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Imagine um local repleto de áreas planas, com insolação permanente. Um lugar onde não faz frio nem cai geada. Uma região com incentivos à produção e à pesquisa agropecuária. Um pedaço do planeta abençoado pela natureza com a exuberância da Amazônia, do Pantanal e do Cerrado. Assim é o Mato Grosso, o terceiro estado brasileiro em extensão territorial, com 906,8 mil km2, centro geográfico da América do Sul.

Um lugar assim só poderia ser destaque no cenário agrícola com as lavouras de soja, algodão, arroz, café e cana-de-açúcar. “E agora começamos a investir na mamona. Já existem 18 milhectares plantados e uma indústria instalada em Porto Alegre do Norte”, anunciou o governador Dante de Oliveira na Agrishow, durante mais um seminário de divulgação das potencialidades do estado, já realizado em diversas regiões do Brasil, em Hannover, Miami e Buenos Aires.

Alguns números do Mato Grosso são astronômicos: nove milhões de toneladas de soja, 480 mil toneladas de algodão em pluma,, 19 milhões de cabeças de gado. “Até 2003, já temos assegurados investimentos de R$ 11,4 bilhões do setor privado nacional e internacional”, revelou o governador para produtores de todo o país atentos às novas oportunidades de negócio.

Tem também financiamentos internacionais, como o Programa Pantanal, que prevê investimentos de US$ 200 milhões. A primeira parcela, de R$ 2,9 milhões, será desembolsada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento até agosto e será aplicada em estradas, ecoturismo e pecuária. “Queremos comercializar a carne dos bovinos do Pantanal fora do país com selo de qualidade”, planeja Dante de Oliveira.

Clube dos 70

A forma como o mato-grossense recebeu os migrantes sulistas marcou o paranaense Blairo Maggi. “Nunca fomos vistos como intrusos”, recorda o maior produtor de soja do mundo. “Olhamos o vizinho como amigo, os produtores se aproximaram e através dos dias de campo foram criando associações. Mas não estamos dormindo em berço esplêndido. O produtor é ávido por novas tecnologias para competir no mercado internacional”, avisa Maggi, atual presidente da Fundação MT.

“Eu sai do Rio Grande do Sul em 1977, fui para Minas Gerais e em 1982 comecei a produzir no Mato Grosso. Plantei 1200 hectares no primeiro ano, e nem consegui financiamento do Banco do Brasil”, recorda o gaúcho Gilberto Flávio Goellner, cliente Massey Ferguson que atualmente planta 13 mil hectares. “O estado ainda tem 15 milhões de hectares disponíveis para a agricultura e dois desafios: aumentar a produtividade da soja e conquistar novos mercados para o algodão”, afirma Goellner.



A meta dos produtores, que com competência venceram a baixa qualidade do solo da região, é conquistar uma produtividade média de 70 sacas/ha de soja na safra 2001/2002. Quem conseguir entra para o Clube dos 70, disse o governador Dante de Oliveira.
“O pessoal aqui tem vontade e capacidade para atingir esta meta”, garante o mineiro Cloves Luiz Guimarães, de 42 anos, diretor da Rondomaq Máquinas e Veículos Ltda., concessionário Massey Ferguson desde 1970. Vivendo no estado hás 32 anos, Cloves está surpreso com a velocidade do progresso na região, principalmente com a nova tecnologia do algodão. “Agora o feijão está surgindo com destaque, com boa produtividade, e também a uva nos municípios de Campo Verde e Primavera do Leste”, destaca.

“O principal aqui é o clima”, festeja Orcival Gouvêa Guimarães, de 44 anos, diretor da Guimarães Agrícola Ltda., de Lucas do Rio Verde. O concessionário Massey Ferguson ressalta o papel da Fundação MT, principalmente na safra de 94/95, quando as doenças ameaçaram de modo grave as lavouras de soja e novas variedades surgiram para resolver o problema. Orcival destaca a boa aceitação das colheitadeiras MF 34 e MF 38 na região: “Os produtores estão surpresos com o desempenho, a tecnologia, a limpeza do grão e o rendimento”.


Fundação MT
A Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT), com sede em Rondonópolis (MT), está investindo R$ 10 milhões na instalação de seu Centro de Pesquisa em Cambé, no Norte paranaense. O objetivo é desenvolver cultivares de soja, algodão, milho e arroz e abocanhar parte do mercado brasileiro de sementes. Criada em 1994, por iniciativa de um grupo de produtores mato-grossenses de sementes, a Fundação MT está implementando há quatro anos um projeto de expansão da área em que atua, limitada ao Centro-Oeste, principalmente, ao Mato Grosso. Neste ano, lançou sete novas variedades de soja em um concorrido Dia de Campo na Fazenda Adriana, em Alto Garça, a 338 quilômetros de Cuiabá.

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