribuição ao combate de epidemias no país. A Fundação leva o nome de seu segundo diretor, médico sanitarista responsável por diversos programas de sanea­mento público.

Na pesquisa recente, Oswaldo Cruz foi citado por 36% dos entrevistados que afirmaram conhecer algum pesqui­sador importante. São menos conhecidos pelos entrevis­tados os mundialmente renomados cientistas brasileiros Carlos Chagas, apontado por 8% das pessoas, e César La­tes, com apenas 4% das indicações.

Na agropecuária, sua admirável competitividade se deve menos à decantada bondade da natureza para com o país. Deve-se, sim, muito mais à transferência do pre­cioso saber de ilustres e desconhecidos cientistas aos sis­temas produtivos nas lavouras. "Ainda se credita o futuro da agropecuária brasileira à sua enorme disponibilida­de de território. É um erro", afirma Luiz Marcos Suplicy Hafers, liderança rural e produtor de café no Paraná e na Bahia.

"O grande ativo do Brasil é sua pesquisa e sua competência em administrar uma agricultura nos trópi­cos. O ativo do saber é incomensuravelmente maior do que possuir terras."

Crescimento sustentável
Nas lavouras Brasil afora, de fato, vão se encontrar avan­ços tecnológicos que conquistam admiração mundial. Tra­tam-se das muitas centenas de sementes melhoradas para diversas culturas. Geram plantas mais produtivas; adapta­das às condições de solo e clima das diferentes regiões e incorporando, até mesmo, novas características genéticas, como resistência à seca. Criam-se técnicas sustentáveis e manejos que auxiliam no controle de pragas e doenças; por fim, mais recentemente, atingem marcos históricos da ciência, casos da biotecnologia e do seqüenciamento dos genomas de citros e de café. Cite-se, ainda, o rebanho pe­cuário - não apenas o maior plantei comercial do mundo mas, principalmente, o mais saudável.

Foi graças às pesquisas que o campo se tornou um vigoroso celeiro de novas tecnologias. Isso explica, por exemplo, a capacidade do país para produzir combustí­vel limpo a partir de vegetais, o que desperta o interesse mundial, em especial dos norte-americanos. Foi esta a única razão que motivou, recentemente, a primeira via­gem, após sete anos de governo, do presidente George Bush ao Brasil, país até então irrelevante na política ex­terna daquele governo.

A contribuição da ciência agropecuária ao crescimento sustentável pode ser constatada sob outro prisma, o ín­dice de Desenvolvimento Humano, IDH. O economista Regis Bonelli, do Instituto de Pesquisa Económica Apli­cada, Ipea, analisou a evolução do IDH entre as décadas de 1970 e 1990, em 23 municípios ou regiões brasileiras com agricultura tecnificada. Os números mostram que o desenvolvimento médio anual nesses municípios esteve bem acima da média brasileira, de 3,2% no período. As­sim, por exemplo, o IDH em Barreiras, BA, foi de 12,3%; em Rondonópolis, MT; 6,5%; em Balsas, MA, 6,4%; em Petrolina, PE, 5,6%; em Paracatu, MG, 4,7%; e em Chapecó, SC, 4,5.%.

Dieta enriquecida
Outro relatório, assinado pelo IBGE, aponta um ex­traordinário ganho de produtividade: na última década, a área plantada cresceu 12%, enquanto a produção sal­tou 93%. Na produção de carnes, os dados positivos tam­bém impressionam. Até alguns anos atrás, o tempo para preparar um bife ou a picanha do churrasco demorava - entre a cria, a engorda e o abate - em média três anos; hoje, se tornou comum entre os pecuaristas manejos que permitem entregar ao frigorífico o boi de um ano. Tam­bém se refletem nas metrópoles urbanas os benefícios da competitividade que envolve a cadeia agrícola milho-ração-frango.

Como rege a clássica lei da oferta e da demanda, o aumento da produção de frango fritou os preços desem­bolsados pela população nos supermercados. A dona-de-casa constatou, na boca do caixa, a redução do preço dessa carne: o quilo se retraiu de US$ 1,5, em 1990, para US$ 0,50, em 2002, segundo levantamento da indústria Perdigão. O resultado se viu no consumo de frango entre os brasileiros. Mais que dobrou: de 13,4 kg per capita, no início dos anos 1990, em 2000 chegou a 30 kg. "O preço atraente para as classes de renda mais baixa adiciona uma importância política estratégica à cadeia do milho-ração-frango", sustenta Irene Trocoli, pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas, FGV-RJ. "A cadeia da avicultura se tornou a grande responsável pelas estatísticas de aumento no consumo de proteínas animais por parte da população - indicador clássico de avanço econômico."

Marco histórico
Se a propulsora deste salto tecnológico foi a pesquisa agro­pecuária, desenvolvida por institutos que se tornaram re­ferências mundiais, um desses centros de excelência deve ser mencionado, neste ano, de forma especial: o Instituto Agronômico, IAC. Em 2007, seu pioneirismo comemora um marco histórico. O Instituto, atualmente vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios, Apta, da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, está completando 120 anos.

"Criado em 1887, o IAC é a única instituição de pes­quisa agronômica que percorreu três séculos: desde o final dos novecentos, durante todo o século 20, e alcança este século 21", destaca Antonio Roque Dechen, diretor da Es­cola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz, Esalq/USP. Sem dúvida, os resultados impressionantes da agropecu­ária brasileira contaram com a contribuição expressiva dos pesquisadores que escreveram boa parte da história da agricultura no país. "A pesquisa, o desenvolvimento e a inovação que tornaram o Brasil líder mundial em agri­cultura tropical têm, em seus primórdios, uma institui­ção centenária, o IAC, berço de muitos cientistas", enal­tece Sílvio Crestana, presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Embrapa.

O engenheiro agrônomo Fernando Penteado Cardoso, ex-presidente da Manah Fertilizantes e atualmente dirigin­do a Fundação Agrisus, recorda-se, emocionado, da sua ligação com o IAC. "Ainda ginasiano, eu conversava com meu pai sobre nossa fazenda; ele mencionava o Institu­to Agronômico ao enfrentar problemas do cafezal velho em terra cansada, discussões essas que me despertaram para a agronomia."

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O país movido pelo café

A partir de meados do século 19, ainda sob o regime do Império, a cafeicultura da região oeste do estado de São Paulo detinha forte peso nas decisões políticas e econômicas nacionais. Daí o fato de Campinas ter sido escolhida como cidade a abrigar a Imperial Estação Agronômica, primeira denominação do IAC, fundada pessoalmente por D. Pedro II, em 1887.

A pauta das exportações, no último quartel daquele século, mostrava bem a força do café no cenário brasileiro. Os principais produtos exportados foram, em ordem crescente: couros e peles, 3,2%; algodão, 4,2%; borracha, 8%; e açúcar, 9,9%; enquanto o café representava 61,5% das vendas externas, totalizando cerca de 4,5 milhões de toneladas.

Onda verde
Apesar da pujança que exibia, a chamada "onda verde" da cafeicultura enfrentava dois graves problemas no final do século 19: a doença da ferrugem e a queda nas cotações no mercado internacional. No ano de 1894, a ferrugem no café já era objeto de pesquisas na área de fitopatolo­gia do Instituto Agronômico. Os programas de genética e melhoramento da espécie Coffea arábica começaram em 1932. Desses trabalhos resultaram cerca de 90% dos 4,5 bilhões desses cafeeiros cultivados no país. Destacam-se as cultivares Caturra, Catuaí, Icatu, Tupi e Obatã, as duas últimas sobretudo com alto nível de resistência à ferru­gem, e a Icatu Precoce, cujo outro benefício é a redução de aplicações de defensivos químicos.

O cerrado de Minas Gerais se tornou a maior região produtora de cafés arábicas do país. Uma das razões foi o fator mecanização - e acolhedora automotriz teve seu protótipo criado, no início dos anos 1960, na área de enge­nharia agrícola do IAC. "A moderna cafeicultura brasileira deve ao Instituto Agronômico os méritos pelas inovações que dão suporte ao seu desenvolvimento", afirma Nathan Herszkowicz, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café, Abic.

O programa Genoma do Café, marco no admirável mundo novo da ciência agrícola, foi proposto pelo IAC e desenvolvido em pareceria com a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo, Fapesp, o Consórcio Bra­sileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café, CDPC, e a Embrapa Café. Contudo, embora esteja na origem de sua criação, o café não foi o único foco de atuação, desde os primeiros trabalhos da Imperial Estação Agronômica.

Quando a crise na cafeicultura se acentuou, a pesquisa de forma estruturada do algodão, a partir de 1924, permi­tiu alavancar a cultura. Em 1932, seria lançada a primeira cultivar, a IAC 738. As variedades desenvolvidas adaptadas ao cerrado brasileiro possibilitaram o incremento do seu cultivo na região. O mais recente lançamento, em maio último, é a IAC 25 RMD (Resistência Múltipla a Doenças), com maior resistência ou tolerância a 8 das doenças mais importantes na cultura.

Arroz com feijão
A dupla mais comum na refeição dos brasileiros in­corpora o legado das pesquisas do Instituto Agronômico. Os estudos genéticos com arroz começaram na década de 1930; a primeira cultivar comercial disponibilizada foi a IAC-1246. "A cultivar abriu novas fronteiras em todo o país e chegou a ocupar 60% das lavouras", afirma Luiz Ernesto Azzini, pesquisador do IAC. Na década de 1990, o destaque foi a cultivar pa­ra sequeiro IAC 201, pionei­ra do arroz tipo agulhinha, o mais comercializado do país. Mais recentemente, a cultivar de arroz irrigado IAC 105, resistente à brusone, doença do arroz mais expressiva no Brasil, segundo a Embrapa Arroz e Feijão.

Até o início da década de 1970, a produtividade média nas lavouras de feijão era de apenas 500 quilos por hecta­re. A história do baixo rendimento, com efeitos óbvios no preço do feijão no comércio, experimentou uma revolução com uma descoberta quase acidental, mas, em seguida, acompanhada de intenso melhoramento científico. Pesquisadores do Instituto Agronômico identificaram uma planta muito produtiva, cujo grão se diferenciava com lis­tras marrom; o feijão foi chamado de "carioquinha", por lembrar uma raça de suínos também com listras no corpo. Em poucos anos, o carioquinha se consagrou como o mais cultivado em todo o Brasil, e chegou aos países sul-ameri­canos e da África. Sim, quanto ao rendimento da cultura: hoje, alcança até 2.000 quilos por hectare.

Méritos da tecnologia
Cultivado pelos índios antes mesmo da co­lonização portuguesa, o milho está presen­te no cardápio de todas as regiões do país, sobretudo entre as classes populares. Após superar o atraso tecnológico que histori­camente a caracterizou, a cultura ganhou importância estratégica para o país, como terceira maior safra mundial. O milho se constitui ingrediente básico na ração do frango, prato hoje mais comum nas mesas do país graças à competitividade desta ca­deia produtiva. Esses benefícios resultam do advento do milho híbrido - e boa parte desse mérito se deve aos trabalhos inicia­dos no Instituto Agronômico.

O lAC lançou, em 1932, o segundo programa de milho híbrido do mundo, logo após os Estados Unidos. Até a déca­da de 1970, suas linhagens predominaram nas lavouras. O milho híbrido foi decisivo também para outra importante inovação, praticada em poucos países: o manejo da safrinha. Em 1994, cultivares com alta tec­nologia incorporaram a resistência à seca, e a cultivar Tai­úba, com tolerância à toxicidade de alumínio, favoreceu a expansão do cultivo do cereal no Cerrado.

A soja é desvendada
A soja era totalmente desconhecida no Brasil no final do século XIX - exceto nos laboratórios da Imperial Esta­cão Agronômica. Já nos idos de 1889, o Instituto conduzia experimentos com sementes da oleaginosa. Uma década depois, o pesquisador Gustavo D'Utra publicaria o estu­do "Nova cultura experimental de soja". No ano seguinte, o lAC encaminhava sementes à Secretaria de Agricultura para ser distribuída a agricultores. "Resultado das primei­ras seleções no Instituto, a Abura foi a cultivar pioneira de soja no país", lembra o pesquisador Hipólito Masca­renhas. Nos anos 1970, a cultura chegaria às regiões do cerrado, explica a pesquisadora Elaine Bahia Wutke "A viabilidade econômica do cultivo foi demonstrada, pela primeira vez, pelo Instituto Agronômico, inclusive com as indicações de adubação e manejo."A partir de 2001, a sojicultura brasileira enfrentou grandes prejuízos causa­dos pela ferrugem asiática. O pesquisadores aceitaram o desafio e, para da safra 2006/07, já foram disponibiliza­das variedades com resistências múltiplas e alguma tole­rância à ferrugem da soja.

Mudança de hábito
A ausência de pesquisas em agronomia no Brasil, até o final do século 19, explica o fato de o país inteiro - e não apenas os escravos e as famílias pobres - desfrutar de um cardápio nutricionalmente muito pobre. É o que analisa Benedito Rosa do Espírito Santo, economista e represen­tante do IIC, Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura da OEA, Organização dos Estados Ameri­canos. "Foram os imigrantes europeus e japoneses que introduziram o hábito do consumo intenso de olerícolas e de frutas de clima temperado." Esses alimentos, então, passaram a ser alvos da ciência agronômica.

As pesquisas em olericultura no Ins­tituto Agronômico começaram em 1927. O primeiro marco foi a introdução de se­mentes e o estudo da cebola Amarela das Canárias. Desde então, o IAC lançou mais de 40 cultivares de hortaliças no Brasil e em países da América do Sul. Uma culti­var de tomate, o Santa Clara, se consagrou como sinônimo de variedade nos Ceasas do país.

As frutas de clima temperado, antes ra­ras nas mesas do país - como uva, pêssego, nectarina, ameixa e caqui, entre outras -, resultaram de intensas pesquisas de adap­tação climática. Ao mesmo tempo, frutas tropicais nativas foram alvo de permanen­tes programas de melhoramento genético. Por exemplo, a cultivar de banana Nanicão, resistente à doença sigatoka amarela, tem contribuído para o manejo sustentável da fruta no país.

"Em citros, os trabalhos fizeram renascer os laranjais da tristeza virótica", destaca o pesquisador Ody Rodri­guez. A partir do ano de 2000, o Centro de Citros do IAC participa do sequenciamento de Xylella fastidiosa, agente causador da CVC, e da Xanthomonas axonopodis pv citri, agente do cancro cítrico. Com forte envolvimento em bio­tecnologia, o Centro seqüencia o genoma de novas raças do vírus da tristeza, além do vírus da leprose.

Os alimentos à base de trigo também chegaram ao Brasil pela bagagem dos imigrantes europeus. As pes­quisas no Instituto Agronômico começaram em 1937. O principal lançamento foi a IAC-24, primeira variedade de porte baixo, com tolerância ao alumínio. "A cultivar re­duziu a altura das plantas em 50 cm, e aumentou a produtividade média, de oitocentos quilos por hectare para os atuais três mil quilos", explica o pesquisador Carlos Eduardo Camargo.

As pesquisas também criaram condições de plantio da seringueira em São Paulo e diversos outros estados. Ainda ofereceram alternativa para a produção de essên­cias a partir de manjericão para a perfumaria fina e para o cultivo comercial de palmito - em ambos eliminando a pressão sobre plantas em risco de extinção.

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Trilhas abertas nas lavouras tropicais

Já em 1889, Franz Dafert, o primeiro diretor, com o auxilio de pesquisadores do IAC, descrevia as análises pioneiras de solo, fitossanidade, meteorologia, e a irrigação em hortaliças e frutas tropicais. "A liderança em agricultura tropical do Brasil, nos dias de hoje, se deve, em grande parte, aos cientistas desta tradicio­nal Instituição", afirma José Roberto Postali Parra, professor da Esalq/USP. Na solidão dos laboratórios e na lida do campo para a transferência das tecnologias aos agricultores, centenas de pesquisadores abriram as trilhas da competitividade. Armando Co­nagim, pesquisador do IAC, destaca os estudos sobre interpretação econômica dos ensaios com adubação mineral. "Esses trabalhos tornaram a adubação economicamente viável no país e deram grande contribuição para o aumento da produtividade."

Exercício de cidadania
O Brasil produz, atualmente, cerca de 3 milhões de to­neladas de batata. A cultivar lAC-2 se popularizou entre os bataticultores com o nome de Aracy. Embora a safra na­cional represente apenas 1% da safra mundial, possui elevado nível tecnológico: de acordo com a FAO, Orga­nização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agri­cultura, a produtividade no país é de 20.900 kg/ha, 21 % acima da média mundial. Também tem importância so­cioeconômica, cultivada em grande parte, por pequenos agricultores: segundo o Censo Agropecuário, em 1996, eram 100 mil bataticultores, 90% deles em áreas inferio­res a 50 hectares.

Outra cultura com forte cunho social, a mandioca lAC 576-70 revolucionou o mercado brasileiro na década de 1990. Rica em vitamina A e caretenóides, resistente a do­enças e ocupando praticamente 100% das lavouras, a cul­tivar viabilizou as exportações para a Europa e impulsio­nou a indústria de congelados e alimentos processados. A cultivar também viabilizou um projeto social do Instituto Agronômico: desenvolvido em parceria com prefeituras, ampliou seu plantio por famílias de baixa renda nos ar­redores de centros urbanos.

"Com uma extensa rede de Estações Experimentais em todas as regiões do Estado, o lAC é responsável não ape­nas pela consolidação de inúmeras culturas", diz Roque Dechen, diretor da Esalq/USP. "Alie-se a isso o apoio às tecnologias em fertilidade e conservação do solo, à biolo­gia e às áreas básicas, que abririam novos horizontes para a agricultura nacional." Nas pranchetas dos pesquisado­res foi determinado o modelo de zoneamento climático, já em 1890, quando do Instituto criou o serviço pionei­ro de meteorologia, ainda hoje imprescindível na deter­minação de regiões de cultivo e de seguro rural. Também participaram das principais questões relativas à irrigação e da implantação das bacias hidrográficas.

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O brilho da cana

A cana-de-açúcar é, hoje, a estrela da agricultura brasileira pe­rante os olhos do mundo. Mas já em 1892, o Instituto Agronômico estudava a gramínea. Na década de 1930, seriam introduzidas as variedades pioneiras CB e IAC para o controle da gomose e o mosaico, primeiras doenças registradas na cultura, no final do século 19 e na década de 1920, respectivamente. Nos anos 1970, quando o mundo vivenciava a primeira grande crise do petróleo, um convênio entre o IAC e a Copersucar introduziu 678 genótipos de vários países. Nos anos recentes, as contribuições seriam variedades forrageiras, para a pecuária leiteira e de corte, e cultivares adaptadas às condições edafoclimáticas de diferentes regiões do país. Outro trabalho envolvendo a vinhaça da cana-de-­açúcar transformou seu papel de vilã do meio ambiente em rico adubo nas lavouras.

Atraídos pelas empresas
Diante de inúmeras tarefas, no entanto, o Instituto Agronômico enfrenta um sério desafio: contornar a escassez de recursos públicos, muito aquém das necessidades dos seus pro­jetos. Com isso, por exemplo, vários pesquisa­dores já deixaram a Instituição, em busca de re­muneração e oportunidades de mercado mais atraentes. "É preciso um novo modelo jurídico que proporcione flexibilidade para a gestão do dia-a-dia. Precisamos, por exemplo, de maior autonomia para estabelecer parcerias", argu­menta Orlando Melo Castro, engenheiro agrô­nomo, pesquisador doutorado em Ciências do Solo e Nutrição de Plantas e diretor do Instituto Agronômico. A falta de recursos não é exclusiva no IAC, nem apenas da pesquisa agropecuária. Lamentavelmente, aponta o grave quadro em todas as áreas da ciência no país.

"As melhores condições de trabalho e de remuneração oferecidas pela iniciativa privada, além de esvaziar as equipes de pesquisa, atraem os novos profissionais formados nas melhores universidades do país", afirmou Edmilson Costa Filho, especialista em política científica, ao jornal Vale Paraibano, de São José dos Campos, SP. Costa Filho compara os sa­lários de instituições de ponta, como o Comando Geral de Tecnologia Aeroespacial, CTA, executor do programa espacial brasileiro. "Um pesquisador no topo da carreira que recebe 7 mil reais no CTA, na iniciativa privada pode ter vencimentos de até 25 mil reais."

Luta por oportunidades
No campo social, há um outro desafio: fortalecer os arranjos comunitários e cadeias produtivas regionais pa­ra a democratização dos benefícios advindos da pesqui­sa. "É preciso criar alternativas sustentáveis de trabalho e renda através das diversas formas de produção familiar e comunitária", defende Castro. "Ou seja, internamente de­vemos continuar a aprofundar o conhecimento, mas este precisa contribuir para a inclusão social de ampla parcela da população." De fato, o atual modelo de assentamento rural no país, após duas décadas de sua adoção, pouco tem contribuído nesse sentido.

"A área reduzida dos lotes, a baixa qualidade da ter­ra, a falta de incentivos financeiros e a escassez de tec­nologia desenvolvida nas áreas tendem a reproduzir a unidade mais perversa da estrutura agrária brasileira: o minifúndio", afirma Elisa Guaraná de Castro, professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. A esti­mativa atual do IBGE é de que existam aproximadamen­te 700 mil assentados. Cerca de 80% deles não possuem outra habilidade não-agropecuária, e os 20% que têm outra habilidade são, na maioria, pedreiros, motoristas e garimpeiros.

Um exemplo da contribuição para o resgate da cidada­nia no campo é o programa Treinamento Avançado para Jovens Assentados em Atividades Hortícolas e Produção de Mudas. A iniciativa é do Instituto Agronômico, em par­ceria com Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, Incra, e a Fundação de Apoio à Pesquisa Agríco­la, Fundag. Os 21 alunos do primeiro curso participam de movimentos rurais atuantes no estado de São Paulo, como o MST, Movimentos dos Trabalhadores Sem-Terra, e a Fetaesp, Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de São Paulo.

Durante um ano, eles tiveram aulas sobre técnicas agrícolas avançadas e elaboraram projetos geradores de renda para suas comunidades, explica Carlos Eduardo Ferreira de Castro, pesquisador do IAC e coordenador do proje­to. "Foi um processo de conquista e um imenso exercício de cidadania." O assentado José Aledjane de Oliveira, 26 anos, aplicará as aulas no assentamento Olga Benário, na cidade paulista de Tremembé. "Dêem-nos a oportunida­de e a ferramenta, pois temos boa vontade e capacidade para crescer", diz o jovem.

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Patrimônio de raridades

O monumental prédio do Instituto Agronômico, erguido onde era a fazenda de café pertencente ao Barão de Itapura, traduz um rico período arquitetônico. Mas é o acervo da biblioteca o seu patrimô­nio material mais valioso. Um dos mais antigos e completos em Agronomia e Botânica da América Latina, ele é formado por 33 mil títulos de livros, 82 mil boletins e 3 mil títulos de periódicos Entre diversas raridades estão obras com quase trezentos anos, como Voyage de L'Arabie Hereuse par L'Ocean Oriental, de La Roque, de 1716; e Thesaurus Linguae Latinae, 1734, de Stephani. Encontram-se também registros pioneiros das plantas existentes no país, como Plantarum Brasiliae, de 1827, escrita por Pohl, e Flora Brasiliensis, de 1833, de von Martius - esses dois autores participantes da Missão Científica e Cultural Austríaca, que percorreu o Brasil de 1817 a 1821.

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28 de maio de 2008
Data confirmada
A premiação do 7º Prêmio Massey Ferguson de Jornalismo já tem data e local confirmados.

Será na noite de 1° de julho de 2008 na Casa da Fazenda - Av. Morumbi, 5594, em São Paulo/SP.

Todos os finalistas são convidados especiais do Prêmio e serão recepcionados na festa para cerca de 150 pessoas, entre jornalistas e diretoria da Massey Ferguson.

Em breve, mais informações sobre o evento aqui no blog.

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21 de maio de 2008
Algodão, café e a pequena agricultura brasileira
A Agência de Notícias Brasil Árabe (ANBA) é finalista do Prêmio Massey Ferguson de Jornalismo na categoria Internet com a matéria “O alimento que brota na seca”, de Isaura Daniel, que foi até o interior de Pernambuco e do Piauí mostrar que, com o uso de tecnologias simples e muita persistência, os sertanejos produzem alimentos em terras de seca. Essa é a terceira vez que a agência concorre à final do prêmio. No ano passado, ela ganhou com a reportagem “A corrida pelo frango perfeito”, também da editora sênior Isaura Daniel.

Na mesma categoria, a Agência Safras & Mercado colocou dois trabalhos entre os finalistas. O jornalista Rodrigo Ramos com a matéria "Algodão - Agência Safras traça o mapa do bicudo no Brasil" realizou entrevistas exclusivas com associações, fundações e cooperativas das principais regiões produtoras de algodão do país, a fim de traçar um panorama de um dos maiores problemas enfrentados pelo cotonicultor nacional – o bicudo.

Já a dupla Lessandro Carvalho e Fábio Rübenich concorrem com "Café – 2006: o ano do produtor", que mostra porque 2006 foi importante para a cafeicultura do Brasil. “Dois mil e seis ficará marcado como o ano do produtor, porque foi o ano em que o cafeicultor conseguiu ter a melhor estratégia na comercialização, contribuindo decisivamente para uma sustentação adequada das cotações da commodity”, diz a introdução. Vale conferir a análise.

A Safras & Mercado já ficou entre os finalistas do Prêmio em três oportunidades, nos anos de 2004, 2005 e 2006. Em 2004 foi vitoriosa com o trabalho "Especial safra 2003/2004".

Veja a seguir as matérias na íntegra.

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"Algodão - Agência Safras traça o mapa do bicudo no Brasil"
Jornalista: Rodrigo Ramos
Veículo: Agência Safras (http://www.safras.com.br/) - Porto Alegre/RS
Categoria: Internet

A Agência SAFRAS realizou uma série de entrevistas exclusivas com associações, fundações e cooperativas das principais regiões produtoras de algodão do Brasil, a fim de traçar um mapa do bicudo no país, um dos maiores problemas enfrentados pelo cotonicultor nacional.

Como lembra o engenheiro-agrônomo Márcio Antônio de Oliveira e Silva, coordenador dos monitores do Projeto Bicudo da Fundação Goiás (Fundação GO), "onde há algodão, tem bicudo". Então, resta investir no monitoramento e controle do inseto, para que as perdas não sejam tão sentidas. Vale ressaltar que a praga prejudica muito mais o rendimento das lavouras do que a qualidade da pluma. Sem prevenção, afeta a formação da maçã e, conseqüentemente, a produção.

É claro que há diferenças no combate, dependendo do nível tecnológico de cada região. Para monitorá-lo, são utilizadas armadilhas antes do plantio, onde é possível verificar com maior precisão o nível da infestação. Já para contê-lo, são usadas várias aplicações de inseticidas. Tudo isto gera um custo elevado, que só o produtor melhor estruturado pode arcar.

Conforme dados da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o produtor gasta entre US$ 75,00 e US$ 130,00 por hectare anualmente para controlar a praga, gerando um custo médio de US$ 100,00. "Com uma área de aproximadamente 1 milhão de hectares, são gastos cerca de US$ 100 milhões por ano", relata o diretor-executivo da Abrapa, Renato de Freitas.

A quebra causada na produção pode chegar até 50%. Porém, na média brasileira, está estimada em 8%. "Isto representa R$ 309 milhões a menos para o setor na temporada 2006/2007", exemplifica Freitas. Dados internacionais mostram que, quando se tem um bom programa de combate, a taxa de retorno é de US$ 12,00 para cada US$ 1,00 investido.

Com o controle, os benefícios são percebidos em várias áreas. Com relação aos econômicos, há uma redução de custos, o aumento de produtividade e a melhora da fibra, o que gera mais renda. "Tudo isto torna o setor mais competitivo", frisa o diretor. Os ganhos ambientais são a redução no número de aplicação de inseticidas e o menor desequilíbrio biológico. Já os sociais englobam o menor risco de intoxicação, a criação de mais empregos e a viabilidade da atividade ao pequeno agricultor.

"A Abrapa tem consciência da enorme importância do tema. E por isso tem se dedicado em fazer desse assunto uma constante nas reuniões desenvolvidas junto aos órgãos públicos, produtores, e associações estaduais que a compõem", corrobora Freitas. Salienta que as experiências passadas não podem ser esquecidas, já que o inseto pode inviabilizar a cultura no país e a boa credibilidade que se conseguiu internacionalmente com a fibra brasileira.

Porém, atualmente, há um ingrediente a mais para trazer dor-de-cabeça ao cotonicultor: o câmbio. A valorização do real frente ao dólar está gerando um desequilíbrio no custo de produção e na receita. Por isso, a retração na moeda norte-americana tem centrado as atenções, deixando a praga, às vezes, até em segundo plano.

PROGRAMA BUSCA COMBATER INFESTAÇÃO ELEVADA NA BAHIA
A infestação é elevada na Bahia, como ocorre na maioria dos estados do Brasil. A declaração foi feita pelo coordenador do programa do bicudo da Fundação Bahia, o engenheiro-agrônomo Marco Antônio Tamai. "Dependendo de cada sub-região, é maior ou menor", completa.

Para combater o inseto, foi criado, a partir da temporada 2004/2005, o Programa para Monitoramento e Controle do Bicudo do Algodoeiro do Oeste da Bahia, financiado totalmente pelo Fundeagro (Fundo para o Desenvolvimento do Agronegócio do Algodão).

"A extensão rural, com a pesquisa e controle, é efetuada pela Fundação Bahia", explica Tamai. A Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) responde pela tarefa complementar, que é a fiscalização das lavouras. "Observa o cumprimento de datas de plantio, a destruição de soqueiras e tigüeras, além de abordar a educação fitossanitária", enumera. A Agência monta inclusive algumas barreiras, para aumentar a vigilância.

Segundo o coordenador, os cotonicultores do Oeste da Bahia, onde está localizada a maior parte das lavouras, fazem dez aplicações de inseticidas em média. "Isto gera um elevado custo econômico e ambiental", lembra. Os produtores também utilizam o armadilhamento antes do plantio. "Mas esta é uma ação que precisa ser melhorada", ressalta.

O engenheiro-agrônomo acha difícil estimar um percentual de quanto o inseto afeta a produção. "Um número conservador é de 2% a 5% de perdas", afirma. Nesta safra 2006/2007, foram cultivados 276 mil hectares com a cultura, estando a produtividade estimada em 243 arrobas por hectare.

A colheita na região tem que ser finalizada sempre até o dia 31 de agosto, última data para a destruição de soqueiras. "Geralmente, começa no final de maio e se estende até a metade de agosto", relata Tamai. Ele explica ainda que a época depende do sistema de plantio. "No ano passado, em função de problemas climáticos, os trabalhos foram excepcionalmente prorrogados", acrescenta.

CONSCIENTIZAÇÃO DO PRODUTOR FACILITA PREVENÇÃO EM GOIÁS
O bicudo está bastante controlado nas regiões produtoras de algodão de Goiás. A afirmação é do engenheiro-agrônomo Márcio Antônio de Oliveira e Silva, coordenador dos monitores do Projeto Bicudo em Goiás. "Os cotonicultores estão bastante conscientes da necessidade de prevenção", explica. O projeto, desenvolvido pela Fundação GO (Fundação Goiás), tem apoio de toda a cadeia produtiva.

Os produtores goianos estão sendo orientados pela Fundação GO desde a safra 2002/2003, o que tem trazido resultados bem satisfatórios. "Quase a totalidade aplica os inseticidas necessários ao combate", salienta o engenheiro-agrônomo. Por isso, os danos à planta nesta safra 2006/2007 foram isolados e não devem acarretar em perda de produtividade.

A região também utiliza o armadilhamento para monitorar o inseto, 60 dias antes de iniciar o plantio. A colheita estadual começou na segunda quinzena de maio e se estende até 15 de agosto.

Conforme a Fundação GO, foram semeados 80 mil hectares em Goiás nesta temporada. "Ainda é difícil projetar o rendimento médio, mas deve ficar entre 230 e 250 arrobas por hectare", prevê o coordenador.

PRESENÇA GRANDE NO MATO GROSSO DO SUL PREOCUPA
A incidência já preocupa o produtor de algodão do Mato Grosso do Sul. Segundo o engenheiro-agrônomo Gemerson Tomquelski, pesquisador de pragas da Fundação Chapadão, a infestação está um pouco alta no estado. A Fundação Chapadão - Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Chapadão - é uma instituição de pesquisa agropecuária criada por produtores rurais de Chapadão (Chapadão do Sul e Costa Rica/MS, e Chapadão do Céu/GO), uma região com aproximadamente 320.000 hectares de área agrícola.

Porém, há uma boa consciência do produtor em relação ao problema. "Estamos usando armadilhamento e controle químico nas lavouras, para combater a praga", relata Tomquelski. Mesmo sendo preocupante, a infestação é menor do que no estado de São Paulo, compara, acrescentando que visitou lavouras paulistas.

O bicudo, ao se alimentar ou fazer a oviposição (colocação dos ovos), prejudica a formação da maçã, comenta o engenheiro-agrônomo. Além disso, pode atacar a própria maçã, se a quantidade de insetos for elevada, deformando-a. Em ambos os casos, há uma queda da qualidade da fibra, que pode ser o escurecimento da mesma. Com relação à produtividade, o pesquisador afirma que não foi afetada nesta temporada.

A colheita do algodão plantado precocemente está em andamento no Mato Grosso do Sul. "São lavouras cultivadas mais cedo, que sofreram um adiantamento do ciclo, pela escassez de chuvas no mês de março", frisa Tomquelski. Por isso, o rendimento das variedades semeadas mais cedo deve ser prejudicado.

Normalmente, são produzidas de 270 a 280 arrobas por hectare. "Mas é bom destacar que o que está afetando é o clima, e não o bicudo". A Fundação estima que tenham sido plantados entre 40 mil e 45 mil hectares.

INCIDÊNCIA É ALTA EM SÃO PAULO E AFETA PRODUTIVIDADE
De acordo com o presidente da Associação Paulista dos Produtores de Algodão de São Paulo (APPA), Ronaldo Spirlandelli de Oliveira, a infestação é grande, "principalmente no final do ciclo de formação do ponteiro", trazendo prejuízos à produtividade.

O inseto, ao atacar os ponteiros do algodão, afeta o rendimento das lavouras locais, explica o presidente. A tecnologia aplicada nas plantações varia muito entre as regiões e os produtores paulistas. "Em Holambra, é feito não só controle específico, como também o monitoramento com armadilhas", relata. Já nas regiões de Ituverava e Leme, com média tecnologia, usam inseticidas, mas não armadilhamento.

Na região de Votuporanga, alguns produtores utilizam inseticidas, mas não monitoram-no. "A maioria não controla nem com baterias de aplicações específicas", frisa Oliveira. E na região de Martinópolis, onde o emprego de tecnologia é baixo, não há combate à praga.

Conforme o presidente, o prejuízo de qualidade se nota na má formação da maçã, produzindo uma fibra imatura, sem uniformidade. "Nas lavouras do estado, já existe perda de qualidade", afirma. A colheita teve início em fevereiro em Martinópolis. Nas quatro demais regiões produtoras, começou entre o final de março e início de abril, se estendendo até meados de junho.

AÇÕES DA AMIPA TENTAM AMENIZAR PREJUÍZOS EM MINAS GERAIS
A situação está mais controlada nas lavouras de algodão de Minas Gerais. Segundo o vice-presidente da Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa), o engenheiro-agrônomo Norberto Gonçalves de Abreu, a infestação já foi muito maior, "do ano passado para trás".

Em 2006, o estado começou a usar armadilhamento para monitorar o inseto. "A Associação comprou as armadilhas com os feromônios e fez uma doação aos cotonicultores mineiros", conta Abreu. Com a iniciativa, a incidência já diminuiu muito nesta safra. "Antes, era péssimo. Agora, temos uma condição de convivência", afirma.

Outra ação da Amipa é fazer a medição por GPS de toda a área cultivada em Minas Gerais, prevista pela Associação em 29 mil hectares na temporada 2006/2007. "Isso nos ajuda muito a monitorá-lo", explica o engenheiro-agrônomo. Conforme ele, sem o controle, a queda de produtividade é enorme. "Praticamente não se colhe nada. Perde-se a lavoura na íntegra se a infestação for grande", comenta.

A colheita já iniciou no estado e deve se estender até o final de agosto. Segundo Abreu, houve uma antecipação atípica, provavelmente por causa do clima seco. "Geralmente começava em julho, mas dia 20 de maio já estávamos beneficiando algodão neste ano", exemplifica.

A produtividade média varia muito na região, dependendo da tecnologia empregada. "Tirando a soca, deve ficar entre 170 e 200 arrobas por hectare", prevê o vice-presidente, acrescentando que ainda é muito cedo para precisar.

BAIXA TECNOLOGIA DIFICULTA CONTROLE NO PARANÁ
O baixo uso de tecnologia na maior parte das lavouras de algodão do Paraná facilita a infestação. A afirmação é do engenheiro-agrônomo Francisco Ubiratã Aires, coordenador técnico para algodão e café da Cooperativa Agroindustrial Cocamar. "Na nossa área de atuação, existe o predomínio de pequenas propriedades, onde a falta de recursos reflete no controle de pragas, principalmente do bicudo", explica.

"Neste ciclo, tivemos muita chuva durante o período crítico, dificultando o controle", acrescenta Aires. Os prejuízos causados pelo inseto estão mais relacionados à redução de rendimento do que propriamente de qualidade, pois promove a queda das estruturas produtivas da planta - botões florais, flores e maçãs. "No nosso caso, o maior ataque foi mais para o final do ciclo, suprimindo a carga da parte superior", comenta.

Além do bicudo, a falta de preparo correto do solo e a adubação insuficiente foram fatores decisivos para a queda de produção na área de ação da Cocamar, que somou 1.500 hectares, bastante pequena em relação aos anos anteriores. Estima-se, portanto, uma redução de 15% na produtividade em comparação com a previsão inicial, ficando em 1.400 quilos por hectare. "Em anos favoráveis, normalmente atingia 2.000 quilos por hectare", completa o coordenador.

Conforme a Cooperativa, a área total cultivada no Paraná em 2006/2007 foi de aproximadamente 11 mil hectares. "Muito pouca, para não dizer insignificante, para um estado que já foi o principal produtor de algodão do Brasil", frisa o engenheiro-agrônomo. "O rendimento estadual deve ficar próximo de 2.200 quilos por hectare", prevê.

Já a qualidade do algodão melhorou em relação ao ano passado, quando, além de todos os problemas de tecnologia enfrentados, houve uma seca prolongada, que também reduziu drasticamente a produção. A colheita na área de ação da Cocamar encerrou na primeira quinzena de maio, sendo que o pico se deu entre a primeira quinzena de março e a primeira quinzena de abril.

RENDIMENTO NÃO DEVE SER AFETADO NO MARANHÃO
A presença não é muito elevada nas plantações de algodão do Maranhão. A afirmação é do gerente de Planejamento Agrícola e Pesquisa da SLC Agrícola, Aurélio Pavinato. "O inseto não deve afetar a produtividade no estado, devido à pressão de incidência ser baixa", acrescenta.

Conforme o gerente, os produtores estão fazendo uso de inseticidas quando há infestação. "Mas nem todos estão executando o manejo completo, composto por armadilhamento, aplicação em bordadura, em B1 (quando as plantas formam o primeiro botão floral) e direcionadas, além do MIP (Manejo Integrado de Pragas, que envolve o levantamento de pragas nas lavouras a cada três dias, avaliação técnica e decisão de controle)", explica.

Pavinato comenta que o bicudo provoca a perda parcial ou total do capulho, gerando "grande dano à quantidade de pluma produzida". Porém, em lavouras com número elevado, pode ocorrer queda de qualidade também. Para esta temporada, cuja colheita ocorre de 1o de junho até 30 de julho, o rendimento deve ser maior se comparado com a anterior. "Já no Piauí, será pior", adverte.

A avaliação das lavouras e os dados iniciais de colheita mostram uma produtividade em torno de 250 arrobas de caroço por hectare no Maranhão e 220 arrobas no Piauí. A área plantada no Maranhão está estimada em 5.564 hectares e, no Piauí, em 10.400 hectares. Somando os dois estados, chega-se ao total de 15.964 hectares, ante 15.834 na safra 2005/2006.

No último levantamento de SAFRAS & Mercado, elaborado pelo analista Miguel Biegai e datado de 19 de junho, a área no Nordeste, exceto Bahia, subiu de 78.550 para 80.500 hectares. Já o rendimento foi estimado em 1.150 quilos (76 arrobas) de caroço por hectare, ante 670 quilos (44 arrobas) na temporada passada. "Vale salientar que a Bahia não entra neste patamar e que o avanço da produtividade na região reflete exatamente a melhora nos estados do Maranhão e Piauí", completa Biegai.

SAFRAS PREVÊ PRODUÇÃO DE PLUMA EM 1,462 MILHÃO DE TONELADAS
A produção brasileira de algodão em pluma deverá totalizar 1,462 milhão de toneladas em 2006/2007, crescendo 54,1% sobre a temporada anterior - 948,6 mil toneladas, conforme projeção divulgada por SAFRAS & Mercado. SAFRAS indica área plantada de 1,129 milhão de hectares na atual temporada, contra 837,6 mil hectares no ano passado.

"Há alterações importantes em relação ao levantamento de maio. A estimativa de área em alguns estados foi incrementada, assim como houve um ligeiro decréscimo em outros, de acordo com as informações obtidas junto a fontes de associações de produtores, corretores e consultores agronômicos", explica o analista Miguel Biegai, responsável pelo levantamento. No geral, houve aumento de área e novo ganho de produtividade.

No Mato Grosso, foram cultivados 570 mil hectares. Houve falta de chuva em algumas localidades, tanto no norte do estado, cujos ponteiros devem ser afetados, como no sul, principalmente em Itiquira. "Até o momento, a produtividade registrada tem sido considerada boa, mas espera-se uma redução ao final da colheita", prevê Biegai.

Os produtores baianos relatam uma disparidade grande entre as diversas regiões. Uns ostentam rendimento de 300 arrobas por hectare, enquanto outros, bem próximos, colhem 200 arrobas por hectare. Em alguns casos, a diferença é atribuída ao calendário de plantio. No entanto, a média está indicada de 230 a 250 arrobas por hectare.

A área semeada na Bahia está sendo revisada para 288 mil hectares, havendo uma significativa mudança de 16 mil hectares a mais, em função da elevação na estimativa de 262 para 278 mil hectares em Luís Eduardo Magalhães e da manutenção de outros 10 mil hectares em outras localidades, como Guanambi.

Em Goiás, foram plantados 78,7 mil hectares, que devem render 226 arrobas por hectare. O percentual colhido até o momento é inferior se comparado a igual período de 2006. "Mas não que a safra esteja atrasada. É que houve redução de área em regiões de baixa altitude, como Itumbiara, e forte avanço em de maior altitude, como Ipameri", exemplifica Biegai.

No Mato Grosso do Sul, a parte sul sofreu com a estiagem e teve a produção comprometida. No entanto, a região norte teve problemas mais brandos com o clima, com exceção dos produtores que plantaram mais tarde. A colheita está surpreendendo devido aos bons rendimentos, na casa dos 250 arrobas por hectare, ou até mais. A área é indicada em 44 mil hectares.

Em São Paulo, espera-se uma produtividade de 190 a 195 arrobas por hectare e uma área plantada de 28,2 mil hectares. Minas Gerais, com 28,3 mil hectares, deve fechar com 180 a 200 arrobas por hectare, em função da falta de chuva que ocorreu entre março e abril. No Paraná, foram cultivados 10,5 mil hectares e colhidas 150 arrobas por hectare.

ABRAPA PROJETA METAS PARA CONTROLE DO BICUDO NA SAFRA 2007/08

Não basta apenas traçar o mapa do bicudo no Brasil. O produtor quer respostas. Saber o que precisa ser feito para acabar com este mal que assola as lavouras de algodão. Por isso, a Agência SAFRAS foi questionar o representante máximo do setor, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), sobre as ações programadas para o combate ao inseto na safra 2007/2008.

Consciente do problema e dos riscos à safra brasileira, o diretor executivo da Associação, Renato de Freitas, concedeu entrevista exclusiva, detalhando os objetivos traçados para os principais estados produtores. "A praga pode causar um grande impacto à nossa produção, comparado ao problema da febre aftosa que assolou o país", acredita, explicando porque o tema é tão importante.

Recentemente, entre os dias 08 e 09 de maio, a Abrapa, juntamente com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), através da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) e do Departamento de Sanidade Vegetal (DSV), colaborou e participou, na cidade de Goiânia (GO), da "Reunião para Discussão do Programa Nacional de Controle do Bicudo-do-Algodoeiro".

O evento contou com a presença de representantes de órgãos de pesquisa, universidades, fundos para o desenvolvimento da cultura e órgãos regionais de defesa vegetal, vindos de vários estados, onde se discutiu a elaboração de uma Instrução Normativa (IN) que pretende criar o Programa Nacional de Controle do Bicudo (PNCB). "A Associação está alinhada e em parceria com o MAPA para colaborar no que for necessário para garantir a eficiência e resultados deste projeto", comenta Freitas.

Nesta reunião, também estava presente o representante do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Jesus Leguiza, que realizou a apresentação do "Projeto Regional de Controle do Bicudo-do-Algodoeiro no Cone Sul" (Brasil, Paraguai, Argentina e Bolívia). "Vale lembrar que os presidentes destes países já assinaram uma carta de intenções para combatê-lo em suas respectivas nações", acrescenta o entrevistado.

MATO GROSSO PRETENDE INTENSIFICAR CONTROLE
Líder nacional em produção, o Mato Grosso começou o trabalho de controle em dezembro de 2006 e deverá intensificá-lo. O foco é aumentar a conscientização e o conhecimento do cotonicultor, para se ter eficácia no combate à praga.

"O grande desafio está na destruição, após a colheita, da soqueira (emaranhado de raízes que fica na terra, que eventualmente rebrota e forma outra planta, indesejável para um padrão tecnológico adequado) e na eliminação das tigüeras (plantas que germinam a partir de grãos que se perdem, nas lavouras, rodovias e armazéns), conseguindo com isso um inicio de temporada melhor", salienta Freitas.

De acordo com a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (AMPA), o estado tem o privilégio de manter índices admissíveis de infestação, que ainda não representam prejuízos econômicos aos agricultores na maioria das regiões produtoras, apesar da presença indesejável do bicudo na lavoura. Isto é resultado de investimentos de R$ 1,3 milhão que a AMPA está aplicando no programa contra o inseto, onde engenheiros-agrônomos fiscalizam sistematicamente a área plantada nos sete núcleos regionais da entidade.

Três associações de técnicos também foram criadas com este objetivo. O empenho em torno das ações envolve toda cadeia estadual. Nos próximos meses, o trabalho será reforçado com medidas ainda mais contundentes, considerando o fim da colheita. A prioridade dos produtores rurais é a destruição da soqueira do algodão no prazo determinado pela legislação estadual. A associação estadual é parceira do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT), responsável pela fiscalização das lavouras.

No núcleo de Lucas do Rio Verde, por exemplo, técnicos e produtores adotaram medidas de combate, como a colocação de "tubos mata bicudo" no perímetro das algodoeiras; o cuidado com o transporte do caroço, visando a não multiplicação de plantas voluntárias às margens das rodovias; o monitoramento dois meses antes da semeadura; as aplicações em bordadura e em glebas em que for constatada a presença da praga; a obrigatoriedade de compra do inseticida antes da safra 2008; a autuação de quem deixar plantas vivas, entre 15 de setembro e 30 de novembro; e a presença de um monitor para cada 700 hectares.

BAHIA APOSTA EM FISCALIZAÇÃO REGIONALIZADA
A pressão do inseto nas lavouras do Oeste da Bahia foi muito variada nesta temporada, existindo localidades com pouquíssima e outros com alta infestação. "Em 2005/2006, o ciclo da cultura na região (do plantio à colheita) foi, em média, 30 dias maior que nas anteriores, devido a fatores climáticos", relata o diretor. Isso permitiu o maior número de gerações da praga durante a safra, a destruição mais tardia das soqueiras e, conseqüentemente, a redução no período de entressafra.

Estes fatores fizeram com que a infestação inicial na safra 2006/2007 fosse, em geral, maior nas diversas sub-regiões do Oeste baiano, com ocorrência mais precoce nas plantações. Durante a temporada, o controle da praga foi bem feito na maioria das fazendas. Diferente do que se aconteceu no ano passado, o ciclo apresentou duração menor, o que deverá facilitar o cumprimento da operação de aniquilação das soqueiras dentro do prazo estabelecido pela Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab).

No momento, o estado está em pleno pico da colheita, com a eliminação das soqueiras sendo realizada concomitantemente. "A qualidade do transporte da produção (algodão em capulho) vem apresentando melhora em relação aos anos anteriores, o que certamente deverá diminuir as plantas tigüeras na beira das estradas", acredita Freitas.

Agora, para 2007/2008, a Bahia quer ampliar a formação de grupos regionais, através dos "Projetos Integrados para Controle do Bicudo nas Sub-Regiões". Eles visam demonstrar a viabilidade prática de se implantar sistemas integrados (entre propriedades) de controle ao inseto, com a geração e validação de um pacote tecnológico de convívio em regiões de alta infestação, conciliando-se desta forma questões econômicas, ecológicas e sociais.

"Além disso, procura-se motivar as pessoas envolvidas na execução das atividades, aumentando a produtividade e a estabilidade do algodoeiro, servindo como modelo para que mais cotonicultores possam adotar programas semelhantes e adaptados às suas realidades regionais", acrescenta o entrevistado.

GOIÁS PRECISA DAR SEQÜÊNCIA AO QUE VEM SENDO FEITO
Em Goiás, onde a situação é bem mais tranqüila, a meta é continuar o armadilhamento, orientando quanto ao controle correto, dando seqüência ao que já vem sendo feito. "Com a conscientização do agricultor goiano, foi possível reduzir a praga, obtendo ganho de produção no ponteiro da planta", destaca o diretor da Abrapa.

Os produtores goianos levam vantagem, pois são orientados pela Fundação GO (Fundação Goiás) desde a safra 2002/2003. Com isso, a maioria dos cotonicultores aplica os inseticidas necessários ao combate. A região também utiliza armadilhas para monitorar o inseto, 60 dias antes de iniciar o plantio.

MATO GROSSO DO SUL BUSCA MAIS RECURSOS PARA COMBATER PRAGA
Atualmente, são usadas armadilhas e há o controle químico nas lavouras do Mato Grosso do Sul. Para a próxima temporada, a ambição é maior. Será buscada uma gestão pública junto aos parlamentares, visando atrair recursos específicos ao combate, além de mudanças nas leis sanitárias do estado. Também está em pauta melhorar a eficiência na destruição de soqueiras, mantendo uma maior vigilância sobre os resultados, e efetuar o controle das plantas tigüeras às margens da rodovia.

"É primordial ainda estabelecer um calendário de plantio de curto prazo, adequado às regiões sul e norte do estado, e fiscalizar para que este seja cumprido", frisa Freitas. O estado pretende criar o consórcio bicudo, envolvendo produtores, fundações e assistências técnicas, e reformular o Fundo do Algodão, visando captar recursos para o combate ao inseto.

MINAS GERAIS APOSTA EM PALESTRAS E DISTRIBUIÇÃO DE ARMADILHAS
Está sendo realizado um trabalho preventivo em Minas Gerais, com palestras por parte da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), mostrando ao produtor a importância do tema. A destruição das soqueiras e das tigüeras é bastante abordada. "Observou-se que a conscientização está dando resultados, com o cotonicultor conseguindo ter um melhor controle do bicudo, diminuindo a aplicação de defensivos e, automaticamente, tendo maior produtividade", comenta Freitas.

A Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa) incentiva o armadilhamento pré-safra, doando 100% das armadilhas e feromônios. "Além disso, há a orientação diária da equipe da Amipa, com visitas técnicas", ressalta o diretor da Abrapa. Cabe ao agricultor seguir todo o programa de combate à praga, para que os resultados sejam satisfatórios.

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Postado por Massey Ferguson às 15:10 | 0 comentários 
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